AGRONEGÓCIO

BNDES anuncia injeção de R$ 2 bilhões na ferrovia entre Rondonópolis e Dom Aquino

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 2 bilhões para a empresa Rumo concluir os primeiros 162 km da Ferrovia Estadual de Mato Grosso (FMT), ligando Rondonópolis (215 km da capital, Cuiabá) ao terminal na BR-070, em Dom Aquino.

O recurso, via subscrição de debêntures – uma forma de financiamento onde o banco compra uma espécie de nota promissória da empresa -, deve acelerar obras. A previsão é de que devem ficar prontas no segundo semestre de 2026.

A ferrovia completa terá 743 km, divididos em cinco etapas, conectando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, com ramal para Cuiabá. O terminal de Dom Aquino, com 2 milhões de m², concentrará cargas rodoviárias para trem e escoará até 10 milhões de toneladas de grãos por ano — soja e milho principalmente.

A estimativa é de que o projeto gerar 114 mil empregos na construção e integra a malha da Rumo à Norte-Sul e EF-170, rumo a Santos e Miritituba. ​

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Mato Grosso fechou a safra passada com recorde de 101,58 milhões de toneladas de grãos e fibras, 9% acima do ciclo anterior, segundo a Conab. Soja somou 40,4 milhões de toneladas (12% do total brasileiro) e milho segunda safra chegou a 36,6 milhões.

MENOR CUSTO – O presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação de Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-NT), Isan Rezende (foto), avalia que ferrovia vá derrubar o preço do frete em 30%,

Hoje, 70% de nossa produção sai por rodovia, via BR-163 e BR-070. O frete até Santos custa R$ 250 por tonelada — R$ 98 só no trecho inicial de fazenda à ferrovia, quase 75% do custo total do modal misto, segundo dados do Instituto de Economia Agropecuária de Mato Grosso (Imea)”, lembra Isan.

“Além disso, buracos e filas geram 40% de quebra em cargas. Num carregamento de 40 toneladas de soja (carreta padrão), o produtor desembolsa R$ 3.200 extras. Um trem leva 2 mil toneladas por viagem (20 vagões), reduzindo consideravelmente os custos”, contabiliza o presidente da Feagro-MT.

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“A Ferrovia Estadual de Mato Grosso chega para resolver o calcanhar de Aquiles do agro brasileiro. Com projeções de 105 milhões de toneladas na safra 2025/26, esses trilhos vão devolver margem real ao produtor, transformando nosso Estado no coração logístico do país”, diz Rezende.

“O agro de MT ganha competitividade global enquanto preserva rodovias pro dia a dia. A FMT dá ao estado trilhos próprios pra escoar essa produção sem engarrafamento nas rodovias — menos diesel, menos perda e mais lucro na porteira”, completou Isan Rezende.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar

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A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.

Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.

A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.

Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.

Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.

Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.

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A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.

O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.

Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.

A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.

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Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.

A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.

A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.

Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.

Fonte: Pensar Agro

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