Os examinadores de testes práticos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT) vão receber gratificação por horas trabalhadas de forma voluntária fora do horário normal de expediente ou das escalas de serviço regular, para ampliar o horário de atendimento à população. A concessão do benefício foi normatizada em portaria publicada no Diário Oficial nessa segunda-feira (07.08).
A gratificação com valores entre 8% e 25% do valor do exame será destinada exclusivamente ao desempenho da função de examinador de trânsito em banca fora do horário normal de expediente ou das escalas de serviço regular, bem como para os feriados e fins de semana, conforme a necessidade do Detran-MT.
Além disso, a gratificação será concedida por meio de critérios de produtividade, de acordo com quantidade total de exames aplicados pelo examinador ao final do mês.
Para o presidente do Detran-MT, Gustavo Vasconcelos, o pagamento da gratificação por atividade voluntária da banca examinadora é uma grande conquista da atual gestão que vai possibilitar o aumento da oferta de vagas para provas práticas em todo o Estado, o que dará mais agilidade ao processo de habilitação que necessite de exame prático.
“Uma das prioridades da gestão é dar celeridade na realização dos exames para a obtenção da primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O pagamento da gratificação vai fortalecer o processo de ampliação das bancas fixas nos municípios com Ciretrans instaladas e, consequentemente, teremos o aumento na nossa capacidade de aplicação das provas práticas de direção”, afirmou.
Bancas examinadoras
No início da atual gestão, em 2019, o Detran contava com apenas quatro bancas fixas, em Cuiabá, Sinop, Barra do Garças e Rondonópolis, com 50 examinadores que atendiam Cuiabá, Várzea Grande e outros 115 municípios do interior do Estado.
Atualmente, após a realização de cursos de capacitação de servidores pela Escola Pública de Trânsito, o Detran aumentou para 40 o número de bancas examinadoras (fixas) com 320 servidores capacitados para aplicar os exames práticos de direção em Mato Grosso, descentralizando o serviço e dando maior autonomia aos municípios do interior.
“A meta é chegar em 52 Ciretrans com bancas fixas de examinadores ainda este ano”, destacou o diretor de Habilitação e Veículos do Detran-MT, Alessandro de Andrade. Segundo ele, para ampliar ainda mais o serviço, a Escola Pública de Trânsito vai ofertar este ano curso de atualização dos servidores na função de examinador e, em seguida, serão realizados cursos de instrutor e examinador de trânsito.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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