AGRONEGÓCIO

Governo faz jogo de cena ao ameaçar reduzir tarifas de importação de alimentos

Publicado em

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion, classificou a proposta do governo federal de reduzir o Imposto de Importação de alimentos como uma medida “desesperada e mal pensada”. Segundo o líder do setor, a iniciativa não resolve os problemas estruturais da economia brasileira e apenas tenta induzir a população a acreditar que o governo está tomando ações concretas para baixar os preços dos produtos alimentícios.

Em sua declaração, o presidente da FPA destacou que a proposta do governo ignora os desafios econômicos mais amplos, como o controle da inflação, a instabilidade cambial e o aumento do gasto público. “Não existe desabastecimento, não há problemas de safra e muito menos sobrepreço nos produtos agropecuários brasileiros, que seguem os padrões mundiais. Anunciar que vai abrir importações é simplesmente jogo de cena demagógico para tentar enganar a população”, afirmou.

Na última semana, o governo federal tentou encontrar uma solução para o aumento dos preços dos alimentos, mas acabou esbarrando em falta de propostas viáveis. Após uma série de reuniões e debates, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, anunciou que o governo estaria considerando a redução do Imposto de Importação de alguns produtos alimentícios, com o intuito de baratear os preços no mercado interno. Contudo, essa medida tem gerado controvérsias e levantado questionamentos sobre a real eficácia da proposta, que até agora não convenceu os especialistas do setor.

Leia Também:  Redução da jornada pode elevar custo do agro em até 8%, estima CNI

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), manifestou grande preocupação com a proposta. Em sua avaliação, a redução de tarifas de importação é uma solução superficial que ignora questões estruturais da economia brasileira, como a inflação descontrolada, a flutuação do câmbio e o elevado gasto público. Além disso, argumenta-se que não há desabastecimento ou sobrepreço nos produtos agropecuários no Brasil. Os preços praticados no mercado interno já seguem os padrões internacionais, e a abertura de importações, ao invés de solucionar os problemas, pode resultar em mais insegurança para o setor.

Na opinião de muitos representantes do agro, o governo está fazendo um “jogo de cena”, tentando passar uma imagem de ação para a população, mas sem resultados concretos. A medida de redução de tarifas pode até ser positiva em teoria, mas suas reais implicações no mercado interno e na produção nacional precisam ser cuidadosamente avaliadas.

No contexto atual, com custos de produção elevados e um cenário macroeconômico desfavorável, o setor agropecuário continua a produzir com qualidade e quantidade, enfrentando desafios impostos pela alta de juros e pela instabilidade cambial.

Leia Também:  Proposta busca otimizar escoamento de grãos e reduzir custos logísticos

O presidente da FPA destacou que a solução para os problemas da economia não está em medidas temporárias e de caráter político, mas sim em reformas mais profundas e eficazes, como o corte de gastos públicos e a implementação de políticas que incentivem a competitividade do setor. Nesse sentido, uma ação mais consistente e estratégica poderia trazer resultados mais duradouros e benéficos para a população e para os produtores.

A questão central, como apontado pelos críticos, é que medidas como a redução das tarifas de importação não tratam as raízes do problema inflacionário, mas apenas oferecem uma solução paliativa. A falta de confiança do mercado e a falta de credibilidade do governo nesse aspecto só agravam o cenário econômico. A verdadeira solução para o controle de preços e a estabilidade econômica do país passa por um compromisso sério e responsável com as finanças públicas, algo que ainda não foi apresentado de maneira convincente.

Fonte: Pensar Agro

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes

Published

on

Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.

Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.

Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.

A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.

Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.

Leia Também:  Conab projeta recorde na produção de grãos para a safra 2024/25 com crescimento de 8%

Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.

A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.

O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.

O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.

Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.

O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.

Leia Também:  Exportações do agro mineiro batem recorde e mostram força do setor

Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.

O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.

O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.

Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA