Tribunal de Justiça de MT

Projeto Nosso Judiciário encerra palestras de 2024 na Escola Estadual Juarez Rodrigues dos Anjos

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O projeto realizado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), ‘Nosso Judiciário’, que leva conhecimento sobre os direitos e deveres do cidadão para estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública e privada, realizou a última palestra de 2024, nessa terça-feira (26 de novembro), para mais de 200 estudantes do ensino fundamental da Escola Estadual Juarez Rodrigues dos Anjos, no bairro Osmar Cabral, Cuiabá.
 
A palestra ministrada pelo servidor do TJMT, Neifi Feguri, ensinou aos alunos sobre diversos assuntos e casos do cotidiano que acontecem dentro das escolas e na sociedade; cyberbullying, injúria racial, importunação sexual, omissão de socorro, direitos do consumidor, falsificação de documentos, tráfico de drogas e crimes ambientais.
 
A estudante Isabele Barros, do 7° ano, assistiu à palestra pela primeira vez e destacou que “é muito importante aprender desde cedo sobre como funciona a Justiça, quais são os nossos direitos. Tudo que aprendemos aqui vai ser importante para o nosso futuro”.
 
Os alunos receberam, gratuitamente, uma cartilha do TJMT. O exemplar, intitulado ‘Como funcionam os Juizados Especiais’, possui 15 páginas com texto e ilustração explicando os seguintes temas: O que é um Juizado Especial? Juizado Especial Cível, exemplos de causas nos Juizados Especiais Cíveis, como entrar com uma ação no Juizado Especial Cível?, etapas do processo, Juizado Especial Criminal e penas aplicadas pelos Juizados Especiais Criminais.
 
A diretora da Escola Estadual Juarez Rodrigues dos Anjos, Eliane Aparecida de Melo, destacou que a palestra que trata do tema “Justiça” dentro das escolas contribui com o processo de aprendizagem dos estudantes. “Essa palestra do judiciário que apresenta aos alunos os seus direitos e deveres é de grande importância, contribui com o processo de ensino, pois este tipo de conhecimento não faz parte da grande de disciplinas”.
 
Dados do Nosso Judiciário – Somente em 2024, o projeto “Nosso Judiciário” passou por 16 escolas, beneficiando cerca de 3 mil alunos com informações valiosas. Desde sua criação, em agosto de 2015, até novembro de 2024, o projeto alcançou um total de 146 escolas, impactando 33.404 estudantes com palestras sobre seus direitos e deveres na sociedade, além de esclarecer o papel do Poder Judiciário.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão de pessoas com deficiência visual. Descrição da imagem: Foto 1: Mostra uma turma de 200 alunos sentados na cadeira, dentro do refeitório da escola. Eles estão com uniforme de cor azul, e lendo a cartilha do projeto. Na frente deles está o palestrante. Ele é branco, cabelos pretos lisos, usa camisa branca e calça preta que está repassando os ensinamentos sobre o tem justiça.
 
 
Carlos Celestino
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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