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Práticas Restaurativas são instrumentos de paz social, afirma desembargadora Clarice em Sorriso

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A presidente do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Clarice Claudino, encerrou a Semana de Práticas Restaurativas na comarca de Sorriso (420 km ao norte de Cuiabá), na tarde de sexta-feira (21) com a palestra “A Justiça Restaurativa como instrumento de paz social”.
 
A semana dedicada a divulgar a Justiça Multiportas em Sorriso ocorreu entre os dias 17 e 21 de outubro, com a realização de 20 Círculos de Construção de Paz, com a participação de cerca de 300 representantes de entidades como escolas, grupo de idosos, grupo de adolescentes, Secretaria de Educação e estudantes de Direito.
 
A palestra da desembargadora Clarice ocorreu no plenário do Tribunal do Júri do Fórum de Sorriso e contou com a presença de cerca de 200 pessoas. “O objetivo do Judiciário é sempre buscar a paz social. E a Justiça Restaurativa é mais uma nesse Sistema de Múltiplas Portas, que estimula as pessoas a ter um uma resolução mais satisfatória dos seus próprios conflitos, saindo um pouco daquele modelo tradicional de que um ganha e outro perde. Além disso, é uma técnica para prevenir conflitos de ensinar as pessoas a se relacionar mais pacificamente”, pontua a magistrada.
 
Parceria – O juiz coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs Sorriso), Anderson Candiotto destacou que a proposta de pacificação social foi muito bem aceita pelo município, que inclusive firmou dois termos de parceria para a implantação de núcleos de prática restaurativa: o primeiro com a Secretaria de Educação e o segundo com a Secretaria de Assistência Social de Sorriso. “Graças à sensibilidade do gestor local, teremos em cada escola um núcleo de prática restaurativa, com pessoas treinadas e capacitadas, formadas pelo Judiciário para levar para dentro da sala de aula e para as unidades de assistência social essa boa prática de restabelecer o diálogo com respeito”, antecipou.
 
O prefeito de Sorriso, Ari Lafin, apontou que o mundo digital acabou dividindo as pessoas em grupos com opiniões semelhantes e deixando mais intolerantes com quem pensa diferente. “Vivemos num momento em que somos rapidamente julgados em grupos de WhatsApp, atacados, em grupos de Facebook, mas há a necessidade de fazer com que todos entendam que o diálogo, principalmente no Poder Público, é o caminho para fazer algo em prol daqueles que necessitam dos nossos trabalhos”, argumenta. “A gestão pública precisa do equilíbrio, para isso precisamos apostar no ser humano. As máquinas são importantes, redes sociais são boas, celulares são interessantes, mas o ser humano ainda está acima de toda essa tecnologia.”
 
O evento ainda contou com a presença de magistrados, magistradas, servidores e servidoras de Sorriso e autoridades locais. Compuseram o dispositivo de autoridades o juiz coordenador do Nugjur, Túlio Duailibi, gestora do NugJur, Euzeni Paiva, juiz diretor do Fórum de Sorriso, Érico de Almeida Duarte, juíza da 1º Vara Criminal da Comarca, Emanuelle Chiaradia Navarro Mano, representantes do Ministério Público Estadual (MPE) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Durante o evento, a desembargadora Clarice Claudino recebeu o título de Cidadã Sorrisense. A honraria concedida pelo Poder Legislativo Municipal foi entregue pela vereadora Jane Delalibera.
 
Semana de Práticas Restaurativas – A programação ficou a cargo do Cejuscs Sorriso, que conta com a gestora, Eliana Martini. Um dos 20 círculos de paz realizados ocorreu na Escola Dinâmica, instituição privada que funciona há 15 anos em Sorriso.
 
A turma contou com 14 líderes de classe do 7º Ano do Ensino Fundamental ao 2º Ano do Ensino Médio. “Achei a atividade libertadora. Aproxima muito a gente, conseguimos rever alguns conceitos, fazer uma análise pessoal e verificar se estamos fazendo realmente aquilo que dizemos que faríamos “, aprovou Davi de Mellos, de 15 anos, estudante do 9º Ano.
 
A diretora da escola, Elaine Mondadori, destacou que os estudantes serão os multiplicadores do círculo. E que a partir da experiência deles poderão auxiliar os colegas de turma na mediação de algum conflito. “É um grande prazer trabalhar essa semana com a questão emocional, ainda mais que sabemos que no convívio social sempre surgem problemas, de aceitação, imagem, de convívio com o diferente e a escola é um ambiente social. Então estou muito feliz em acolher essa proposta e poder trabalhar com os nossos alunos”, avaliou.
 
