AGRONEGÓCIO

Abrapa, Aprosoja, Ampa, Famato e CNA querem um “Fundo Garantidor” para custeio rural

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Cinco das principais organizações do setor agropecuário brasileiro encaminharam ao Governo Federal uma proposta para criar um Fundo Garantidor para operações de custeio rural. A iniciativa, assinada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Aprosoja Brasil, Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), busca facilitar o financiamento da safra, que está travado para muitos produtores, mesmo com dinheiro disponível para empréstimos.

O setor explica que a situação financeira está complicada. O lucro diminuiu, os custos subiram e os bancos estão mais rigorosos na hora de liberar empréstimos, exigindo garantias que muitos produtores não conseguem oferecer. Com isso, produtores que têm plena capacidade de produzir acabam ficando sem o crédito necessário para plantar a próxima safra.

A proposta técnica sugere uma solução em duas etapas. A medida emergencial consiste na criação de uma carteira segregada dentro do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI-PEAC), com aporte de R$ 8 bilhões do Tesouro Nacional. A estimativa das entidades é que esse mecanismo tenha potencial para alavancar até R$ 80 bilhões em crédito rural. O desenho do modelo preserva a análise de risco das instituições financeiras e prevê a participação dos produtores, que contribuiriam com 1% do valor de cada operação garantida, reforçando a solidez do fundo.

Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio

Para Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), a medida representa uma virada de chave estratégica para a sustentabilidade do setor: “Estamos diante de uma proposta que não busca o refinanciamento de passivos antigos ou a transferência integral do risco ao Estado, mas sim a criação de um ambiente de previsibilidade. O fundo permitirá que o produtor, que possui viabilidade técnica e econômica, consiga atravessar momentos de maior volatilidade do mercado sem descontinuar a sua produção”, pontua.

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O dirigente destaca ainda que o modelo proposto é um exercício de corresponsabilidade. “Não estamos propondo um subsídio puro e simples. Ao manter a análise de risco pelos bancos e exigir que o próprio setor contribua com 1% do valor da operação, garantimos que o fundo seja eficiente e focado em produtores que realmente possuem capacidade de pagamento, mas que foram momentaneamente travados por um ambiente de mercado excessivamente conservador”, completa.

Por fim, Rezende reforça a importância da visão de longo prazo contida no documento. “O objetivo central é institucionalizar o crédito rural. Ao propormos um fundo permanente a partir de 2027, queremos evitar que o setor fique refém de medidas paliativas a cada safra. Com essa estrutura, fortalecemos a segurança alimentar do país e damos ao produtor a tranquilidade necessária para investir em tecnologia e produtividade, sabendo que o financiamento será um pilar estável, e não uma incerteza”, conclui.

Além do caráter imediato, o documento propõe que o mecanismo evolua, a partir de 2027, para um Fundo Garantidor permanente. A estrutura, inspirada no modelo do Garantia-Safra, envolveria a União, os estados, municípios, bancos e o próprio setor produtivo.

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A expectativa das entidades é que essa governança reduza a dependência de medidas emergenciais e fomente o desenvolvimento regional, consolidando a estabilidade necessária para a segurança alimentar do país.

O Fundo Garantidor funciona como uma rede de segurança para as instituições financeiras. Quando um agricultor solicita crédito, o banco muitas vezes teme o risco de inadimplência. O fundo entra para reduzir esse medo: caso o produtor não consiga quitar o empréstimo, a garantia cobre parte do prejuízo, incentivando o banco a liberar o recurso. O aporte inicial para essa estrutura seria de R$ 8 bilhões do Tesouro Nacional, e para manter o fundo sustentável, cada produtor contribuiria com 1% sobre o valor de cada financiamento contratado.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Vacilos do Trump faz Brasil se aproximar da liderança mundial no agro

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A distância que durante décadas separou Brasil e Estados Unidos no comércio mundial do agronegócio praticamente desapareceu. Em 2025, os norte-americanos exportaram o equivalente a cerca de R$ 883 bilhões em produtos agrícolas, enquanto as vendas brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 871 bilhões. Uma diferença de apenas 1,4% entre dois países que começaram este século em posições muito distantes.

Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram mais do que uma aproximação circunstancial. Enquanto o Brasil ampliou produção, produtividade e presença em novos mercados, as exportações norte-americanas cresceram em ritmo bem menor e passaram a enfrentar dificuldades em destinos estratégicos.

Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou R$ 871 bilhões, considerando a conversão dos valores divulgados oficialmente. Foi o maior resultado da série histórica e representou crescimento de 3% sobre o ano anterior.

Os Estados Unidos encerraram o mesmo período com aproximadamente R$ 883 bilhões em exportações agrícolas.

A diferença de cerca de R$ 12 bilhões é pequena diante do tamanho do comércio dos dois países e mostra quanto a posição relativa mudou.

