AGRONEGÓCIO

Cuiabá sedia encontro sobre fertilizantes, agrominerais e mineração

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Começa nesta segunda-feira (1º.09), em Cuiabá (MT), um encontro que une dois eventos estratégicos: o Workshop Agrominerais e a Política de Fertilizantes do Brasil e o XVIII GEO Políticas. A proposta é aproximar agricultores, técnicos, pesquisadores e representantes do setor mineral para discutir soluções que fortaleçam a agricultura brasileira e, ao mesmo tempo, alinhem o país às metas de desenvolvimento sustentável.

Hoje e amanhã, a programação é dedicada ao tema dos fertilizantes. O Brasil, mesmo sendo um gigante agrícola, depende fortemente do mercado externo para abastecer suas lavouras. Em 2023, foram importadas cerca de 39 milhões de toneladas, equivalentes a 86% de todo o consumo nacional. A produção interna, pouco acima de 6 milhões de toneladas, cobre apenas uma fração da demanda.

Esse desequilíbrio gera custos altos: estima-se que até um terço do custo de produção da soja, milho e outras culturas esteja ligado à compra de fertilizantes. Além da conta pesada, há o risco da instabilidade internacional. O fornecimento de insumos está sujeito a variações de preço e a crises geopolíticas, como ficou claro durante a guerra no Leste Europeu.

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Nesse contexto, os agrominerais — ou “pó de rocha” — ganham espaço como alternativa estratégica. Ricos em nutrientes, eles podem melhorar a fertilidade do solo, reduzir a dependência externa e ainda contribuir para a recuperação ambiental. Pesquisas já apontam benefícios no aumento da produtividade e na resiliência das lavouras diante de variações climáticas. O workshop discute justamente como expandir o uso desses insumos e quais políticas públicas podem incentivar a produção nacional.

O terceiro dia do encontro amplia o debate para além do agro. O GEO Políticas coloca a mineração no centro das discussões sobre sustentabilidade e mostra sua relação com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. O setor mineral é vital não apenas para a produção agrícola, mas também para a transição energética, com minerais essenciais para baterias, painéis solares e turbinas eólicas.

As mesas-redondas discutem desde o papel das cooperativas até a necessidade de inovação tecnológica e responsabilidade socioambiental. A ideia é mostrar como o setor mineral pode contribuir com práticas ESG e preparar o Brasil para debates internacionais — especialmente a COP30, que será realizada no país em 2025.

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Com uma programação que inclui palestras, minicursos e até atividades em escolas, o evento busca unir ciência, tecnologia e prática no campo. O objetivo é claro: reduzir a dependência externa de fertilizantes, abrir espaço para soluções nacionais e fortalecer a imagem do Brasil como referência em agricultura sustentável e mineração responsável.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil

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Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.

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Fonte: Pensar Agro

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