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Expedição Araguaia-Xingu aporta na maior ilha fluvial do mundo para auxiliar comunidades indígenas

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A Expedição Araguaia-Xingu continua levando dignidade às comunidades indígenas e não indígenas da região que dá nome à comitiva. A 4ª Edição da carreata da esperança chegou às margens do Rio Araguaia, divisa de Mato Grosso com o Tocantins, no município de São Félix do Araguaia, na noite segunda-feira (14 de novembro).
 
O primeiro dia de atendimento no município chamou a atenção pela grande participação da comunidade. Durante a terça-feira, diversas filas se formaram em busca de doações e atendimentos para serviços de Justiça, saúde e cidadania, levados à população em situação de vulnerabilidade social pela equipe da Justiça Comunitária, parceiros e voluntários.
 
Projeto Amigos da Natureza Quelônios do Araguaia – Na tarde de terça-feira a expedição Araguaia-Xingu acompanhou uma das etapas do processo de repovoamento de tartarugas, realizado pelo projeto ‘Amigos da Natureza – Quelônios do Araguaia’, coordenado pelo biólogo Assis Araguaia.
 
A ação consiste no manejo dos ovos de tartaruga das margens do Rio Araguaia para um berçário de areia, longe de predadores naturais e da ação humana. Após o nascimento, as pequenas tartarugas são transferidas para tanques, até que atinjam a idade e proteção necessária para serem devolvidas posteriormente à natureza, em locais seguros, onde há abrigo, esconderijo e alimentação.
 
O biólogo Assis Araguaia explica que, se o processo não for realizado, o índice de sobrevivência na natureza das tartarugas fica em torno de apenas 2% a 4%. Com o recolhimento dos ovos e incubação (em torno de 45 a 60 dias), realização do manejo e a posterior soltura dos filhotes, sem os riscos de predadores, o índice sobe para incríveis 60%.
 
Nos últimos anos, a ação ambiental devolveu cerca de dez mil filhotes de quelônios das espécies tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) e tracajá (Pdocnemis unifilis) às margens do Rio Araguaia (e em lagos próximos ao município).
 
O projeto conta atualmente com o apoio da Prefeitura Municipal e da Polícia Militar. Com a visita da Expedição Araguaia-Xingu, a ideia é que a ação de conservação passe a contar também com o suporte do Juizado Volante Ambiental de Mato Grosso (JUVAM/MT) e da Polícia Militar Ambiental.
 
Casamento Social – Ao final do primeiro dia de ações da 4ª Edição também foi realizado em São Félix do Araguaia o casamento social. Oito casais puderam oficializar a união e celebrar uma linda cerimônia graças à parceria entre a Expedição do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e o município.
 
Elizabeth Delgado da Silva foi uma das participantes do casamento social no município. Junto com o parceiro há onze meses, a aposentada de 62 anos conta que ficou internada e entubada na Unidade de Tratamento Itensivo (UTI) em 2021, por conta da Covid-19, e que achou que não sobreviveria à doença. Com a nova oportunidade de vida recebida, ela afirmou que não poderia perder o ‘presente divino’ de oficializar a união com o seu antigo amor.
 
“Eu estive no vale da morte. Fui para Água boa, fiquei entubada por nove dias e depois mais 45 dias internada na UTI, mas agora eu estou feliz porque encontrei o meu príncipe encantado e estou casando. Nosso namoro é da época de criança e agora nos reencontramos de novo. Nunca é tarde para ser feliz.”
 
Visita à Aldeia Santa Isabel do Morro (Hawaló) – Os mais de 1000 indígenas da etnia Iny Karajá receberam a visita da caravana do Poder Judiciário, capitaneada pela equipa da Justiça Comunitária, parceiros e voluntários.
 
Com uma multidão de crianças às margens do Araguaia, os indígenas festejaram a chegada da Expedição à Ilha do Bananal. Os ‘curumins’ trouxeram resíduos de materiais recicláveis como plásticos e metais e receberam da equipe da Expedição doces, alimentos, brinquedos e kits com livros e lápis coloridos. As mulheres indígenas receberam centenas de cestas básicas, roupas e calçados, enquanto os homens receberam roupas e sapatos.
 
O cacique da Aldeia Santa Isabel, Tuilá Silva Karajá, ressalta que é uma honra e uma alegria imensa receber o apoio da Expedição Araguaia-Xingu. “É muito bom ver as nossas crianças felizes recebendo presentes, tendo esperança, com essas muitas ações sendo realizadas dentro da aldeia durante os últimos anos. É muito importante essa conscientização ambiental, se vocês perceberem em relações a outros anos, já melhorou muito graças ao Poder Judiciário e a Prefeitura de São Félix do Araguaia.”
 
Ilha do Bananal – Com mais de 20 aldeias e cerca de cinco mil indígenas, de acordo com o cacique Tuilá, o local é a maior ilha fluvial do mundo, com aproximadamente 20 mil quilômetros quadrados. A ilha é habitada principalmente pelas etnias Karajá-Javaé, Avá-Canoeiro e Tapirapé, que ocupam a Terra Indígena Parque do Araguaia e a Terra Indígena Inãwébohona.
 
