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Com apoio da Justiça, moradora de São José do Couto reencontra sua identidade e autoestima

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Em meio à movimentação intensa de atendimentos no Distrito de São José do Couto, um sorriso tímido, mas cheio de significado, chamava a atenção. Era Lázara Rainha de França, paciente oncológica que, entre um atendimento e outro, decidiu aproveitar a oportunidade da 7ª Expedição Araguaia-Xingu para resolver algo que, para ela, significava muito mais do que burocracia: o resgate da própria identidade.

“Agora, Lázara Rainha de França. Eu era casada, agora estou desquitada. Meu nome era Lázara França Gomes, que agora passou para Rainha de França. Agora sou Rainha!”, disse, com alegria nos olhos.

O processo de atualização começou na Receita Federal, onde Lázara conseguiu alterar o nome nos registros oficiais. A partir dali, ela seguiu para outros atendimentos para atualizar os demais documentos pessoais.

“Agora tenho que trocar meus documentos, carteira, tudo. Faço tratamento de câncer em Goiânia, então preciso trocar a carteirinha, o título de eleitor, tudo precisa estar certo. Vim aproveitar essa ocasião maravilhosa de vocês. Que Deus abençoe”, completou.

Justiça perto do povo

Histórias como a de Lázara mostram a importância social da presença do Poder Judiciário e de seus parceiros em regiões de difícil acesso, levando dignidade, cidadania e esperança a quem mais precisa.

Para o juiz José Antonio Bezerra Filho, coordenador da Justiça Comunitária do TJMT e idealizador da Expedição, a iniciativa vai muito além da emissão de documentos.

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“Nosso propósito é trazer justiça, cidadania e inclusão social. Mostrar um Judiciário diferente, voltado a essa população que tanto é esquecida. Nosso desafio é sempre superar. E esse trabalho é a prova de que estamos no caminho certo”, afirmou o magistrado.

O atendimento da Receita Federal, um dos parceiros desta jornada, tem sido essencial para garantir que cidadãos como dona Lázara possam corrigir erros ou atualizar informações básicas de seus documentos.

Segundo o analista de seguro social Gonçalo Vasconcelos Duarte, os atendimentos de alteração e regularização de CPF estão entre os mais realizados.

“Um dos serviços mais procurados é a alteração de nome, seja de solteira para casada, ou de casada para solteira. Aqui também há muitos casos de erros em registros, como apóstrofos a mais ou a menos em nomes indígenas. A expedição nos permite levar esse atendimento onde o cidadão está e isso faz toda a diferença”, explicou.

A edição atual da Expedição Araguaia-Xingu tem se destacado justamente por alcançar comunidades isoladas, como São José do Couto, levando serviços que transformam vidas.

“Esse é o diferencial desta edição. Estamos atendendo distritos muito afastados, onde a população tem dificuldade de acesso a serviços básicos. Ver o brilho nos olhos de pessoas como a dona Lázara é o que dá sentido a tudo isso”, concluiu Gonçalo.

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Na primeira etapa, os atendimentos ocorrem de 3 a 10 de outubro no Distrito São José do Couto, localizado em Campinápolis, e no município de Bom Jesus do Araguaia. Em seguida, de 3 a 14 de novembro, as ações serão realizadas na Agrovila Jacaré Valente, em Confresa, no Distrito Espigão do Leste, em São Félix do Araguaia, e no Distrito de Veranópolis, também em Confresa.

Confira as fotos da Expedição no Flickr do TJMT

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Judiciário inicia a 7ª Expedição Araguaia-Xingu levando serviços ao distrito de São José do Couto

Autor: Vitória Maria Sena

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

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Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

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O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

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Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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