AGRONEGÓCIO

Mesmo com tarifaço setor prevê recorde de exportações de carne bovina

Publicado em

Apesar da forte redução nas exportações de carne bovina brasileira aos Estados Unidos em junho, o setor pecuário mantém projeções otimistas para 2025. A expectativa é de que o país bata um novo recorde anual de embarques, impulsionado pela demanda firme de mercados asiáticos e do Oriente Médio, além da possibilidade de abertura de novos destinos.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, organizados pela indústria exportadora, os embarques para os EUA caíram cerca de 80% nos últimos três meses, saindo de um pico de 74 mil toneladas em abril para 31 mil toneladas em junho. A queda foi acelerada após o anúncio de uma tarifa extra de 50% imposta pelo governo americano à carne bovina brasileira.

Ainda assim, o saldo do primeiro semestre foi altamente positivo. Os Estados Unidos compraram quase o dobro da quantidade registrada no mesmo período do ano passado, o que mostra o interesse e a confiança no produto brasileiro. Agora, com o impacto das novas tarifas, a estratégia do setor se volta para a ampliação de mercados alternativos.

Leia Também:  Amaggi usa “Muvuca” para recuperar áreas degradadas

A China continua sendo o principal destino da proteína nacional, seguida por Emirados Árabes, Egito e Arábia Saudita. E o setor trabalha para avançar em países como Japão e Coreia do Sul, que exigem alto padrão sanitário e valorizam carnes premium — justamente onde o Brasil quer crescer.

No mercado interno, a pressão das exportações menores aos EUA e a entrada de animais confinados influenciaram na leve retração da arroba em São Paulo, negociada entre R$ 290 e R$ 295. No entanto, analistas avaliam que o cenário deve se estabilizar, com a indústria redirecionando cargas para outros mercados e aproveitando o câmbio favorável.

Com maior diversificação dos destinos, eficiência logística e crescimento da demanda global por proteínas, o Brasil segue fortalecido como um dos maiores fornecedores de carne bovina do mundo. Mesmo com o obstáculo pontual imposto pelos EUA, o setor se mostra resiliente, competitivo e preparado para conquistar novos recordes em 2025.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

Published

on

Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

Leia Também:  Exportações do agronegócio atingiram US$ 13,71 bilhões em setembro

O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

Leia Também:  Parlamentares pressionam novo ministro por soluções para o crédito

Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA