AGRONEGÓCIO

Expogrande movimenta R$ 400 milhões e reforça força do agro

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A 86ª Expogrande, realizada semana passada em Campo Grande, movimentou cerca de R$ 400 milhões em negócios e reafirmou o papel do evento como uma das principais plataformas do agronegócio no Centro-Oeste, em um cenário de maior seletividade no crédito.

Mesmo abaixo do recorde da edição anterior, o volume consolidado mostra a capacidade de reação do setor diante de um ambiente financeiro mais exigente. Ao longo da feira, produtores mantiveram investimentos em tecnologia, genética e melhoria de produtividade, com destaque para a presença de instituições financeiras e linhas de financiamento voltadas ao campo.

A Expogrande também evidenciou a transformação do agronegócio de Mato Grosso do Sul, que vem ampliando sua base produtiva para além da tradicional soja e pecuária de corte. Cadeias como suinocultura, avicultura, piscicultura e florestas plantadas ganharam espaço, refletindo um processo de diversificação que fortalece a economia estadual.

Dados apresentados durante o evento mostram a dimensão desse avanço. A suinocultura já supera 3,6 milhões de abates, enquanto a avicultura movimenta mais de 177 milhões de frangos por ano. A piscicultura, por sua vez, alcança cerca de 53 mil toneladas, consolidando-se como uma das apostas de crescimento.

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No campo agrícola, a soja segue como base, com produção em torno de 4,5 milhões de toneladas na safra atual, mantendo o peso do grão na geração de renda e na dinâmica econômica do estado.

Além dos números, a feira reforçou a integração entre produção, tecnologia e indústria. O ambiente de negócios reuniu produtores, empresas e investidores, consolidando a Expogrande como espaço estratégico para decisões de investimento e troca de conhecimento.

A agenda institucional também teve destaque. Após o encerramento da feira, o governador Eduardo Riedel manteve reuniões com lideranças do setor para discutir novas iniciativas e alinhar demandas voltadas à competitividade.

Entre os pontos tratados estiveram melhorias em infraestrutura, qualificação profissional e programas de incentivo à produção, com foco na ampliação da eficiência e na agregação de valor dentro do estado.

A leitura do setor é de que o agro sul-mato-grossense entrou em uma nova fase, marcada pela industrialização, diversificação e maior uso de tecnologia. Mesmo em um cenário de crédito mais restrito, o volume de negócios e o nível de investimentos observados durante a Expogrande indicam continuidade do crescimento.

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Ao final, a feira reforça a capacidade do produtor de se adaptar ao ambiente econômico e seguir investindo. Mais do que o volume financeiro, o evento consolida tendências que devem sustentar o avanço do agronegócio no estado nos próximos anos.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Fim da colheita aponta para recorde de 57,39 milhões de toneladas de milho

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Mato Grosso deve colher o recorde de 57,39 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26, crescimento de 3,53% em relação ao ciclo anterior. O volume equivale a cerca de 40% de toda a produção brasileira prevista para a temporada e confirma o estado como principal produtor nacional do cereal.

A nova estimativa foi divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), depois da consolidação da área cultivada por meio de dados de georreferenciamento. O levantamento identificou 7,43 milhões de hectares plantados, extensão 2,41% superior à da safra passada e 7,53% maior que a média dos últimos cinco anos.

Essa foi a segunda maior área já destinada ao milho em Mato Grosso, atrás apenas da registrada em 2022/23. Naquele ciclo, os preços mais favoráveis estimularam uma expansão maior do cultivo.

A produção, entretanto, será a maior da série histórica do instituto. O resultado supera em aproximadamente 1,96 milhão de toneladas o obtido na temporada anterior e fica 23,85%, ou cerca de 11 milhões de toneladas, acima da média das últimas cinco safras.

A produtividade foi estimada em 128,67 sacas por hectare, equivalente a aproximadamente 7,72 toneladas por hectare. O rendimento ficou praticamente estável em relação ao levantamento anterior, com pequeno ajuste de 0,02%.

Segundo o Imea, o desempenho foi favorecido pelas condições observadas durante o desenvolvimento das lavouras, principalmente pela distribuição das chuvas na maior parte das regiões produtoras. Mesmo em áreas plantadas fora da janela considerada ideal, o clima permitiu a manutenção de rendimentos elevados.

A revisão da produtividade também considerou os novos pesos regionais definidos após a consolidação da área. Isso significa que o instituto recalculou a participação de cada região na média estadual, com base na extensão efetivamente cultivada.

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O levantamento por georreferenciamento utiliza informações espaciais para identificar e medir as lavouras. O método permite aumentar a precisão da estimativa, especialmente em um estado com grandes áreas agrícolas e forte presença do sistema de produção que combina soja e milho na mesma temporada.

Até 31 de julho, a colheita havia alcançado 96,77% da área estimada, avanço de 6,11 pontos percentuais em uma semana. Os trabalhos estavam 0,39 ponto percentual à frente do ritmo observado no mesmo período da safra anterior.

As áreas ainda não colhidas estavam mais dispersas. Parte dos produtores aguardava uma redução adicional da umidade dos grãos, estratégia que facilita a armazenagem e pode diminuir as despesas com secagem.

A região Sudeste apresentava o menor avanço, com 85,61% da área colhida. Mesmo assim, registrou o maior crescimento semanal, de 18,02 pontos percentuais, depois que novas lavouras atingiram o ponto adequado para a retirada do cereal.

A dimensão da safra mato-grossense fica mais evidente quando comparada à produção nacional. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil colherá 141,73 milhões de toneladas de milho em 2025/26. Embora os dois levantamentos adotem metodologias próprias, o volume calculado pelo Imea para Mato Grosso corresponde a aproximadamente 40,5% desse total.

O milho nacional ocupa uma área estimada em 22,62 milhões de hectares. Isso significa que Mato Grosso concentra perto de um terço da área brasileira, mas entrega uma parcela superior da produção graças à escala e à produtividade de suas lavouras.

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O crescimento da oferta movimenta uma cadeia que vai além da propriedade. O cereal abastece as fábricas de ração, a produção de aves, suínos, bovinos e peixes, as usinas de etanol de milho e as empresas responsáveis pelo armazenamento, transporte e comercialização.

A expansão das usinas de etanol em Mato Grosso também criou uma alternativa de consumo próxima às regiões produtoras. Além do biocombustível, o processamento gera ingredientes utilizados na alimentação animal, aumentando a integração entre produção de grãos, pecuária e agroindústria.

Em junho, 51,41% da safra estadual já estava comercializada, segundo o Imea. O preço médio dos negócios realizados para o ciclo ficou em R$ 43,10 por saca, referência que varia conforme a região, o prazo de entrega, o custo do frete e as condições de armazenagem.

Com quase metade do volume ainda disponível naquele momento, a capacidade de guardar o milho e escolher o período de venda ganha importância. Produtores com acesso a armazéns próprios ou contratos de entrega conseguem reduzir a necessidade de comercializar uma parcela maior justamente durante o pico da colheita.

A safra recorde amplia a oferta para o mercado interno e para as vendas ao exterior, mas também exige mais silos, caminhões, ferrovias e capacidade industrial. O desafio agora é transformar as 57,39 milhões de toneladas em maior circulação de renda, agregação de valor e oportunidades para o produtor rural e para as demais atividades ligadas ao milho.

Fonte: Pensar Agro

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