AGRONEGÓCIO

Crise se aprofunda e Brasil já perde seis mercados para a carne de frango

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O Brasil, maior exportador mundial de carne de frango, enfrenta seu mais grave desafio sanitário. Desde a confirmação do primeiro caso do vírus de alta patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial brasileira (na sexta, 16) seis mercados suspenderam as compras do produto nacional: China, União Europeia, Argentina, Uruguai, Chile e, agora, México, que anunciou o bloqueio na noite de ontem, 17.

Em 2024, o México importou 212,5 mil toneladas de carne de frango brasileira, sendo o oitavo principal destino. Com o embargo, especialistas estimam prejuízo mensal que pode superar R$ 1 bilhão, se o ritmo de suspensão for mantido e o bloqueio perdurar.

A doença foi detectada no dia 12 de maio, após sintomas respiratórios e neurológicos em aves de uma granja localizada em Montenegro (RS), região metropolitana de Porto Alegre. Amostras foram encaminhadas ao Laboratório Federal de Diagnóstico Agropecuário, em Campinas (SP), e o diagnóstico foi confirmado no dia 16 pelo Ministério da Agricultura — e não no dia 17, como inicialmente divulgado por algumas fontes.

O foco atingiu dois galpões com mais de 17 mil aves matrizes. Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Sanidade Avícola, Amanda Kowalski, a mortalidade foi de 100% em um dos espaços e 85% no outro. A resposta sanitária foi imediata: isolamento da granja, eliminação dos animais, instalação de barreiras sanitárias e investigação epidemiológica em um raio de 10 quilômetros, abrangendo cerca de 500 propriedades rurais.

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A prefeitura de Montenegro decretou estado de emergência zoossanitária por 60 dias, medida que deve facilitar ações logísticas e administrativas de contenção.
Casos paralelos reforçam alerta

Também na região metropolitana de Porto Alegre, no município de Sapucaia do Sul, o vírus foi identificado em aves silvestres. No Zoológico local, 90 aves aquáticas — entre cisnes, patos e marrecos — morreram repentinamente, levando ao fechamento preventivo do parque. A origem e eventual conexão com o foco de Montenegro ainda estão sob investigação.

As suspensões comerciais seguiram o protocolo sanitário acordado entre países importadores e exportadores. Após o anúncio do caso no dia 16, China e União Europeia reagiram imediatamente, seguidas por Argentina, Uruguai, Chile e México.

Embora o protocolo preveja a suspensão temporária apenas para regiões afetadas, muitos países optam por uma interrupção total como medida de precaução. A Argentina, por exemplo, manteve as compras de genética avícola, mas apenas de compartimentos certificados.

De acordo com uma fonte da indústria ouvida pela reportagem, a estimativa é de que as exportações brasileiras sejam reduzidas em até 150 mil toneladas por mês, com perdas superiores a US$ 250 milhões — o equivalente a mais de R$ 1 bilhão mensais.

O Ministério da Agricultura, em nota oficial, reforçou que não há risco de transmissão da gripe aviária por meio do consumo de carne de frango ou ovos devidamente inspecionados. A informação é corroborada por entidades como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).

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Em relação à saúde humana, a médica infectologista Gisele Borba, especialista da Rede EBSERH, explica que o risco de infecção em humanos é baixo, mas a letalidade é elevada — superior a 50% nos casos conhecidos. As ocorrências mais frequentes envolvem profissionais em contato direto com aves infectadas.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, declarou que a entrada do vírus em uma granja comercial “era uma questão de tempo”, apesar dos rigorosos protocolos sanitários. “Nenhum país conseguiu impedir totalmente, e o Brasil segurou por muito mais tempo do que o esperado.”

A declaração é realista, mas também estratégica: o governo aposta na transparência e na rapidez da resposta sanitária como credenciais para reabrir os mercados suspensos nas próximas semanas. Nos bastidores, a diplomacia agropecuária já se movimenta para demonstrar controle do foco e garantir rastreabilidade dos produtos brasileiros.

A situação, embora crítica, ainda está circunscrita a um único foco comercial. A vigilância foi intensificada em todo o país, com reforço nas barreiras sanitárias, monitoramento de aves migratórias e ampliação da testagem. O Ministério da Agricultura deve apresentar, nos próximos dias, um plano emergencial de comunicação e transparência internacional, visando minimizar os danos econômicos e proteger a reputação do Brasil como fornecedor confiável.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

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Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

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Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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