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Recursos de transações penais viram apoio ao acolhimento de crianças e adolescente

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A Associação Cultural Cena Onze ganhou um reforço financeiro importante para seguir acolhendo crianças e adolescentes sem referência familiar em Cuiabá. A associação está entre as beneficiadas com parte dos R$ 720 mil oriundos de transações penais destinados pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) a instituições de acolhimento e assistência social.
O recurso foi arrecadado por meio de transações penais coordenadas pelo Juizado Especial Criminal de Cuiabá (Jecrim) e transferido para dez instituições sociais selecionadas pelo Edital nº 01/2025. Para a Cena Onze será um reforço a um trabalho construído com afeto e persistência.
“Agradeço muito à juíza Maria Rosi e ao promotor André Luiz de Almeida, que são pessoas abnegadas. O que nos motiva a continuar são iniciativas como essa, vinda de pessoas que compreendem a necessidade desse trabalho. Acredito que cada um de nós tem alguma missão para cumprir no planeta”, relata o representante da associação, Flávio Ferreira.
A história da Associação Cultural Cena Onze começou há 36 anos, com o teatro, e hoje evolui para muito além dos palcos. O que nasceu como um grupo cultural se transformou em uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OCIP) e, a partir dos anos 2000, passou a atuar diretamente com adolescentes em situação de vulnerabilidade.
A instituição mantém dois abrigos, Casa da Criança e Nosso Lar, que, além da estrutura física, oferecem cuidado diário e pertencimento a bebês de 0 a 1 ano e adolescentes de 12 a 17 anos. Segundo Flávio, o apoio do Poder Judiciário de Mato Grosso sempre esteve presente na trajetória da entidade.
“O apoio do Tribunal de Justiça para nós é muito importante. Primeiro, que essas crianças e adolescentes são encaminhadas pela Vara da Infância e Juventude, com o excelente trabalho da juíza Gleide Bispo. E agora, esse apoio, que vem também com recursos, é fundamental para o suporte ao nosso trabalho”, explica.
De acordo com Flávio, o valor chega em um momento sensível. Apesar da dedicação diária para manter o funcionamento, a instituição enfrenta dificuldades para cobrir todas as despesas dos abrigos. A prioridade na aplicação do montante será o cuidado com quem está acostumado a cuidar.
“O recurso vai ser aplicado principalmente em relação aos trabalhadores e trabalhadoras. O nosso trabalho, da direção do Cena Onze, é voluntário. Mas essas pessoas abrem mão de suas famílias para cuidar das nossas crianças e adolescentes. Elas fazem o trabalho efetivo, são funcionários com carteira assinada, e precisam desse pagamento”, argumenta.
Para Flávio, a destinação de valores provenientes de transações penais para projetos sociais representa o melhor sentido da Justiça. “É transformar conflitos, que poderiam demandar muito tempo de trabalho, de oneração para os cofres públicos, em amor, ajudando de certa forma a construir um país melhor”, enfatiza.

Autor: Bruno Vicente

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Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

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Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

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O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

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Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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