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Juíza debate implantação da Família Acolhedora em reunião na Assistência Social de Cuiabá

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A juíza da 1ª Vara da Infância e Juventude de Cuiabá, Gleide Bispo dos Santos, participou de reunião realizada na tarde de terça-feira (27), na Secretaria Municipal de Assistência Social, para tratar da regulamentação da lei municipal que instituiu o Programa Família Acolhedora na Capital. O encontro reuniu representantes do Conselho Tutelar, das secretarias municipais de Educação e Saúde, da Procuradoria do Município e profissionais que atuam na rede de proteção à infância e juventude.

Com mais de 12 anos de experiência na área da infância e juventude, a magistrada apresentou aos participantes a evolução do acolhimento institucional em Cuiabá e destacou a qualidade do trabalho desenvolvido pelas casas lares existentes no município.

Atualmente, cerca de 150 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade estão acolhidos em oito casas lares na Capital. Esse modelo foi implantado para substituir os antigos abrigos e funciona em residências localizadas em bairros de Cuiabá, geralmente casas amplas alugadas, com capacidade para acolher até 12 pessoas por unidade. Segundo a juíza, as casas lares oferecem todo o amparo material necessário e prestam um serviço de excelência, sendo consideradas entre as melhores do Brasil, mas ainda não são suficientes para atender à demanda.

A magistrada ressaltou que, apesar da estrutura adequada, o maior desejo das crianças é o retorno ao convívio familiar. “Crianças afastadas de sua família de origem passam a conviver com pessoas, regras e rotinas diferentes, o que não é fácil”, explicou. Nesse contexto, destacou que a implantação do Programa Família Acolhedora não extingue as casas lares, mas atua de forma complementar.

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“O desafio é proteger as crianças com o menor impacto possível. As casas lares cumprem um papel fundamental, mas não conseguem oferecer um ambiente tão acolhedor quanto o de uma família”, afirmou a juíza, enfatizando a importância do trabalho conjunto entre Poder Judiciário, Prefeitura e Ministério Público para o sucesso do programa.

A juíza também ressaltou o papel das equipes técnicas, responsáveis pela avaliação, acompanhamento e realização de visitas às famílias acolhedoras. Segundo ela, a experiência prática demonstra que o acolhimento familiar é mais indicado, em regra, para crianças com mais de oito anos. “Crianças menores ainda não estão preparadas para compreender que estão indo para uma família por um período determinado”, pontuou.

A secretária municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, Helida Vilela, afirmou que a prioridade do município é desenvolver ações voltadas à primeira infância e garantir um acolhimento mais humanizado. De acordo com ela, a proposta é proporcionar proteção com o menor impacto emocional possível para as crianças e adolescentes. A previsão é iniciar o Programa Família Acolhedora ainda este ano, com o cadastramento inicial de 37 famílias.

Durante a reunião, a psicóloga da Secretaria Municipal de Assistência Social, Cristiane Semensato, destacou que algumas famílias demonstram receio em participar do programa por medo de criar vínculos afetivos e sofrer no momento do desligamento da criança. Ela explicou que o vínculo seguro é essencial para a recuperação da autoestima e da saúde emocional da criança ou adolescente. “Sem vínculo afetivo, não há acolhimento efetivo nem desenvolvimento saudável”, afirmou.

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O Programa Família Acolhedora é uma modalidade de acolhimento temporário em que crianças e adolescentes são encaminhados para famílias previamente selecionadas e capacitadas. Cada família será avaliada pelo Poder Judiciário, com parecer do Ministério Público. A legislação estabelece que a família acolhedora não poderá adotar a criança acolhida, caso ela venha a ser disponibilizada para adoção.

Conforme a Lei Municipal nº 7.289/2025, que instituiu o Programa Família Acolhedora em Cuiabá, o período máximo de permanência da criança ou adolescente com a família acolhedora é de até 18 meses, devendo, após esse prazo, ocorrer o retorno à família de origem ou o encaminhamento para adoção.

A gestão do serviço é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão (SMSocial), em articulação com os integrantes do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente, incluindo o Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Conselhos Tutelares, Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente e demais órgãos municipais.

Autor: Assessoria de Comunicação

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: CGJ-MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Complexo dos Juizados Especiais passa a contar com espaço colaborativo para juízes leigos em Cuiabá

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Os Juizados Especiais passaram a contar com um espaço colaborativo destinado aos juízes leigos no Complexo dos Juizados Especiais Desembargador José Silvério Gomes, em Cuiabá. A iniciativa foi apresentada durante a abertura da programação da III Semana Nacional dos Juizados Especiais (SNJE) e busca oferecer estrutura adequada para o desenvolvimento das atividades desses profissionais que auxiliam magistrados na prestação jurisdicional.

Os juízes leigos atuam na elaboração de minutas de sentenças, votos e decisões, contribuindo para a celeridade processual nos Juizados Especiais.

A juíza leiga da Turma Recursal, Nabila Gunsch, que exerce a função há um ano e meio, avalia que o novo ambiente atende uma necessidade da categoria. “A maioria dos juízes leigos trabalha em casa e, muitas vezes, enfrenta situações como queda de energia, problemas de internet ou outras dificuldades. Ter essa sala toda equipada é uma vitória. Agora temos um local adequado para continuar trabalhando e cumprir nossas metas”, afirmou. Ela ainda destacou que a iniciativa fortalece o vínculo dos profissionais com a instituição.

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“A criação deste espaço representa um reconhecimento à importância desse trabalho e uma forma de oferecer melhores condições para que esses profissionais desenvolvam suas atividades com conforto, integração e eficiência”, afirmou a diretora do Departamento de Apoio aos Juizados Especiais (Daje), Shusiene Tassinari Machado.

“O espaço foi estruturado para atender uma demanda dos juízes leigos, oferecendo um ambiente adequado para o desenvolvimento das atividades e garantindo suporte àqueles que eventualmente precisem trabalhar presencialmente no Complexo”, explicou a gestora-geral do Complexo dos Juizados Especiais de Cuiabá, Maria de Lourdes Duarte.

A sala está localizada no segundo andar do prédio do Complexo dos Juizados Especiais. Para utilizar o espaço, o juiz leigo deve procurar a administração da unidade e assinar um protocolo de entrada e saída.

O espaço fica disponível aos auxiliares da Justiça durante o expediente forense, de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h. Informações podem ser obtidas pelo telefone (65) 3648-6939.

Autor: Alcione dos Anjos

Fotografo: Lucas Coutinho

Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT

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Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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