Tribunal de Justiça de MT

Círculos de paz nas escolas: educadora afirma que formação do TJMT é “fantástica e inovadora”

Publicado em

“Fantástica” e “inovadora”. Assim a psicóloga Diomara Aparecida Pereira Zambon, da Diretoria Regional de Educação de Cáceres, descreveu a experiência de participar da formação em Justiça Restaurativa realizada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur).

Integrante do grupo de 125 profissionais da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) que receberam a capacitação, ela afirma que o curso representou um processo profundo de transformação pessoal e profissional.

“É realmente um encontro com o nosso eu. Ele é transformador. Tanto eu quanto a minha equipe estamos saindo energizados, confiantes e empoderados, cientes das diferenças que vamos conseguir proporcionar no nosso espaço e na nossa comunidade. Estamos levando um caminhão de novidades”, relatou.

Caminho para relações saudáveis

A presidente do Nugjur, desembargadora Clarice Claudino da Silva, ressaltou que a capacitação oferecida pelo TJMT promove alívio das tensões no ambiente escolar e fortalece vínculos essenciais para uma convivência saudável.

“Essas práticas tendem a aliviar pressões normais do trabalho e nos ensinam a enxergar uns aos outros de forma mais autêntica, fraterna e empática. Isso efetivamente melhora o ambiente escolar”, destacou.

A desembargadora relembra que investir na cultura de paz não é mero idealismo, pois se trata de uma estratégia concreta, com resultados já observados em diversas instituições.

Escuta, fala e transformação

A formação oferecida pelo TJMT teve como eixo central os círculos de construção de paz, considerados ferramentas fundamentais para prevenção e mediação de conflitos no ambiente escolar.

Leia Também:  Comarca de Porto dos Gaúchos está sem acesso à internet

Para Diomara Zambon, a Justiça Restaurativa devolve ao educador um elemento essencial: a escuta qualificada.

“Não tem como trabalhar a questão da violência na educação se não recebemos informação. O círculo dá oportunidade da fala, do conhecer e do entender, e é isso que traz a mudança”, afirmou.

Ela reforça que se trata de um trabalho essencialmente preventivo. “Precisamos desse encontro para adquirir conhecimento e, a partir dele, proporcionar transformação”, concluiu.

Multiplicar a cultura da paz

Grupo de nove pessoas (três homens e seis mulheres) em pé, lado a lado, sorrindo e segurando certificados de um seminário. Bandeiras estão visíveis no canto esquerdo.

A capacitação, realizada ao longo de três dias intensos, reuniu professores, psicólogos e gestores da rede estadual. O grupo recebeu formação teórica e prática.

Os profissionais formados passam agora a integrar um movimento de expansão da cultura de paz dentro das escolas estaduais, atuando como facilitadores e multiplicadores das práticas aprendidas.

A formação antecedeu ao Seminário “Justiça Restaurativa na Educação e na Ambiência Institucional”, que reuniu magistrados, servidores, educadores e gestores para aprofundar o debate sobre ambientes escolares mais humanos, seguros e colaborativos.

Leia mais:

Professores certificados em Círculos de Construção de Paz reforçam ambiente escolar mais humanizado

Formação em Justiça Restaurativa transforma ambientes escolares e fortalece cultura de paz em MT

Professor mediador relata mudança após capacitação no TJMT: “Foi regenerador”

Com novos facilitadores, Justiça Restaurativa deve irradiar benefícios para além do ambiente escolar

Justiça Restaurativa transforma escolas, diz líder de mediação escolar da Seduc

Leia Também:  Judicialização das questões ambientais abre segundo dia de debates no TJMT

Instrutores de círculos de maior complexidade recebem homenagem no Seminário de Justiça Restaurativa

Desembargadora Clarice defende Comunicação Não Violenta como caminho para a harmonia nas escolas

TJMT certifica educadores e reforça parceria com Seduc na construção de uma cultura de paz

Círculos de Paz fortalecem aprendizagem e desenvolvimento humano nas escolas

Práticas restaurativas transformam escolas e clima escolar, afirma consultora das Nações Unidas

“Sabemos o que podemos significar na vida de tantas pessoas”, reflete desembargadora em seminário

Justiça Restaurativa é ferramenta transformadora para alunos e professores, aponta especialista

Seminário sobre Justiça Restaurativa destaca papel da educação na construção da cultura de paz

Justiça Restaurativa: 1º dia do Seminário termina com reflexão sobre protagonismo dos servidores

Gestão inteligente impulsiona expansão da Justiça Restaurativa no TJMT

Com mais de 1.650 atendimentos, projeto fortalece acolhimento aos servidores do TJMT

Desembargadora Clarice destaca a Justiça Restaurativa na transformação da ambiência institucional

Servidores da Paz recebem certificação e reforçam compromisso com a Justiça Restaurativa no TJMT

Cultura de paz e liderança restaurativa marcam segundo painel do Seminário de Justiça Restaurativa

Em abertura de seminário, desembargadora Clarice Claudino convida para “jornada de reconexão”

Autor: Vitória Maria Sena

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

Published

on

Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

Leia Também:  Comarca de Campinápolis terá expediente suspenso nesta sexta-feira

O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

Leia Também:  Justiça mantém prisão de acusado de integrar organização criminosa que aplicava golpes em idosos

Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA