AGRONEGÓCIO
Falta de infraestrutura da armazenamento traz sérios prejuízos aos produtores, alerta presidente do IA
Publicado em
21 de julho de 2023por
Da RedaçãoA combinação entre a supersafra de grãos no Brasil e a queda dos preços de soja e milho no mercado internacional nos últimos meses deve expor um problema crônico no Brasil: a falta de capacidade de armazenagem.
O País, principal produtor de grãos do mundo, enfrenta a difícil situação de não ter estrutura para estocar o que produz nem metade do que produz.
E a estimativa da Conab é de que o volume da produção brasileira de grãos atinja 317,6 milhões de toneladas, novo recorde na safra 2022/2023, um crescimento de 16,5% em relação a safra anterior. Com isso, o déficit de armazenagem de grãos ultrapassará 124 milhões de toneladas.
GOVERNO MANIFESTA PREOCUPAÇÃO VEJA AQUI
Isan Rezende, presidente do IA
Para o presidente do Instituto do Agronegócio, Isan Rezende, essa é uma situação insustentável e que piora a cada safra. “A cada recorde de safra capacidade de armazenamento fica ainda mais prejudicada. A falta de estrutura de armazenamento, além de comprometer a qualidade dos grãos, aumentar os riscos de perdas e prejudicar a comercialização, traz inúmeros prejuízos aos produtores, que se veem obrigados a vender seus produtos a preço de banana para evitar maiores prejuízos”.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) informou que nesse mês de julho a comercialização da soja ultrapassou 79% e 68,23% do milho da safra 2022/2023, novo recorde de exportação, segundo a Secretaria de Comercio Exterior (Secex).
Isan lembra que produção agrícola brasileira continua em expansão, mas a capacidade de armazenagem não, o que compromete a segurança alimentar do país. “Além disso, a rentabilidade dos produtores cai e compromete a competitividade no mercado internacional”, lembra o presidente do IA.
A situação serve como um alerta para a necessidade de planejamento e investimentos estratégicos no setor, a fim de evitar prejuízos e otimizar o potencial do agronegócio brasileiro.
Segundo a consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio, o prejuízo estimado chega a R$ 30,5 bilhões, só na safra 2022/2023 por falta de estrutura para processamento e armazenamento dos grãos.
Significa prejuízo ao governo, com perda no valor do Produto Interno Bruto (PIB) e na balança comercial, em decorrência de menor valor por tonelada exportado.
O prejuízo acumulado a cada safra, são indicadores suficientes para criação de linha de financiamento com juros subsidiados aos agricultores para construção de armazém, dentro da sua propriedade rural.
“Armazém significa garantia ao agricultor em comercializar a sua produção no momento adequado e dentro do seu planejamento”, afirma o presidente do IA.
“A capacidade de armazenagem é essencial para evitar prejuízos e assegurar a qualidade dos grãos, além de fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional”, complementa ele.
“Investimentos estratégicos nessa infraestrutura são fundamentais para acompanhar o crescimento da produção agrícola do país e promover a segurança alimentar”, conclui Isan Rezende.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Agro exporta R$ 45,6 bilhões e mantém 3º lugar no país
Published
17 horas agoon
2 de setembro de 2026By
Da Redação
O agronegócio de Minas Gerais movimentou R$ 45,6 bilhões em exportações no primeiro semestre de 2026 e manteve o Estado como o terceiro maior exportador do setor no país, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo. O resultado veio mesmo com uma queda de 9,6% na receita em relação ao mesmo período do ano passado, puxada principalmente pela redução dos embarques de café.
Entre janeiro e junho, Minas enviou 8,46 milhões de toneladas de produtos agropecuários para 166 países. O volume foi 3% menor que o registrado no primeiro semestre de 2025. Ainda assim, o Estado respondeu por 10,3% de tudo o que o agronegócio brasileiro vendeu ao exterior e o setor representou 40,9% da receita total das exportações mineiras.
Os números, levantados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG) a partir dos registros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram uma mudança importante dentro da pauta. O café continuou dominante, mas soja e carnes ganharam espaço e ajudaram a amortecer a retração do principal produto mineiro.
O café respondeu sozinho por R$ 22,9 bilhões, pouco mais da metade de toda a receita agropecuária obtida no exterior. Foram embarcadas aproximadamente 10,8 milhões de sacas de 60 quilos no semestre. A disponibilidade menor do produto reduziu os volumes, embora o preço médio de exportação tenha aumentado cerca de 4,2% em relação ao mesmo período de 2025.
