A Justiça Eleitoral de Mato Grosso realizou um mutirão de atendimento externo no Abrigo Sombra da Acácia, localizado na zona rural de Jaciara. A iniciativa garantiu que 25 idosos residentes na instituição pudessem atualizar sua situação eleitoral sem a necessidade de deslocamento até o cartório da 14ª Zona Eleitoral.
O atendimento foi viabilizado após pedido da coordenadora social do abrigo, Marizelda Marcidelli Lopes, que destacou as dificuldades de locomoção dos idosos, muitos deles acamados. O requerimento foi analisado e deferido pela juíza eleitoral Laura Dorilêo Cândido, com fundamento no Provimento CGE nº 3/2025 e na Resolução TSE nº 23.659/2021, que asseguram a acessibilidade e o atendimento inclusivo a pessoas com deficiência ou restrição de mobilidade.
O corregedor regional eleitoral em substituição, desembargador Lídio Modesto da Silva Filho, elogiou a iniciativa e ressaltou a importância do atendimento humanizado: “Ao levarmos o serviço público até aqueles que não conseguem chegar até nós, estamos concretizando os princípios da dignidade da pessoa humana, da acessibilidade e da cidadania. Este caso é um exemplo de como a Justiça Eleitoral pode e deve atuar de forma inclusiva”, afirmou.
Foram realizados 14 revisões, 3 alistamentos e 8 transferências eleitorais, totalizando 25 operações concluídas com êxito. O trabalho contou com a participação de servidores do cartório, que levaram os equipamentos até a instituição e garantiram a coleta biométrica dos eleitores.
O desembargador destacou ainda que a ação serve de referência para as demais zonas eleitorais do estado. “A atuação proativa do Juízo da 14ª Zona Eleitoral, sob a condução da juíza Laura Dorilêo Cândido e de sua equipe, demonstra sensibilidade e compromisso com a universalização do acesso ao cadastro eleitoral. É uma prática que merece ser replicada em Mato Grosso”, completou.
A medida, realizada nesta terça-feira (26.08), reforça o compromisso da Justiça Eleitoral com a inclusão social e com a garantia do pleno exercício dos direitos políticos de todos os cidadãos, especialmente daqueles em situação de vulnerabilidade.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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