AGRONEGÓCIO

Aprosoja elege nova diretoria para biênio 2025/2027

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho de São Paulo (Aprosoja-SP) tem um novo presidente para o biênio 25/27: o produtor rural Andrey Rodrigues. Que assume a presidência em substituição a Azael Pizzolato, que comandou a associação por dois mandatos consecutivos. O vice-presidente eleito é Gustavo Chavaglia, primeiro presidente, por dois mandatos, e fundador da entidade em 2017.

Eleito por unanimidade, Andrey Rodrigues faz parte da gestão atual como 1º diretor financeiro da Aprosoja São Paulo. Ele desempenhou papel importante na transferência da sede da entidade para o município de Santa Cruz do Rio Pardo, importante polo produtor de grãos na região leste.

Entre as metas traçadas por Rodrigues está a ampliação da atuação da Aprosoja para municípios onde a entidade ainda não está presente. A ideia é unir forças com sindicatos rurais e outras instituições para levar apoio técnico, jurídico e financeiro diretamente ao produtor. “Queremos estar onde o agricultor mais precisa. Vamos trabalhar de forma próxima, prática e resolutiva”, afirma.

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Em seu discurso de posse, o novo presidente também fez um apelo aos governantes, pedindo mais atenção ao campo. “Tudo começa com uma semente. Cuidamos dela com dedicação, enfrentamos o clima, torcemos por boas colheitas. É preciso que os governos, em todas as esferas, olhem para o produtor com mais cuidado e respeito.”

Rodrigues encerrou sua mensagem com palavras de fé e esperança, tão presentes na vida do homem do campo. “Confiamos em dias melhores. Com trabalho, união e fé em Deus, vamos superar mais esse ciclo difícil. Contem conosco. Que cada plantio e cada colheita venha acompanhado de sabedoria e bênçãos.”

A nova diretoria da Aprosoja-SP já iniciou os trabalhos e promete uma atuação mais próxima das bases, ouvindo o produtor e lutando por políticas públicas que garantam segurança e valorização para o setor. A expectativa é que, com diálogo e representatividade, a entidade fortaleça ainda mais a voz do agricultor paulista.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Tarifaço vigora a partir de hoje e põe o agro no centro de disputa que vai além do comércio

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A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22.07) colocando cadeias do agronegócio no centro de uma disputa que começou longe das lavouras. Mais do que corrigir supostos desequilíbrios comerciais, a medida é utilizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como instrumento de pressão política sobre o Brasil, tendo como pano de fundo temas como regulação das plataformas digitais, sistemas de pagamento (o nosso Pix), propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.

A sobretaxa será cobrada dos importadores norte-americanos e se soma às tarifas que já incidiam sobre cada mercadoria. Na prática, o custo adicional pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, provocar o cancelamento de encomendas e pressionar empresas exportadoras a renegociar preços.

A investigação que deu origem à medida foi aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de adotar práticas que restringiriam o comércio, especialmente no ambiente digital.

O próprio documento que oficializou a tarifa, porém, deixa claro que a legislação permite atingir setores que não tenham relação direta com as práticas questionadas. A justificativa é que uma tarifa abrangente amplia o poder de negociação dos Estados Unidos e cria pressão para que o país investigado modifique suas políticas.

É nesse ponto que o agronegócio passa a funcionar como instrumento de barganha. Enquanto parte da investigação trata de plataformas digitais e meios de pagamento, segmentos como máquinas agrícolas, papel, açúcar e outros produtos agroindustriais ficaram sujeitos à cobrança. Pedidos para retirar esses setores da medida foram rejeitados, embora não haja relação direta entre a produção dessas mercadorias e as regras brasileiras para empresas de tecnologia.

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O etanol é a exceção mais evidente, porque aparece diretamente no contencioso comercial. Produtores norte-americanos alegam enfrentar dificuldades de acesso ao mercado brasileiro e pressionam pela redução das tarifas aplicadas pelo Brasil ao biocombustível importado. A sobretaxa sobre o produto brasileiro, portanto, também atende a interesses da indústria de etanol dos Estados Unidos.

O desenho das exceções mostra que Washington procurou preservar mercadorias consideradas necessárias à própria economia. Produtos que poderiam causar desabastecimento, pressionar a inflação ou que não são produzidos em quantidade suficiente pelos Estados Unidos foram poupados. Já cadeias nas quais há concorrência com produtores norte-americanos ou capacidade de exercer pressão sobre Brasília permaneceram expostas.

Para pesquisadores das áreas de comércio e regulação digital, as críticas às regras brasileiras para plataformas também revelam uma disputa por soberania regulatória. O governo norte-americano sustenta que decisões judiciais e novas obrigações impostas às empresas de tecnologia ameaçam a liberdade de expressão. Especialistas brasileiros contestam essa interpretação e afirmam que o país está estabelecendo responsabilidades semelhantes às já adotadas em outros mercados, especialmente na União Europeia.

Nessa leitura, os Estados Unidos procuram proteger empresas de tecnologia sediadas no país contra controles nacionais sobre conteúdo, concorrência, uso de dados e funcionamento dos algoritmos. O Brasil também seria estratégico por seu tamanho e pela influência que suas decisões regulatórias podem exercer sobre outros países da América Latina. Trata-se, contudo, de uma interpretação sobre os interesses envolvidos, e não da justificativa formal apresentada pelo USTR.

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Para o agro, a consequência mais imediata não é apenas a cobrança na alfândega. A redução das compras norte-americanas pode alcançar indústrias, usinas, fabricantes de máquinas e fornecedores de matérias-primas. Dependendo da duração da medida, o efeito poderá chegar ao produtor por meio de menor demanda, pressão sobre preços e adiamento de investimentos.

O governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e considera que temas internos, como decisões judiciais e regulação de empresas, não devem ser utilizados para impor sanções comerciais. As negociações continuam, mas Washington sinalizou que pretende manter a cobrança enquanto não houver mudanças nas políticas questionadas.

A entrada em vigor da tarifa, portanto, é apenas o começo do impasse. O que está em discussão não é somente quanto os Estados Unidos comprarão do Brasil, mas até que ponto o acesso ao maior mercado consumidor do mundo será usado para influenciar decisões regulatórias brasileiras. Nesse confronto, o agronegócio tornou-se um dos principais pontos de pressão — mesmo quando pouco tem a ver com a origem da disputa.

Fonte: Pensar Agro

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