Anderson Candiotto afirmou que a prática restaurativa nada mais é do que resgatar um costume milenar do ser humano, que é o diálogo. “Pautado por escuta ativa, respeito à opinião divergente e na oportunidade de falar e refletir. Essa é uma ferramenta que o judiciário oferece para que nesse mundo conturbado as pessoas possam ter a chance de falar o que sente e ouvir o que o outro sente, com o propósito de conviver melhor”, define. “Hoje temos muita tecnologia, que é algo muito bem-vinda e ajuda muito, mas é preciso também ter momentos de se olhar nos olhos, é preciso ter momento de falar e ouvir pessoalmente, porque isso faz toda diferença”.
 
Além de círculos de paz em escolas, atividade foi desenvolvida com estudantes de universidades, professores e coordenadores, Grupos da Terceira Idade e com os servidores do Fórum. Entre os participantes estava a técnica judiciária, Ana Carolina Barreto, 29. Que atua há cinco anos no judiciário e participou pela primeira vez da dinâmica.
 
“O círculo de paz foi de grande valia, tanto na questão de conhecer mais a si mesmo, quanto aos nossos colegas. Ele nos trouxe a possibilidade de ter uma maior interação no ambiente de trabalho, que é formado por seres humanos. Antes dessa experiência, eu não sabia exatamente como que funcionava e não poderia ajudar na divulgação da prática. Hoje sei que ele é capaz de tornar uma pessoa melhor, a gente aprende sobre convivência com o outro e agora posso aconselhar quem procurar que se tiver a oportunidade de participar de um círculo, que participe”, reforçou.
Comarcas
 
O intuito da Semana de Práticas Restaurativas é divulgar a Justiça Multiportas e sensibilizar as autoridades, sociedade civil e parceiros da rede de proteção sobre como essas ferramentas podem ajudar na solução adequada de conflitos e, consequentemente, na promoção da cultura da paz.
Com o apoio de diversos parceiros, o Nugjur e os Cejuscs já promoveram a Semana nas comarcas de Primavera do Leste, Campo Verde e Sinop, Nova Mutum, Paranatinga, Rondonópolis, Campo Novo do Parecis, Pontes e Lacerda, Chapada dos Guimarães entre outras. Sempre levando as práticas da Justiça Restaurativa a gestores municipais, vereadores, secretários e diretores de escolas.
 
Além disso, em setembro, foi realizado o Seminário Estadual “Promoção e Cultivo da Paz – Práticas Restaurativas no Estado de Mato Grosso”, na sede do TJMT, em Cuiabá.
 
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição de imagens – 1 – Fotografia colorida mostrando a desembargadora falando ao microfone com a plateia à frente. Ao fundo a mesa de autoridades e na parede uma projeção com os dizeres: A Justiça Restaurativa como instrumento de paz social. 2 – Fotografia colorida mostrando o auditório lotado. 3 – Fotografia colorida da entrega do título cidadã Sorrinsense à desembargadora. 4 – Fotografia colorida de um círculo de paz. Ao centro imagens de objetos e frases utilizadas na dinâmica.
 
Leia mais:
 
Alcione dos Anjos
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Cemulher anuncia criação da 120ª rede de enfrentamento à violência contra a mulher durante reunião

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Foto horizontal colorida, em plano fechado, que mostra a desembargadora Maria Erotides Kneip durante entrevista à TV Justiça. Ela é uma senhora branca, de cabelos longos, lisos e grisalhos, usando blusa com estampa geométrica preto e dourado e blazer azul marinho.A coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-TJMT), desembargadora Maria Erotides Kneip, anunciou a criação de novas redes municipais de enfrentamento à violência contra a mulher nos municípios de Arenápolis, Nova Brasilândia, Santo Afonso e Paranatinga, chegando à marca de 120 redes ainda nesta semana.

O anúncio foi realizado durante a primeira reunião da Rede Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, na manhã desta segunda-feira (4), no Palácio Paiaguás, juntamente com representantes de dezenas de órgãos públicos e instituições que atuam no combate a esse tipo de violência em Mato Grosso.

Para a desembargadora, a criação das novas redes “significa que nós estamos trabalhando para que a mulher tenha, verdadeiramente, quem a escute, quem leve até as decisões tudo o que envolva a violação aos seus direitos humanos”.

