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Lideranças reagem à medida provisória das LCAs: “Mais impostos, menos comida na mesa”

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A Medida Provisória 1.303/2025, apresentada recentemente pelo governo federal, acendeu um alerta vermelho entre os representantes do agronegócio. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) criticou duramente, a proposta, que prevê novas cobranças de impostos sobre os títulos de crédito do setor agropecuário e, segundo a bancada, pode provocar um aumento nos custos de produção, reduzir o crédito disponível e, ao fim da linha, encarecer os alimentos consumidos pelos brasileiros.

A principal preocupação recai sobre a taxação das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), instrumentos essenciais para financiar a produção agrícola. Só em 2024, essas letras movimentaram R$ 108 bilhões dentro do Plano Safra, representando quase metade do crédito rural privado. Com a MP, o governo quer aplicar imposto de renda sobre os rendimentos dessas aplicações, o que, segundo a FPA, tornaria menos atrativo investir no setor produtivo.

“O governo está mirando os grandes, mas acerta em cheio o pequeno produtor, o investidor de classe média e, no final, o consumidor”, afirma a nota oficial da FPA, intitulada “Carta Aberta à sociedade brasileira” (leia abaixo). O grupo lembra que, de acordo com dados da Anbima, 63% dos investidores que aplicam em LCAs, LCIs e outros papéis isentos são pessoas com perfil tradicional, ou seja, sem grandes fortunas. Eles representam mais de 4 milhões de brasileiros que veem nesses títulos uma forma segura de aplicar seu dinheiro.

Além da questão do crédito, a MP também mira nas desonerações de itens da cesta básica e na isenção de tributos sobre insumos agrícolas importados. Segundo a FPA, R$ 88 bilhões dos R$ 158 bilhões apontados como “renúncia fiscal” pelo Ministério da Fazenda referem-se a produtos básicos como arroz, feijão, carne, leite e ovos. Para o setor, esses valores não podem ser considerados “benefícios ao agro”, mas sim políticas que garantem comida mais barata ao povo e sustentam o abastecimento nacional.

A senadora Tereza Cristina, vice-presidente da FPA e ex-ministra da Agricultura, afirmou que a medida vai ter impacto imediato na confiança dos investidores e no financiamento da produção. “A proposta começa a valer em 2026, mas os investidores já estão se mexendo agora. O dinheiro pode migrar para outros setores, e o agro depende fortemente dessas aplicações para funcionar”, disse.

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Ela também criticou a fala recente do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que afirmou que o governo “patrocina” o setor agropecuário com uma renúncia de R$ 158 bilhões. Segundo a senadora, esse número não representa um subsídio ao produtor, e sim desonerações fundamentais para manter a produção viável. “Não é o andar de cima que será prejudicado. É todo mundo. É o agricultor, o caminhoneiro, a dona de casa no supermercado”, afirmou.

Outro ponto polêmico é o aumento do IOF sobre operações internacionais, que afeta desde o pagamento de royalties por biotecnologia até a logística internacional de exportação. A FPA avalia que o custo adicional vai se refletir em todo o sistema agroindustrial, reduzindo a competitividade do Brasil no mercado externo.

A Frente Parlamentar do Agro defende que o governo busque equilíbrio fiscal com outras medidas, como a reforma administrativa, e combata a sonegação, ao invés de penalizar a produção e o consumo. “Precisamos de uma política tributária que valorize quem produz e não que castigue o setor que mais gera empregos e garante comida na mesa dos brasileiros”, finaliza o comunicado.

GOLPE – Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), declarou que a Medida Provisória 1.303/2025 representa “um golpe direto na espinha dorsal do agro brasileiro”, e criticou duramente o que classificou como “visão míope do governo sobre o papel estratégico da produção rural”.

Para ele, a proposta de tributar instrumentos como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e retirar isenções da cesta básica ignora completamente a realidade de quem está no campo. “Não é possível falar em justiça fiscal enquanto se penaliza o produtor e o consumidor ao mesmo tempo. O que o governo chama de renúncia é, na verdade, garantia de comida acessível na mesa do brasileiro”, afirmou.

