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Treze operações da Polícia Civil marcam ano de combate ao tráfico doméstico e interestadual

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Doze grandes operações marcaram o ano de 2022 nos trabalhos conduzidos pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Civil de Mato Grosso e resultaram na desarticulação de diferentes frentes do comércio de entorpecentes, entre eles, o tráfico doméstico ou tráfico de varejo, realizado em “bocas de fumo” instaladas em bairros, assim como o combate ao crime organizado voltado ao tráfico de drogas e na distribuição de cargas de entorpecentes em todo país.

A delegada titular da DRE, Juliana Chiquito Palhares, explica que tanto o combate ao comércio de drogas em pequenas quantidades quanto o tráfico que movimenta grandes quantidades entorpecentes, que são distribuídos não apenas em Mato Grosso, como em outros estados do país têm igual importância, uma vez que geralmente desencadeiam em outros crimes como furtos, roubos, tortura, homicídios, e lavagem de dinheiro.

As ações desencadeadas pela DRE contemplaram desde o enfrentamento à criminalidade local em operações realizadas na região metropolitana, como as Operações Impetus Centro, Impetus Várzea Grande e a Operação Tiradentes (esta última realizada em parceria com a Polícia Penal), além de ações com alvo no combate à  criminalidade organizada como a operação PC Impacto de abrangência estadual.

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Outro foco da especializada foram as operações realizadas em parceria com Polícias Civis de outros estados do País, que demonstraram a força da DRE no combate ao tráfico de drogas, não só em Mato Grosso, mas desarticulando o comércio de entorpecentes em todo o país. Como exemplos estão a Operação Sistema deflagrada em apoio à Polícia Civil do Distrito Federal; Operação Dourados, realizada em parceria com Mato Grosso do Sul e que resultou na apreensão de grande quantidade de entorpecentes; Operação Ikuia, deflagrada em parceria com a Polícia Civil de São Paulo e Operação Smurfing desencadeada em apoio à Polícia Civil de Pernambuco. 

Drogas sintéticas 

Outro ponto de destaque no ano da DRE foram as ações com foco no tráfico de drogas sintéticas, demonstradas em três operações realizadas pela especializada durante o ano, Operação After, Operação Doce Amargo e Operação Doce Onda. Em uma dessas operações, a especializada desarticulou uma associação criminosa que utilizava uma “doceria”, como empresa de fachada para o comércio de entorpecentes. 

Juliana destaca que 2022 foi um ano de muitos desafios para equipe da DRE, mas que devido à dedicação e empenho de todos os servidores, foi possível chegar a números significativos com diversas prisões, mandados cumpridos e desarticulação de várias frentes de atuação do tráfico de drogas. 

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Sobre os planos para o próximo ano, a estratégia é continuar atuando com a parceria com as Polícias Civis de outros estados do país, assim como em ações integradas com outras Forças de Segurança, como Polícia Militar, Polícia Penal, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, garantindo o uso de todo aparato policial do Estado no combate ao tráfico. 

“Foi um ano desafiador, de muito trabalho e empenho, mas que resultou em muito sucesso e vitórias no enfrentamento ao tráfico de entorpecentes. Em 2023, as ações continuam da mesma forma e já estamos com trabalhos engatilhados para o 1º semestre do ano, atuando com a dedicação e compromisso com a sociedade em continuar fortemente no combate desse mal tão grande, que é o tráfico de drogas”, disse a delegada titular da unidade, Juliana Chiquito. 

Fonte: PJC MT

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Polícia Civil leva debate sobre bullying, ciberbullying e radicalização misógina às escolas de Cuiabá

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A violência contra a mulher não começa com um feminicídio. Ela nasce silenciosa, muitas vezes nos corredores das escolas, nas salas de bate-papo de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e nos discursos de ódio que se infiltram como verdadeiros “coaches” da masculinidade tóxica.

Para enfrentar essa realidade, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e dos projetos sociais intensificou palestras nas unidades de ensino, lança um olhar atento e preventivo sobre o fenômeno da intimidação sistemática (bullying), do ciberbullying e da radicalização online em perfis da manosfera e machosfera.

A ação, que integra a campanha de prevenção à violência virtual nas escolas da capital, leva às salas de aula um diálogo franco e desarmado com alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo não é apenas punir, mas impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeira de mau gosto” é algo natural ou inofensivo.

