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Poder Judiciário cria Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar para Colíder

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O Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher), o município de Colíder (631 km de Cuiabá) e mais 17 entidades firmaram Termo de Cooperação Técnica para criar e implantar a Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar no município. A solenidade foi realizada na manhã de quarta-feira (29 de agosto), no Fórum da Comarca de Colíder, com a presença de autoridades locais do Poder Executivo e Judiciário. À tarde, teve início a capacitação de 80 pessoas que atuarão na Rede. O curso termina na tarde desta sexta-feira (30).
 
A Rede de Enfrentamento é composta por várias instituições públicas, privadas e da sociedade civil, que devem atuar de forma integrada para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra mulheres. O Poder Judiciário é uma delas e tem como dever garantir o cumprimento das leis e a proteção dos direitos das vítimas, por meio da 3ª Vara de Colíder, que tem como titular a juíza Paula Tathiana Pinheiro.
 
A magistrada explicou que a ideia é justamente aproximar todos os atores e fortalecer a Rede, porque antes cada um fazia sua ação isoladamente. No Fórum, por exemplo, já são realizados os Círculos de Construção de Paz com as vítimas de violência doméstica e já existem encaminhamentos para a realização dos Círculos Reflexivos para que os agressores possam participar e refletir sobre suas ações e não voltem a praticar violência.
 
“Todas as pessoas procuradas aceitaram fazer parte da Rede. Com a implementação formal e o compromisso público, a questão se torna de política pública, para atender o interesse das vítimas porque, infelizmente, a incidência de processos de violência doméstica em Colíder é grande”, afirmou a juíza.
 
A assessora técnica multidisciplinar da Cemulher, Ana Emília Sotero, que representou a coordenadora da Cemulher, desembargadora Maria Aparecida Ribeiro, disse que a Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica é um trabalho de suma importância. Uma conscientização da necessidade do trabalho em rede nas Comarcas para o enfrentamento da violência doméstica e familiar.
 
“Esta é uma grande preocupação da desembargadora Maria Aparecida, que nos recomendou que fizéssemos essa ação nas 79 Comarcas do Estado. Quando começamos este trabalho, em marco de 2022, existiam seis Redes criadas e implementadas. Agora, com o município de Colíder, chegamos a 24 Redes”, celebrou a assessora.
 
O Termo de Cooperação descreve as atribuições e obrigações de cada cooperante e cita que o projeto inicial da Rede constitui mecanismo de orientação e diretriz das atividades a serem desenvolvidas. Os Grupos de Trabalho, constituídos por representantes das instituições, deverão se reunir mensalmente.
 
O prefeito de Colíder, Hemerson Lourenço Máximo, conhecido como Maninho, convocou os servidores (as) das Secretarias de Assistência Social, Saúde e Educação, além do CREAS (Centro de Referência Especializado em Assistência Social) e o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e Conselho Municipal da Mulher para que participassem da capacitação oferecida pela Cemulher, do Poder Judiciário. Ele também parabenizou a iniciativa da juíza Paula Tathiana Pinheiro, o Poder Judiciário e a Cemulher pelo projeto da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar. Falou também sobre a participação de sua gestão frente à prefeitura de Colíder.
 
“Nosso município fez esse compromisso, que agora é uma política pública. Fico feliz e honrado por firmar esse Termo. Fizemos a convocação para que nossos servidores (as), que trabalham de fato no atendimento às pessoas, participassem do treinamento para prestar um atendimento de qualidade e contribuir para baixar o índice de crimes contra a mulher. Quem ganha é a sociedade de Colíder, nessa união de esforços em prol dessa causa nobre de preservar a vida e o direito das mulheres, que infelizmente, sofrem violência de bandidos”, afirmou o prefeito Maninho.
 
Participam do Termo de Cooperação de Colíder: município de Colíder; Cemulher; 3ª Vara da Comarca de Colíder; 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Colíder; Defensoria Pública Estadual (Núcleo de Colíder); Delegacia de Polícia Civil de Colíder; 31ª Companhia Independente da Polícia Militar de Colíder; Comissão dos Direitos Humanos da Mulher da 11ª subseção da OAB de Colíder; Câmara Municipal; Secretaria Municipal de Assistência Social; Secretaria Municipal de Saúde; Secretaria Municipal de Educação; Secretaria Municipal de Cultura; Conselho Municipal da Mulher; Conselho Tutelar; Conselho de Segurança Pública de Colíder; Conselho da Comunidade; Corpo de Bombeiros Militar e Guarda Municipal.
 