No início dos anos 2000, as exportações agrícolas americanas eram mais de duas vezes e meia superiores às brasileiras. Em apenas cinco anos, enquanto as vendas externas dos Estados Unidos cresceram aproximadamente 14%, as brasileiras avançaram 68%.

O movimento continua em 2026.

Entre janeiro e julho, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente R$ 533 bilhões, novo recorde para o período. Somente em julho foram cerca de R$ 84 bilhões, também a maior marca já registrada para o mês.

Parte da aproximação pode ser explicada por uma diferença estrutural entre os dois concorrentes.

Os Estados Unidos possuem uma fronteira agrícola praticamente consolidada e enfrentam limitações para aumentar significativamente sua área cultivada. Na pecuária bovina, o rebanho norte-americano está próximo dos menores níveis das últimas sete décadas, situação que reduziu a disponibilidade de animais e aumentou a necessidade de importação de carne.

O Brasil ainda possui maior capacidade de crescimento da produção, seja pela incorporação de áreas já abertas, seja principalmente pelo aumento da produtividade e pela possibilidade de realizar duas ou até três safras na mesma área durante o ano.

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Essa vantagem aparece com clareza na soja.

Brasil e Estados Unidos estão entre os grandes responsáveis pela oferta mundial da oleaginosa, mas o Brasil assumiu a liderança tanto na produção quanto nas exportações e passou a ocupar uma parcela crescente do mercado chinês.

A China é justamente onde a diferença entre os dois países se tornou mais evidente.

Em 2025, os chineses compraram aproximadamente R$ 285 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu sozinho por 32,7% de tudo o que o setor exportou.

No comércio agrícola norte-americano ocorreu o movimento contrário.

A China, que durante anos esteve entre os principais compradores dos Estados Unidos, caiu para a sexta posição entre os destinos do agro americano em 2025. As vendas recuaram 66% em apenas um ano, para aproximadamente R$ 43 bilhões.

O próprio USDA associa essa retração às tarifas recíprocas e à redução das compras chinesas de soja norte-americana.

A disputa comercial entre Washington e Pequim acelerou uma mudança que já vinha ocorrendo por razões produtivas. Diante das tarifas impostas aos produtos americanos, importadores chineses aumentaram a procura por fornecedores alternativos, e o Brasil estava em posição privilegiada para atender essa demanda.

O efeito ultrapassou a soja.

O Brasil ampliou participação internacional em carnes, algodão, milho e outros produtos agropecuários e passou a disputar mercados que historicamente tinham forte presença dos Estados Unidos.

Na carne bovina, a inversão é particularmente significativa. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, enquanto os Estados Unidos, pressionados pela redução de seu rebanho, aumentaram as importações para abastecer o próprio mercado.

Essa situação levou recentemente o governo norte-americano a ampliar em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que poderá entrar no país dentro da cota com tarifa reduzida até o fim deste ano, criando uma oportunidade adicional para fornecedores como o Brasil.

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A política comercial adotada pelo governo Donald Trump acrescentou uma nova variável a essa disputa.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos atingiram também produtos brasileiros e criaram dificuldades para cadeias que dependem mais diretamente daquele mercado. Café, carnes, suco de laranja e determinados produtos industrializados estão entre os segmentos mais expostos às decisões de Washington.

O efeito sobre o conjunto do agronegócio brasileiro, entretanto, é limitado pela diversificação dos destinos.

Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 59 bilhões em produtos do agro brasileiro, equivalentes a 6,7% das exportações do setor. A China comprou quase cinco vezes esse valor.

Essa diferença ajuda a explicar por que medidas comerciais americanas podem provocar impactos severos em determinadas cadeias sem necessariamente interromper o crescimento das exportações do agronegócio como um todo.

Também mostra por que a abertura de mercados passou a ter peso estratégico para o Brasil. Quanto maior o número de compradores disponíveis para carnes, grãos, fibras, café, frutas e produtos processados, menor a dependência de decisões comerciais tomadas por um único país.

Para o produtor rural, a aproximação dos Estados Unidos no ranking mundial não representa apenas uma disputa estatística. Mercados adicionais significam mais alternativas para escoar a produção e podem aumentar a concorrência entre compradores, especialmente nas cadeias em que o Brasil já possui grande excedente exportável.

Há, porém, um risco nessa trajetória. A crescente concentração das vendas brasileiras na China aumenta a exposição às decisões do país asiático. Quase um terço das receitas do agro brasileiro no exterior depende atualmente daquele mercado.

Por isso, o próximo passo da expansão brasileira passa não apenas por vender mais, mas por diversificar compradores e aumentar o valor agregado dos produtos exportados.

A distância para os Estados Unidos, de qualquer forma, nunca foi tão pequena. Depois de décadas perseguindo o maior exportador agrícola do mundo, o Brasil chega à segunda metade de 2026 em condições de disputar uma posição que, no início deste século, parecia muito distante.

Fonte: Pensar Agro

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