Foto horizontal colorida, em plano fechado, que mostra a secretária-chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, delegada Mariell Antonini durante entrevista à TV Justiça. Ela é uma mulher branca, de olhos azuis, com cabelos longos, loiros e cacheados, usando blusa estampada.O avanço da Cemulher nessa frente de trabalho foi comemorada pela secretária-chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero contra a Mulher do Governo do Estado, delegada Mariell Antonini, que coordena a Rede Estadual de Enfrentamento. “A gente sabe que o crime de violência contra a mulher está acontecendo nos municípios. E quando nós temos redes de enfrentamento locais, isso propicia este olhar entre as instituições para o aprimoramento dos canais oficiais de atendimento à mulher. E este papel tem sido capitaneado pelo Poder Judiciário ao longo do tempo, e agora, com essa atuação na Rede Estadual de Enfrentamento, também traz uma força maior”, disse.

A reunião desta segunda-feira (4) marca o início do trabalho integrado entre as instituições estaduais, após a assinatura do Pacto Estadual pelo Enfrentamento à Violência Contra a Mulher no dia 17 de abril, que lançou, dentre diversas medidas, o Decreto nº 2.003/2026, que institui a Rede Estadual de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher e as Redes de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, ambas coordenadas pelo Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero Contra a Mulher, do Governo do Estado.

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Entre os temas debatidos, também foram destaque a ampliação do monitoramento eletrônico de autores de violência doméstica, o

desenvolvimento de políticas públicas voltadas às mulheres indígenas, quilombolas e ciganas e o envolvimento de universidades na elaboração de estudos que possam contribuir para a efetivação das políticas públicas a curto, médio e longo prazos.

Para a desembargadora Maria Erotides Kneip, a articulação da Rede permitirá estruturar toda a política de enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso. “O alcance da Rede é maravilhoso! Hoje, foram discutidos direitos de mulheres ciganas, de mulheres indígenas, de mulheres quilombolas. Então, tudo isso precisa ser contemplado e eu penso que o Estado de Mato Grosso está no caminho certo com o Gabinete da Mulher. O que a gente tem conseguido e o que se vai conseguir com essa articulação, se Deus quiser, é algo que vai fazer muita diferença com relação à igualdade de direitos da mulher”, avalia.

Foto horizontal colorida, em plano fechado, que mostra o juiz Marcos Terêncio, sentado, falando durante uma reunião. Ele é um homem branco, de olhos e cabelos escuros, usando camisa branca, gravata cinza e terno preto.Para o juiz da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Capital, Marcos Terêncio, que também participou da reunião, a implementação da Rede Estadual de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher representa um avanço na governança das políticas públicas. “Anteriormente, nós tínhamos a Câmara Temática. Agora, foi expandido para ficar sob a égide do Gabinete de Enfrentamento à Violência Doméstica. Dessa forma, permite um maior acesso de todas as instituições, todos os entes para atuar, juntando esforços no enfrentamento”.

Conforme previsto no Pacto Estadual pelo Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e no programa Mato Grosso em Defesa das Mulheres, o Judiciário estadual se comprometeu em ampliar os grupos reflexivos voltados a homens autores de violência doméstica. Conforme o juiz Marcos Terêncio, esse trabalho deve seguir a política judiciária nacional que vem sendo delineada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“Os grupos reflexivos estão sendo foco não só no Estado de Mato Grosso, mas nacionalmente. O CNJ fez um levantamento dos grupos reflexivos em todo o Brasil e vai passar a atuar em três frentes: com o grupo reflexivo, primeiramente; depois vamos fazer uma nova normatização dos grupos; e também serão fornecidas cartilhas para tentar padronizar e encontrar a melhor experiência de todos para trocar as informações e ideias do que está sendo feito no país com relação aos grupos reflexivos”, informa.

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Foto horizontal colorida, em plano aberto, que mostra a cabeceira de uma mesa de reunião, composta por diversas autoridades do Estado, entre elas a desembargadora Maria Erotides Kneip e a secretária-chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, Mariell Antonini.Ainda na reunião da Rede Estadual de Enfrentamento, os representantes do Judiciário destacaram que Mato Grosso está entre as quatro unidades da federação que apreciam com mais agilidade os pedidos de medida protetiva. Isso porque, enquanto a legislação prevê o prazo de 48 horas para que o juiz analise o caso, em Mato Grosso o prazo é cumprido pelos magistrados em menos de 24 horas. “Estamos trabalhando duro! Não é simples porque nós estamos falando de média. Oitenta por cento das nossas medidas são apreciadas na mesma data em que foram solicitadas, ou seja, num período inferior a 24 horas”, afirma o juiz Marcos Terêncio, que atribui essa agilidade à automatização do serviço integrado com os órgãos que solicitam a medida.

“A Polícia Civil encaminha para a gente e já cai direto na área de trabalho para todos os magistrados. Todos estão comprometidos com isso. Não sai da unidade sem checar se não chegou nenhuma medida. E o mais bacana: o aplicativo SOS Mulher, quando é deferido, já é liberado de forma automatizada”.

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Autor: Celly Silva

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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