Parcerias – São parceiros da Expedição Araguaia-Xingu 2022: Governo do Estado de Mato Grosso; Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania de Mato Grosso (SETAS/MT); Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (SECEL/MT); Casa Civil de Mato Grosso; Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso (SECITEC/MT); Secretária de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT); Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso (SESP/MT); Secretária de Saúde de Cuiabá/MT; Juizado Volante Ambiental de Mato Grosso (JUVAM/MT); Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos de Mato Grosso (NUPEMEC/MT); Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); Receita Federal; Fundação Nacional do Índio (FUNAI); Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR/MT); Ministério Público de Mato Grosso; Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso; Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/MT); Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso; Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB/MT); Comando do 6º Distrito Naval – Marinha do Brasil; 13ª Brigada de Infantaria Motorizada – Exército Brasileiro; Energisa; Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (APROSOJA/MT); Grupo Bom Futuro; Instituto para o Desenvolvimento Econômico, Ambiental, Esportivo e Social de Mato Grosso (IDEAES/MT); Prefeitura de São José do Xingu/MT; Prefeitura de Santa Cruz do Xingu/MT; Prefeitura de Luciara/MT; Prefeitura de São Félix do Araguaia/MT; Prefeitura de Cocalinho/MT; Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (POLITEC/MT); Policia Militar do Estado de Mato Grosso; Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso; Polícia Judiciária Civil do Estado de Mato Grosso; Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (DETRAN/MT); Universidade do Estado de Mato Grosso – Campus de Luciara (UNEMAT); Comarca de Vila Rica; Comarca de Paranatinga; Comarca de Canarana; Comarca de São Félix do Araguaia; Comarca de Água Boa; Instituto Galvan; Prefeitura de Canarana/MT; Proteção e Defesa Civil de Mato Grosso; Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região – (TRT/MT); Comarca de Porto Alegre do Norte; Studio Z Calçados; Voluntários. 
 

#Paratodosverem 

Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. 

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Primeira imagem: fotografia registrando uma multidão de pessoas na margem do rio, onde está atracada a embarcação da expedição Araguaia-Xingu. Segunda imagem: fotografia mostrando uma mão segunda um filhote de tartaruga. Terceira Imagem: fotografia da cerimônia de casamento. Um casal entra na igreja, ladeado pelos convidados.

 
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Marco Cappelletti/ Fotos Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Palestra traz realidade de famílias atípicas e desafios para garantir direitos

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A advogada e presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Poxoréu (APAAP), Jennyfer Bathemarque, proferiu palestra com o tema “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, no primeiro dia do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direito das Pessoas com Deficiência”, na manhã desta quarta-feira (15), no Fórum de Cuiabá. O evento conta com transmissão ao vivo e pode ser conferido no canal TJMT Eventos No YouTube.
Ela iniciou sua fala destacando que a judicialização é apenas mais um passo na vida das famílias atípicas, que enfrentam diversos percalços até chegar ao ponto de recorrer ao Judiciário para garantir direitos básicos, como acesso à saúde e educação por crianças com algum tipo de deficiência.
Compartilhando a realidade do município onde vive – Poxoréu (251 km a leste de Cuiabá), com pouco mais de 23 mil habitantes, Jennyfer Bathemarque exemplificou a situação de diversas famílias que carecem até mesmo de informação para lidar com o fato de ter um membro com algum tipo de deficiência intelectual ou mental, pois muitas delas reagem com vergonha e reclusão dos ambientes sociais.
“São grupos historicamente vulnerabilizados. Antigamente, esses grupos eram levados aos manicômios, eram tratados como pessoas à margem da sociedade. E ainda hoje existem famílias que têm esse estigma, que têm dificuldade em lidar”, disse, defendendo que a família não pode ter medo de exigir direitos porque eles são garantidos por lei. “Exigir um direito não é excesso, é exercício de cidadania”.
Dirigindo-se aos operadores do Direito, público contemplado no primeiro dia de programação do TJMT Inclusivo, a palestrante, que é mãe atípica e já precisou recorrer ao Judiciário para garantir tratamentos ao filho pequeno, ressaltou a importância da atuação profissional humanizada.
“Quando falamos de leis, estamos falando de pessoas. Então, quando falamos de direitos, falamos de direitos de pessoas. Quando falamos de processo judicial, falamos de pessoas. Embora, quando olhamos para o processo, nós vejamos números, documentos, por trás daquele processo há pessoas que precisam de resposta, que necessitam de algo. Então, todas as vezes que falarmos sobre inclusão, LBI, Lei Maria Berenice Piana, devemos pensar em pessoas. Quando pensamos em pessoas, tudo fica mais fácil porque você começa a se colocar no lugar”, afirmou Jennyfer.
A advogada pontuou como um dos motivos para a falta de concretização de diretos básicos das pessoas deficientes a falta de dados estatísticos oficiais mais detalhados sobre essa população. “A ideia é fazer a distinção para melhor destinar os recursos públicos”, afirmou. Ao final, ela apontou a judicialização como consequência. “O Judiciário vira porta de entrada para direitos básicos. Aquilo que o Estado deveria dar conta, o Judiciário está tendo que dar conta”, resumiu.
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TJMT Inclusivo – O primeiro dia de programação da capacitação contou com uma programação especialmente voltada aos operadores do Direito, como magistrados (as), promotores (as) de justiça, defensores públicos (as), advogados (as) e servidores (as), com palestras que buscam promover a reflexão sobre como a Justiça pode melhorar a vida das pessoas com deficiência, de que forma as decisões judiciais estão atendendo às demandas dessa população, gerando impactos práticos na efetivação de direitos básicos, como saúde e educação.
O evento é coordenado pela Comissão de Acessibilidade e Inclusão do TJMT, em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), Escola dos Servidores, Prefeitura de Cuiabá e Igreja Lagoinha.
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Autor: Celly Silva

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Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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