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Rezende também destacou que a narrativa de que o agronegócio é excessivamente beneficiado não se sustenta. “É desonesto dizer que o agro vive de subsídios. A isenção de impostos sobre insumos como fertilizantes e sementes não é um privilégio, mas uma necessidade para manter o Brasil competitivo e alimentar mais de 800 milhões de pessoas no mundo. Ao tributar esses itens, o governo compromete a soberania alimentar e a economia rural”, disse o presidente do IA, reforçando seu apoio à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) na resistência à medida.

Por fim, o dirigente cobrou responsabilidade e planejamento por parte da equipe econômica. “O Instituto do Agronegócio apoia integralmente a posição da FPA e defende uma reforma tributária que corte privilégios de verdade, começando pela máquina pública e não pelo campo. Essa Medida Provisória joga o produtor no prejuízo, encarece o crédito e castiga a população com preços mais altos. O agro não aceita pagar a conta do descontrole fiscal”, concluiu Rezende.

O Congresso Nacional tem até a próxima terça-feira (17/6) para apresentar emendas ao texto da MP. O clima entre os parlamentares é de resistência, e partidos como o PP e o União Brasil já sinalizaram que não apoiarão medidas que impliquem aumento de impostos.

Para os produtores rurais, o sentimento é de incerteza. Em meio a um cenário de alta nos custos, câmbio instável e juros elevados, a possibilidade de mais encargos ameaça não só o negócio no campo, mas também a estabilidade dos preços nas cidades. A mensagem da FPA é clara: tributar o agro é mexer no bolso de quem planta, de quem transporta e de quem come.

Fonte: Pensar Agro

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Comissão aprova proteção a crédito rural em áreas sob demarcação indígena

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A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que impede a imposição de restrições administrativas, técnicas ou cadastrais a produtores rurais que ocupam áreas em processo de demarcação de terras indígenas.

A proposta busca evitar que a simples inclusão de um imóvel em procedimentos demarcatórios impeça o acesso a crédito rural, seguro agrícola e outras políticas públicas antes da conclusão definitiva do processo.

O texto aprovado altera a Lei do Marco Temporal e estabelece que as restrições somente poderão ser aplicadas após a conclusão da demarcação e o pagamento das indenizações devidas aos ocupantes. Na avaliação dos parlamentares que defendem a proposta, a medida busca garantir segurança jurídica aos produtores enquanto o processo administrativo ainda estiver em andamento.

O projeto original é de autoria do deputado Rodolfo Nogueira, mas foi aprovado na forma de um substitutivo apresentado pelo relator, deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Além de manter a proteção ao acesso dos produtores às políticas públicas, Lupion ampliou o alcance da proposta ao incluir, de forma expressa, o direito à indenização pela terra nua. Atualmente, a legislação assegura o pagamento apenas pelas benfeitorias realizadas de boa-fé em áreas posteriormente reconhecidas como terras indígenas.

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Segundo o relator, a proposta não interfere nos processos de demarcação conduzidos pelo poder público nem altera os direitos dos povos indígenas previstos na Constituição. O objetivo, afirmou, é impedir que produtores sofram restrições antes da conclusão do procedimento administrativo e da definição sobre eventual desocupação da área.

“A simples inserção de imóvel rural em cadastro vinculado a procedimento demarcatório, sem decisão final e sem indenização, não pode resultar, por via reflexa, na inviabilização da atividade produtiva”, afirmou Pedro Lupion durante a votação.

Na justificativa do projeto, os parlamentares argumentam que produtores incluídos em áreas sob estudo para demarcação têm enfrentado dificuldades para contratar financiamentos, renovar operações de crédito, acessar seguros rurais e participar de programas oficiais, mesmo quando continuam exercendo regularmente a posse da propriedade.

Se a proposta avançar nas próximas etapas da tramitação, bancos, cooperativas de crédito, seguradoras e demais órgãos públicos não poderão impor restrições apenas em razão da existência de um processo de demarcação ainda não concluído.

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O texto seguirá agora para análise das comissões da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Como tramita em caráter conclusivo, o projeto poderá seguir diretamente para o Senado caso seja aprovado nas comissões e não haja recurso para votação no plenário da Câmara dos Deputados.

A iniciativa integra um conjunto de propostas defendidas pela bancada do agronegócio para ampliar a segurança jurídica no campo e reduzir os impactos administrativos enfrentados por produtores rurais durante processos de regularização fundiária envolvendo terras indígenas.

Fonte: Pensar Agro

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