O autor de um homicídio ocorrido há quase cinco meses em Juína foi preso, na manhã desta terça-feira (10.09), por policiais da Delegacia do município. O investigado foi detido quando trabalhava em uma construção, no bairro Módulo 4.
O crime ocorreu no dia 13 de abril. Conforme a investigação, Cleiton Pereira Cavalheiro, de 30 anos, foi atingido por um disparo de arma de fogo quando estava em um bar, localizado na Avenida Brasília, em Juína.
De acordo com os relatos reunidos pela equipe de investigação, a ex-companheira de Cleiton e atual companheira do autor do homicídio agrediu a vítima com um capacete, motivo pelo qual ele deixou o local. Ao retornar ao bar, Cleiton foi novamente agredido, após ele tentar subir na motocicleta para ir embora.
Em depoimento, o autor do crime alegou que Cleiton pôs a mão na cintura no momento da briga com a ex-mulher. O investigado então sacou sua arma e atirou contra a vítima. Ele relatou ainda que a arma utilizada no crime é de sua propriedade, mas que não tem registro e teria perdido durante a fuga do local do crime.
Porém, de acordo com a investigação da Delegacia de Juína, a versão apresentada pelo autor do homicídio não condiz com a apuração. Nenhum dos envolvidos no fato apresentava lesões corporais. E a perícia apontou que o disparo foi feito a menos de um metro de distância da vítima, na altura do nariz, o que causou traumatismo craniano e morte imediata de Cleiton.
“Uma brutalidade sem qualquer sentido”, pontuou o delegado Ronaldo Binotti Filho .
Após o cumprimento do mandado de prisão, o autor será encaminhado ao Centro de Detenção de Juína, onde passará por audiência de custódia e ficará à disposição da Justiça.
O inquérito policial será finalizado e encaminhado ao Poder Judiciário.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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