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Grupos femininos impulsionam nova fase da pesca esportiva em Mato Grosso

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O universo da pesca por muito tempo foi associado quase exclusivamente aos homens – cenário eternizado inclusive em músicas populares e no imaginário cultural. Esse perfil, porém, vem mudando nos últimos anos. Embora os homens ainda sejam maioria, cresce rapidamente a presença de famílias e, principalmente, de grupos formados apenas por mulheres que se organizam para pescar em rios de Mato Grosso.

Segundo o presidente da Associação Mato-grossense de Ecoturismo e Pesca Esportiva, Alisson Fagner Santos Trindade, também proprietário de duas pousadas de pesca na região de Chapada dos Guimarães, mulheres e famílias já representam cerca de 40% dos pescadores que buscam dias de pesca esportiva no Estado.

“As mulheres estão cada vez mais presentes. A gente vê grupos organizados alugando chalanas, participando de pescarias em diferentes bacias hidrográficas de Mato Grosso e também em barcos-hotéis”, afirma.

Esse movimento se reflete em diferentes destinos do Estado, onde grupos femininos têm ocupado cada vez mais espaço em roteiros de pesca esportiva, sejam em viagens curtas de fim de semana ou em pacotes mais longos organizados entre amigas.

Um exemplo é o grupo Linha Rosa, criado em janeiro pela empresária da construção civil Janaina da Silva Cabral, que começou a pescar há cerca de cinco anos, após ser convidada por uma amiga para conhecer a atividade.

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Desde então, a pescaria virou paixão. Em poucos meses, Janaína reuniu mulheres interessadas em compartilhar a experiência e já organizou algumas pescarias. A próxima está marcada para ocorrer de 17 a 20 de abril, quando levará 16 mulheres para uma pousada no distrito do Sucuri, em Cuiabá, para pescar espécies como dourado e jaú no Rio Cuiabá. O grupo reúne participantes de Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo.

“As mulheres estão pegando gosto. Muitas se emocionam, se curam nessas pescarias, elas relaxam, se realizam. É indescritível”, relata.

O entusiasmo já inspira novos planos. A empresária pretende organizar uma próxima pescaria feminina no rio Teles Pires, um dos destinos mais conhecidos da pesca esportiva na região norte do estado.

Curiosamente, o marido de Janaína não é pescador, mas apoia totalmente a iniciativa. Foi ele, inclusive, quem a incentivou a participar de eventos do setor, como a Pesca Trade Show, onde ela esteve no estande do Governo de Mato Grosso divulgando o grupo.

“Ele entende meu amor pela pescaria. Não há nada melhor do que uma mulher feliz”, diz.


A tendência acompanha um movimento internacional. De acordo com o presidente da Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva (Anepe), Marcos Glueck, as mulheres já representam cerca de 40% do mercado de pesca esportiva nos Estados Unidos, um público que começa a ganhar força também no Brasil.

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“Estamos vendo isso crescer aqui. As mulheres estão criando grupos de pesca e a pergunta que fica é: os destinos estão preparados para recebê-las? A pousada tem estrutura adequada, espelho de parede inteira, espaço para maquiagem? O nosso mercado precisa se adaptar”, afirma.

Segundo ele, o setor brasileiro mira justamente esse público internacional, especialmente o norte-americano, onde a participação feminina já é consolidada.

“Estamos olhando para esse mercado e caminhando nessa direção”, completa.

Para a secretária adjunta de Turismo de Mato Grosso, Maria Letícia Arruda, o crescimento da presença feminina reforça a diversificação do turismo de pesca no estado e abre novas oportunidades para o setor.

“Estamos observando uma mudança importante no perfil do turista de pesca. Cada vez mais mulheres e famílias estão descobrindo essa experiência, o que amplia o potencial do segmento e incentiva os destinos a se estruturarem melhor para receber diferentes públicos”, afirma.

Segundo ela, Mato Grosso tem vantagens competitivas importantes nesse cenário, com rios preservados, diversidade de espécies e uma rede crescente de pousadas e operadores especializados.

“O turismo de pesca em Mato Grosso é muito forte e esse movimento feminino mostra que o segmento está se renovando. As mulheres estão trazendo novos grupos, novos roteiros e ajudando a fortalecer ainda mais essa atividade no estado”, conclui.

Fonte: Governo MT – MT

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Com apoio da Fapemat, pesquisadores desenvolvem fertilizante sustentável a partir de cinza vegetal em Rondonópolis

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Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.

A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.

Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.

A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.

“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.

Mais de uma década de pesquisas

A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.

Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.

Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.

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Benefícios ambientais e econômicos

O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.

A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.

Reconhecimento científico

De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.

Fonte: Governo MT – MT

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