AGRONEGÓCIO

Boi gordo fecha janeiro em alta, mas poder de compra do pecuarista recua

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O mercado pecuário encerrou janeiro de 2026 com valorização do boi gordo nas principais praças do País, ao mesmo tempo em que o poder de compra do pecuarista apresentou deterioração, refletindo um cenário de custos elevados e oferta restrita de animais para reposição. Dados do mercado indicam que a arroba acumulou alta ao longo do mês, impulsionada por ajustes na oferta e pela demanda consistente, especialmente nos negócios voltados à exportação.

Nas praças paulistas de referência, o boi gordo terminou o último pregão de janeiro cotado em torno de R$ 326 por arroba para pagamento a prazo, avanço de aproximadamente 2,2% em relação ao início do mês. No comparativo diário, a valorização foi marginal, enquanto os animais com padrão voltado ao mercado externo atingiram patamares próximos de R$ 330 por arroba, com ganho mensal ligeiramente superior.

Apesar da alta pontual nas cotações nominais, o preço médio do boi destinado ao mercado interno registrou recuo em relação a dezembro. Considerando valores já descontados de impostos, a média ficou em torno de R$ 313 por arroba, queda próxima de 1% na comparação mensal e também inferior ao nível observado em janeiro do ano passado. O movimento evidencia que a recuperação das cotações não tem sido suficiente para recompor margens ao longo da cadeia.

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No segmento de reposição, o bezerro de desmame encerrou janeiro com preço médio ao redor de R$ 2,9 mil por cabeça em São Paulo. O valor representa estabilidade em relação ao mês anterior, mas um avanço expressivo na comparação anual, superior a 12%. Em termos nominais, trata-se de um dos níveis mais elevados registrados nos últimos anos, refletindo a menor oferta de animais jovens no mercado.

Essa combinação de boi gordo valorizado, mas bezerro ainda mais caro, resultou em perda de poder de compra para o pecuarista. Atualmente, a venda de um boi gordo padrão permite a aquisição de cerca de 1,55 cabeça de bezerro, volume inferior ao observado tanto no fim de 2025 quanto no início do ano passado. Trata-se do menor patamar desde o último trimestre de 2021, segundo séries históricas do setor.

Analistas avaliam que o cenário é pouco favorável, especialmente para o criador que atua na reposição e na recria. A expectativa para o curto e médio prazos é de manutenção desse quadro, com o poder de compra ainda pressionado ao longo de 2026, em função da oferta limitada de bezerros e da dificuldade de repasse de custos na cadeia pecuária.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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