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Corregedoria inicia ciclo de capacitações e treina servidores no Sistema Nacional de Gestão de Bens

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A Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT) em parceria com a Escola dos Servidores do Poder Judiciário deu iniciou, segunda-feira (23), a um ciclo de 10 capacitações virtuais sobre o Sistema Nacional de Gestão de Bens (SNGB). A expectativa é de que 300 servidores do Primeiro Grau, especialmente aqueles que atuam nas unidades Criminais e de Execução Penal, sejam treinados por meio da plataforma Microsoft Teams, como parte da estratégia de implementação e fortalecimento do sistema no âmbito do Judiciário estadual.

Promovida pelo gabinete do juiz auxiliar, João Filho de Almeida Portela, a iniciativa tem como objetivo orientar os servidores sobre o correto cadastramento no novo sistema de bens apreendidos ou judicializados (imóveis, veículos, valores) em processos cíveis, criminais e trabalhista, esclarecer quais itens devem ser inseridos, além de apresentar os atos normativos que regem a matéria e a rotina de atualização das informações.

Segundo o juiz auxiliar, João Filho de Almeida Portela, a capacitação ocorre em atendimento à solicitação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e visa garantir o efetivo cumprimento da Resolução CNJ nº 483, de 19 de dezembro de 2022, alterada pela Resolução CNJ nº 626/2025, que instituiu e reforçou a obrigatoriedade de utilização do Sistema Nacional de Gestão de Bens, especialmente na área criminal.

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“Em razão da complexidade do sistema, do volume de dados a serem geridos e da necessidade de padronização das rotinas, foi estruturado em parceria com a Escola dos Servidores a realização de 10 capacitações, com turmas de 30 servidores do Primeiro Grau. O objetivo é assegurar o domínio técnico e a adequada operação do sistema”, pontuou.

O magistrado destacou que o SNGB já reúne um volume expressivo de informações em nível nacional, com mais de 722 mil bens cadastrados, sendo que, em Mato Grosso, já ultrapassa 20 mil registros. “Qualificar o nosso trabalho e o tempo que destinamos ao cadastramento é fundamental para termos mais qualidade e melhor organização na gestão desses bens”, completou Portela.

Além do juiz auxiliar, a capacitação contou com o apoio da servidora Flávia Aparecida Queiroz Gomes, que atuou na orientação técnica e no esclarecimento de dúvidas sobre o funcionamento do sistema e das rotinas de alimentação de dados.

“O sistema tem aplicabilidade nas esferas cível, criminal e trabalhista e busca dar aos tribunais meios para identificar, sinalizar e pesquisar bens de forma mais efetiva. Não é incomum que o magistrado determine uma providência sobre o bem e, por isso, tudo o que ocorrer precisa ser registrado no sistema. Se uma droga foi destruída, é necessário dar baixa. Se um passaporte foi apreendido e depois devolvido, também precisa ser atualizado. O sistema permite, inclusive, gerar relatórios da unidade e verificar a situação de cada bem”, explicou a servidora.

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Sistema – O SNGB é uma solução tecnológica desenvolvida no âmbito do Programa Justiça 4.0 para aprimorar a política de gestão de bens judicializados, oferecendo maior controle da tramitação desses bens e evitando depreciações, perecimentos e extravios. A plataforma também permite a gestão de documentos e objetos sob a guarda do Poder Judiciário, com o registro completo da cadeia de custódia.

Em um único ambiente digital, os tribunais podem cadastrar bens, valores, documentos e objetos com restrição judicial, vinculá-los a pessoas e processos, além de registrar todas as movimentações temporárias ou definitivas, como alienação, devolução, perdimento ou destruição.

Cronograma – O ciclo de capacitações terá continuidade ao longo do primeiro semestre de 2026. Os próximos encontros estão agendados para 9 e 23 de março, 6 e 27 de abril, 11 e 25 de maio, 8 e 22 de junho, e o encerramento em 6 de julho.

Autor: Larissa Klein

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

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Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

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O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

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Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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