Capacitação – A capacitação é ministrada pela assessora técnica multidisciplinar da Cemulher, Ana Emília Sotero, aos componentes da Rede e servidores (as) do Executivo Municipal (Secretarias de Saúde, Assistência Social e Educação), do Sistema de Segurança (Polícias Militar e Civil), advogados (as) e servidores (as).
 
Dentre os temas estão: A evolução dos direitos das mulheres; surgimentos e objetivos da Lei Maria da Penha; Trabalho em Rede; Escuta e atendimento humanizado; comunicação não-verbal, escuta especializada no atendimento em Rede e como atividade prática, será elaborado o fluxograma de atendimento da Rede local.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: a imagem panorâmica mostra todos os representantes das instituições e entidades que assinaram o Termo de Cooperação, em pé, um ao lado do outro, olhando para a câmera e sorrindo. São 28 pessoas, homens e mulheres. Eles estão no plenário do Fórum de Colíder. Foto 2: a imagem panorâmica mostra o plenário do Fórum lotado com os participantes da capacitação para os componentes da Rede. A foto mostra os alunos de costas e a orientadora de frente, em pé, falando ao microfone. Atrás dela está uma parede branca com uma imagem de projetor. Não é possível ler o que está escrito.
 
Marcia Marafon 
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Audiência pública reúne centenas de pessoas para discutir lei de combate ao crime organizado

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Foto horizontal em plano aberto que mostra a plateia lotada no auditório do Tribunal de Justiça. A audiência pública “A Lei do Combate ao Crime Organizado no Brasil e os impactos no sistema de justiça criminal: desafios e oportunidades” atraiu mais de 200 pessoas, na tarde desta sexta-feira (12), no auditório do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), para debater a Lei nº 15.358/2026 e seus reflexos no sistema de justiça criminal. A nova lei, que desde 24 de março instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil, tipifica os crimes de domínio social estruturado e de favorecimento ao domínio social estruturado, altera o Código Penal e o Código de Processo Penal brasileiros, bem como legislações correlatas.

O evento foi promovido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ), em parceria com o Ministério Público do Estado (MPE), a Polícia Judiciária Civil (PJC) e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT). Houve transmissão ao vivo por meio do canal TJMT Eventos no YouTube.

Foto horizontal que mostra o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim, falando ao microfone. Ele é um senhor de pele branca, cabelos e barba brancos, usando terno cor creme e gravata marrom. Ao fundo, um telão com as informações da audiência pública.A abertura da audiência contou com pronunciamento do presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, que apontou a sensibilidade e atualidade do tema. “O crime organizado mudou sua forma de agir. Alcança diferentes áreas da vida social e econômica e exige do Estado respostas firmes, preparadas e responsáveis”, destacou.

Ele ressaltou ainda a importância de refletir sobre investigações, responsabilização, garantias processuais e atuação integrada de todos os órgãos públicos, de forma equilibrada, séria e cuidadosa, por exemplo, com a qualidade da prova, com o uso correto dos instrumentos legais e, acima de tudo, com a preservação da confiança da sociedade na justiça. “O Poder Judiciário recebe esse debate com espírito de escuta e cooperação. A contribuição do Ministério Público, da polícia, da advocacia, da academia, da Defensoria e dos demais participantes é essencial para que possamos aprimorar práticas e construir respostas mais seguras”, declarou.

Foto horizontal que mostra o desembargador José Luiz Leite Lindote do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, de cabelos grisalhos, usando camisa branca, gravata rosa e terno azul marinho.O corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote, responsável pela audiência pública, ressaltou que a CGJ-MT decidiu promover o evento por compreender que o enfrentamento ao crime organizado exige diálogo permanente entre as instituições que integram o sistema de justiça criminal. “A recente Lei nº 15.358, conhecida como Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, trouxe novos instrumentos, novos conceitos e novos desafios para a investigação, o processamento e o julgamento de crimes. Diante dessas mudanças, é fundamental debater seus impactos e refletir sobre sua aplicação prática”.

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Segundo Lindote, a audiência pública é exemplo de uma atuação conjunta entre o Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia Judiciária Civil e a OAB-MT. “Essa integração institucional tem produzido resultados em Mato Grosso, a exemplo da articulação que possibilitou a realização do primeiro leilão de sucatas vinculadas à jurisdição criminal, que resultou na arrecadação de cerca de R$ 675 mil para os cofres públicos”, enfatizou, informando que o resultado foi fruto de evento anterior, o Recupera MT, no qual foi assinada a Resolução Conjunta nº 01/2025 com o Estado.