“Não é brincadeira”: Investigador alerta para os crimes por trás da tela

Palestrante frequente nas ações da Polícia Civil em Cuiabá, o investigador Ademar Torres de Almeida, tem se dedicado a levar às escolas uma mensagem clara: o bullying e o ciberbullying são violações graves, com consequências jurídicas e emocionais reais. Em suas apresentações, ele utiliza recursos audiovisuais e exposição dialogada para mostrar como apelidos, xingamentos repetitivos, exclusão social e humilhações digitais não se trata de “mera diversão”.

“Precisamos desmontar essa ideia de que colocar apelido ofensivo, isolar o colega ou espalhar um boato é brincadeira. Isso é violência. E quando essa violência ganha as redes ou os chats dos jogos online, ela se multiplica. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, e os adolescentes precisam saber que responderão por atos infracionais por essas condutas”, alerta o investigador.

Segundo Ademar Torres, um dos pontos mais críticos observados nos diálogos com os jovens é a adesão velada a discursos de ódio contra meninas e mulheres, propagados em comunidades como a manosfera – um ecossistema digital misógino – e seu núcleo mais radical, a machosfera. Termos como Incel, Redpill, Blackpill e MGTOW (Homens Seguindo seu Próprio Caminho) têm sido identificados por pesquisas como mecanismos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.

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“Quando um aluno começa a reproduzir frases de ódio contra as colegas, a defender que ‘mulher merece sofrer’ ou a consumir conteúdos de influenciadores que pregam a dominação masculina, isso é um sinal de alerta. Estamos falando de um processo de radicalização que começa online e pode terminar em violência real. A escola é o lugar ideal para interromper esse ciclo”, explicou o investigador.

Psicóloga reforça: parceria com a Polícia Civil transforma a escola

A atuação da Polícia Civil nas escolas não acontece de forma isolada. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Cuiabá, a psicóloga Renata, da equipe psicossocial da unidade, tem acompanhado de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Para ela, a presença da Polícia Civil no ambiente escolar é fundamental para desmistificar o tema e dar segurança jurídica e emocional a alunos e educadores.

“A expressão ‘bullying’ é usada para qualificar comportamentos agressivos no ambiente escolar, praticados de forma intencional e repetitiva, deixando a vítima impossibilitada de se defender. Mas, na prática, muitas crianças e adolescentes não sabem identificar quando estão sendo vítimas ou, pior, quando estão sendo agressores. O trabalho da Polícia Civil, com uma linguagem acessível e exemplos concretos, ajuda a desnaturalizar essa violência. Eles explicam desde o bullying físico até o cyberbullying, incluindo a falsificação de fotos, a disseminação de boatos e a violação de intimidade”, detalha a psicóloga.

Renata destaca que um dos maiores ganhos dessa parceria é a prevenção baseada no diálogo e no acolhimento, e não apenas na repressão. “Quando o investigador entra na sala e fala sobre como os jogos online podem se tornar espaços tóxicos, ou como um comentário misógino em uma rede social não é ‘só uma opinião’, os alunos se sentem provocados a refletir. A escola sozinha não dá conta desse fenômeno digital. Precisamos do Estado, da segurança pública, atuando de forma coordenada. A Polícia Civil tem sido essencial nesse sentido”, afirmou.

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O que diz a lei e o papel da escola

O coordenador da Polícia Comunitária, delegado Mario Dermeval, ressalta que as ações da Polícia Civil nas escolas de Cuiabá estão amparadas em um robusto arcabouço legal. A Lei Estadual nº 9.724/2012 determina a inclusão de medidas de conscientização e combate ao bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso. Já a Lei Federal nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar as escolas a promoverem ações de prevenção à violência e cultura de paz.

De acordo com o material utilizado nas palestras, as formas mais comuns de bullying vão além do físico e incluem o bullying psicológico (amedrontar, perseguir), moral (difamar, caluniar), verbal (insultos, apelidos humilhantes), sexual (assediar), social (isolar, excluir), material (furtar ou destruir pertences) e o virtual ou cyberbullying (humilhações online, invasão de perfis, envio de mensagens ofensivas).

Prevenção como projeto de Estado

Segundo o gerente de Polícia Comunitária, investigador Nilton César Cardoso, as ações da Polícia Civil na capital têm por referência os projetos sociais de prevenção e o Programa Escola Segura que visa a prevenção eficaz aliada a educação transformadora, integrada no território escolar. Ao final das palestras, fica a mensagem central: os algoritmos das redes sociais e os chats dos jogos online não podem ditar o que é certo ou errado. A responsabilidade é coletiva. Como bem sintetizou o Investigador.

Serviço

Escolas públicas e privadas de Cuiabá que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying, prevenção à violência virtual e enfrentamento à radicalização misógina podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações são gratuitas e voltadas a alunos do ensino fundamental e médio.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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