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Expoagro Afubra começa nesta terça-feira em Rio Pardo

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A 24ª edição da Expoagro Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil) 2026, que começa nesta terça-feira (24.03) no Parque de Exposições da cidade de  Rio Pardo (150 km da capital, Porto Alegre), no Rio Grande do Sul, coloca no centro do debate um tema que deixou de ser conceito e virou prática diária no campo: a resiliência. Com mais de 500 expositores e entrada gratuita, a feira mira diretamente os desafios da agricultura familiar diante de um cenário de clima instável, custos elevados e necessidade crescente de adaptação tecnológica.

O evento ocorre em um momento sensível para o produtor do Sul do País, especialmente no Rio Grande do Sul, que nos últimos anos enfrentou uma sequência de estiagens severas intercaladas com eventos extremos, como enchentes e granizo. Esse ambiente elevou o risco da atividade e pressionou margens, exigindo mudanças no manejo, maior diversificação produtiva e investimentos em tecnologias de mitigação.

A proposta da feira é traduzir esse contexto em soluções práticas. A programação foi estruturada em quatro eixos — ambiental, tecnológico, econômico e social — que dialogam diretamente com o dia a dia do produtor. No campo ambiental, ganham espaço técnicas de conservação de solo e água, consideradas estratégicas para reduzir perdas em períodos de seca. Já no eixo tecnológico, a ênfase recai sobre máquinas, cultivares e ferramentas capazes de elevar produtividade e reduzir a exposição às intempéries.

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No aspecto econômico, o foco está na recomposição de renda. A feira amplia o espaço para agroindústrias, turismo rural e diversificação de atividades, caminhos cada vez mais utilizados por pequenos produtores para diluir riscos e melhorar o fluxo de caixa. A agricultura familiar, que responde por cerca de 70% dos alimentos consumidos no País, segundo dados oficiais, aparece como eixo central dessa estratégia.

Outro destaque é a valorização da inovação aplicada à realidade do campo. Iniciativas como o Prêmio Afubra/NIMEq e o espaço dedicado a startups mostram um movimento crescente de soluções desenvolvidas pelos próprios produtores ou adaptadas a partir de demandas locais — muitas vezes com custo mais baixo e maior aderência à prática agrícola.

A feira também reforça uma preocupação estrutural: a sucessão no campo. O eixo social da programação inclui ações voltadas à formação de jovens, empreendedorismo rural e integração entre escola e produção, tentativa de enfrentar um dos principais gargalos da agricultura familiar — a permanência das novas gerações na atividade.

Mais do que vitrine de produtos, a Expoagro Afubra se consolida como termômetro de um setor em transição. Diante de um ambiente mais volátil, produzir bem já não é suficiente. A capacidade de adaptação — seja ao clima, ao mercado ou à tecnologia — passa a definir quem permanece competitivo no campo.

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Fonte: Pensar Agro

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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

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A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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