Foto horizontal que mostra o delegado de polícia Valter de Melo Fonseca Júnior do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, alto, de cabelo e barba pretos, usando camisa branca, gravata azul estampada e terno azul. Ao fundo, um telão com as informações da audiência pública.Representando a Secretaria de Estado de Segurança Pública, o delegado de polícia Valter de Melo Fonseca Júnior afirmou que a audiência pública é o momento oportuno para pensar no atual cenário nacional. “A sociedade tem exigido respostas do Estado e nós acreditamos, enquanto Segurança Pública, que a resposta se faz através da integração. Os desafios são grandes, a legislação nova. Tem vários conceitos que precisam ser interpretados, como o conceito de domínio social. São novas tipificações, novos processos e são temas que temos que enfrentar em conjunto”, disse, enaltecendo a iniciativa do Poder Judiciário.

Foto horizontal que mostra o promotor de justiça Renee do Ó do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, de cabelo preto, usando camisa branca, gravata e terno azul marinho e óculos de grau. Atrás dele é possível ver parte de um telão.O promotor de justiça Renee do Ó Souza pontuou que, em todo o país, o crime organizado está estabelecido e notabilizado pelo incremento do lucro e regido pela prática extremamente violenta, características que são o foco da nova lei, também conhecida como Pacote Anti-facção. “Este evento marca o pontapé do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria e da Advocacia, da Polícia Civil e de toda a população brasileira que se destina e que quer enfrentar adequadamente o crime organizado”, disse.

Foto horizontal que mostra o advogado Giovane Santin do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, de barba e cabelos castanhos claros, usando camisa branca, gravata púrpura e terno azul marinho e óculos de grau.Vice-presidente da OAB-MT, Giovane Santin classificou o debate como de grande importância não só para o Estado de Mato Grosso, mas para todo o país. “Um momento em que precisamos entender e enfrentar de fato todas as consequências geradas por esse fenômeno que conhecemos e chamamos vulgarmente de facções criminosas”, disse. O advogado agradeceu ao Poder Judiciário pela oportunidade de cada instituição envolvida expor seus entendimentos sobre o tema.

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Foto horizontal que mostra o defensor público Fernando Antunes Soubhia falando ao microfone. ele é um homem branco, calvo, usando camisa branca, gravata laranja, terno azul marinho e óculos de grau.O defensor público e diretor da Escola Superior da Defensoria Pública de Mato Grosso (DPE-MT), Fernando Antunes Soubhia fez uma crítica ao Pacote Anti-facção, afirmando que ele “repete a receita” que o Brasil testa pelo menos desde 1988 e que “fracassa” desde então. “Aumenta a pena, endurece regime, suprime o benefício. A gente fez isso em 90, como a lei dos crimes hediondos. Isso só fez aumentar a população carcerária, aumentar o contingente das facções, que agora se nacionalizaram e tornaram os seus métodos cada vez mais elaborados”, disse.

Ao apontar que “o cárcere historicamente é o maior centro de recrutamento das organizações criminosas”, Soubhia defendeu que este não seria o melhor método para lidar com o problema. Apontou ainda que “o sistema penal é seletivo e vai continuar sendo seletivo”, prendendo majoritariamente pessoas pretas, pobres e periféricas. “Infelizmente, mais uma vez, a resposta que o Estado dá à sua própria ausência nas comunidades vulnerabilizadas é o direito penal”, criticou. Por fim, o defensor público insistiu que segurança pública se constrói com o Estado presente no território, escola, saúde, trabalho e urbanização. “O que essa lei oferece, mais uma vez, é o Estado chegando com o fuzil e algema. Precisamos fazer melhor que isso”, asseverou.

Registro de presenças

Participaram da audiência pública o ouvidor-geral do Poder Judiciário, desembargador Rodrigo Curvo; o supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF-MT), desembargador Orlando Perri; os desembargadores Jorge Luiz Tadeu Rodrigues e Wesley Sanchez Lacerda; o juiz auxiliar da Presidência e secretário-geral do TJMT, Agamenon Alcântara Moreno Júnior; os juízes auxiliares da CGJ-MT João Filho de Almeida Portela, Jorge Alexandre Martins Ferreira e Myrian Pavan Schenkel; o delegado Cláudio Álvarez Santana, representando a Polícia Judiciária Civil; o coordenador da CGJ-MT, João Gualberto Neto, além de juízes e juízas, advogados e advogadas, assessores, estudantes de Direito, servidores e servidoras do Poder Judiciário, entre outros interessados no tema da audiência pública.

Autor: Celly Silva

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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