A influência do café sobre os números mineiros é enorme. No primeiro trimestre, por exemplo, as exportações do produto haviam caído 31,5% em volume e 18,5% em receita. O recuo foi suficiente para puxar para baixo o resultado de todo o agronegócio estadual, mesmo enquanto outras cadeias registravam crescimento.
Isso ajuda a explicar uma aparente contradição: Minas continua entre os maiores exportadores agrícolas do Brasil, mas vendeu menos que no ano passado. Em 2025, o agronegócio mineiro havia alcançado o recorde de aproximadamente R$ 101 bilhões em vendas externas, resultado favorecido principalmente pela forte valorização internacional do café. A comparação de 2026, portanto, ocorre sobre uma base excepcionalmente elevada.
A soja foi uma das cadeias que impediram uma retração maior. O complexo formado por grão, farelo e óleo movimentou aproximadamente R$ 10,7 bilhões no primeiro semestre, com crescimento de cerca de 10% sobre 2025. O avanço também revela uma mudança na composição das vendas, com maior presença de farelo e óleo, produtos que passam por processamento antes de deixar o Estado.
As carnes apresentaram outro desempenho positivo. Os embarques de carne bovina, suína e de frango renderam aproximadamente R$ 4,8 bilhões, crescimento de 13,4% na comparação anual. O volume chegou a 247,3 mil toneladas, 3,7% acima do primeiro semestre do ano passado.
A diferença entre o crescimento da receita e o avanço do volume mostra que o valor médio das carnes exportadas aumentou. O movimento beneficia uma cadeia importante para Minas, que possui produção expressiva de bovinos, aves e suínos e uma estrutura industrial formada por frigoríficos, cooperativas e empresas de processamento.
O complexo sucroalcooleiro, formado principalmente por açúcar e etanol, gerou cerca de R$ 2,7 bilhões em exportações no semestre. Os produtos florestais, que incluem celulose, madeira e papel, ficaram próximos de R$ 2,6 bilhões.
Juntos, café, complexo soja, carnes, produtos sucroalcooleiros e produtos florestais concentraram mais de 96% das exportações do agronegócio mineiro. A pauta é concentrada em grandes cadeias, mas começa a apresentar nichos com maior grau de processamento e produtos ligados à tradição regional.
Minas também aparece entre os principais fornecedores brasileiros de produtos como mel, lácteos, sementes, batatas processadas e doce de leite. Embora movimentem valores menores, essas cadeias têm importância porque permitem a entrada de cooperativas e agroindústrias de menor porte em mercados internacionais.
A diversificação também aparece nos destinos. A China permaneceu como principal comprador do agronegócio mineiro, seguida por Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. A União Europeia tem peso especial para o café: no primeiro quadrimestre, aproximadamente 94% do valor comprado pelo bloco de Minas estava concentrado no produto.
O peso do campo vai além das exportações. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária mineira alcançou o recorde de R$ 167,8 bilhões em 2025. Para 2026, as projeções divulgadas ao longo do ano mantêm o faturamento próximo desse patamar, embora com comportamentos diferentes entre as cadeias.
As lavouras representam aproximadamente dois terços do VBP estadual e o café continua na liderança. Estimativas divulgadas pela Seapa indicavam faturamento superior a R$ 60 bilhões para a cultura em 2026. Soja, cana-de-açúcar e milho aparecem na sequência entre as principais atividades agrícolas.
Na pecuária, a carne bovina segue como principal componente do faturamento. A projeção divulgada neste ano apontava para cerca de R$ 20 bilhões, enquanto o leite, outra atividade tradicional de Minas, enfrentava cenário mais difícil, com queda de preços e pressão sobre a rentabilidade do produtor.
Esse conjunto mostra que o desempenho do agronegócio mineiro em 2026 não pode ser resumido apenas à queda das exportações. O Estado atravessa uma acomodação depois do recorde registrado no ano passado, enquanto algumas cadeias ganham espaço justamente no momento em que o café perde parte da força excepcional observada em 2025.
Para o produtor, essa diversificação reduz parcialmente a dependência de uma única commodity, mas não elimina os riscos. Café, soja, carnes e produtos florestais continuam fortemente expostos ao câmbio, aos preços internacionais, ao custo do crédito, às condições climáticas e às exigências dos mercados compradores.
Mesmo nesse ambiente, Minas chega à segunda metade de 2026 com o agronegócio respondendo por quatro de cada dez reais obtidos pelo Estado com exportações. Mais do que o valor absoluto dos R$ 45,6 bilhões, é essa participação, combinada à presença em 166 mercados e à expansão de cadeias além do café, que ajuda a explicar por que o campo permanece como uma das principais bases da economia mineira.
Fonte: Pensar Agro
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