O embaixador do Brasil em Abu Dhabi, Sidney Romeiro, destacou o grande potencial de Mato Grosso, enfatizando a segurança jurídica e o enorme potencial do Estado para o agronegócio.
A declaração foi feita durante reunião com o governador Mauro Mendes, em Abu Dhabi, nesta segunda-feira (04.11).
Sidney Romeiro destacou que os Emirados Árabes é um país vibrante e próspero, com uma população diversificada, e faz investimentos em áreas estratégicas.
“O país possui um modelo de nação desenvolvida, com apenas 20% da economia dependente do petróleo e investimentos em áreas cruciais para o futuro, como a inteligência artificial”, disse
O embaixador enfatizou a importância do Brasil para a segurança alimentar global e como Mato Grosso se destaca nesse cenário.
“Eles se preocupam muito com isso. E eu sempre digo a eles que o Brasil é uma federação, então há estados que não vão muito bem, mas há outros que estão de vento em popa, como é o caso de Mato Grosso: um estado forte, com segurança jurídica e um potencial enorme para o agronegócio’’, declarou.
Durante a reunião, o governador falou sobre o grande potencial do estado, especialmente na produção de biocombustíveis.
“Mato Grosso é um gigante do agronegócio brasileiro, e essa força se reflete em números expressivos. Em apenas seis anos, nos tornamos o segundo maior produtor de etanol em geral do país e o maior produtor de etanol de milho. Isso é um exemplo da força e da modernidade da nossa indústria”, relatou.
Mauro afirmou que Mato Grosso, além de ser um importante player comercial global, tem potencial para dobrar sua produção sem comprometer o meio ambiente.
“Nosso estado é líder no agronegócio, com produção robusta de carne, milho, soja, algodão, gergelim e etanol de milho. Nosso principal mercado é a China, e queremos ampliar nossa presença global. Podemos dobrar a produção sem desmatar, investindo em tecnologias como conversão de pastagens, genética, fertilizantes e irrigação”, explicou.
O governador ainda ressaltou que os robustos investimentos realizados nos últimos anos, alinhados a estratégias eficientes, têm sido fundamentais para o desenvolvimento do estado.
“Nós estamos investindo em infraestrutura e tecnologia para aumentar nossa produção e garantir a segurança alimentar. Já são mais de 6 mil km de novas estradas, e as duas maiores obras de infraestrutura do Brasil estão aqui: a ferrovia da Rumo e a BR-163, que o Governo de Mato Grosso assumiu para garantir a qualidade da obra. Como terceiro maior estado brasileiro em território, com três biomas e o segundo maior PIB do país, Mato Grosso é um exemplo de desenvolvimento com potencial para crescer ainda mais”, completou.
Também participaram da agenda a primeira-dama Virginia Mendes e o secretário de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, David Moura.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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