AGRONEGÓCIO

Mudanças climáticas podem reduzir lucros da soja em 60% até 2050, alerta estudo

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“O setor brasileiro de soja enfrentará desafios em um mundo em transição. Até 2050, as respostas do governo, do consumidor e do
setor privado às mudanças climáticas, que denominamos “transições climáticas”, podem gerar uma queda de mais de 15 por cento nos
preços da soja, colocando grande parte dos produtores de soja de hoje em um risco de mais de 60 por cento de perdas financeiras”.

O alerta é de um estudo da Orbitas Consultoria, realizado a pedido da Embrapa, e faz uma previsão alarmante para o futuro da soja no Brasil. De acordo com a análise, os produtores de soja podem enfrentar perdas financeiras superiores a 60% até o ano de 2050, caso não sejam adotadas medidas de adaptação às mudanças climáticas. Os resultados apontam para um cenário particularmente difícil para os pequenos produtores e regiões economicamente mais vulneráveis.

O estudo traça um cenário sem adaptação onde o preço da soja poderia cair em até 15%, enquanto a área agrícola disponível para plantio reduziria em 11%. A demanda global por soja também registraria uma diminuição de 3%, com impactos mais severos previstos, incluindo uma redução de até 36% nas terras agrícolas disponíveis e um aumento de 88% a 133% nos gastos agrícolas. Especificamente para os pequenos produtores, as perdas poderiam alcançar até R$ 3.085 por hectare.

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Contrastando com o cenário pessimista, o estudo também aponta para as oportunidades de recuperação e crescimento se medidas adaptativas forem implementadas. Essas incluem um aumento de 88% nos investimentos e um crescimento de 14% tanto no rendimento por hectare quanto na demanda global por soja, particularmente para biocombustíveis. A lucratividade das fazendas de alto desempenho poderia alcançar R$ 3.200 por hectare, e a exportação de soja brasileira poderia crescer 32%.

Para evitar o cenário mais catastrófico, o relatório sugere a adoção de práticas agrícolas sustentáveis, como agricultura de precisão e rotação de culturas, além de investimentos robustos em pesquisa e desenvolvimento. Outras recomendações incluem a melhoria da infraestrutura logística e a implementação de políticas públicas que incentivem a adaptação climática.

O estudo serve como um chamado à ação para o governo brasileiro e o setor agropecuário. A necessidade de políticas que considerem os impactos sociais das mudanças climáticas, como o aumento da pobreza e desigualdade, é também enfatizada no relatório. A colaboração entre governo, setor privado e acadêmico é crucial para garantir um futuro sustentável para a soja no país.

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O setor de soja é um dos pilares da economia brasileira e enfrenta agora um dos seus maiores desafios. O relatório da Orbitas Consultoria é um passo importante para compreender e enfrentar as adversidades projetadas, garantindo que a soja continue a ser um vetor de crescimento e desenvolvimento sustentável nas próximas décadas.

O estudo completo você acessa clicando aqui

A Orbitas Consultoria é um braço da empresa norte-americana Climate Advisers que realiza pesquisas e análises de políticas públicas e estratégias de comunicação. A empresa atua em parceria com governos, organizações sem fins lucrativos ou filantrópicas, organizações internacionais, instituições financeiras e empresas em geral, para ajudar a promover uma economia sustentável que melhore a vida das pessoas.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Risco de geada no Sul agrava escassez e faz preço do feijão bater recordes

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O feijão voltou ao centro das preocupações do mercado agrícola brasileiro. Com oferta curta, dificuldade para encontrar produto de qualidade e ameaça de geadas sobre áreas produtoras do Sul do país, os preços dispararam nas últimas semanas e já atingem patamares históricos em algumas regiões.

O movimento é puxado principalmente pelo feijão carioca, variedade mais consumida pelos brasileiros. Em importantes polos produtores de São Paulo e Minas Gerais, lotes considerados “extra” já superam R$ 430 por saca no mercado físico. Em negociações destinadas ao abastecimento da capital paulista, negócios pontuais chegaram perto de R$ 470 por saca — um dos maiores níveis já registrados para a cultura.

A escalada dos preços acontece em um momento delicado para o abastecimento. O mercado enfrenta escassez justamente dos grãos de melhor qualidade, enquanto produtores seguram parte da oferta apostando em novas altas. Empacotadoras e atacadistas relatam dificuldade para montar lotes homogêneos, o que elevou a disputa pelos feijões classificados como nota alta.

Ao mesmo tempo, problemas climáticos aumentam a tensão sobre a segunda safra 2025/26. Paraná e Minas Gerais tiveram atrasos no plantio, excesso de chuvas e ritmo lento de colheita nas últimas semanas. Agora, a chegada do frio intenso ao Sul do Brasil adiciona um novo fator de preocupação.

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As geadas passaram a entrar no radar do setor justamente em uma fase importante para parte das lavouras. Técnicos alertam que o frio pode comprometer enchimento dos grãos, peneira e qualidade final da produção, reduzindo ainda mais a disponibilidade de feijão premium no mercado.

A pressão já começa a contaminar também o mercado do feijão preto. Tradicionalmente mais barato, ele passou a ganhar competitividade diante da disparada do carioca e vem registrando forte valorização nas últimas semanas. Em algumas regiões do Paraná, as cotações saltaram de cerca de R$ 160 para perto de R$ 200 por saca em poucos dias.

O avanço do feijão preto reflete uma migração parcial do consumo. Com o carioca cada vez mais caro, parte do varejo e dos consumidores começou a buscar alternativas para reduzir custos, aumentando a demanda pela variedade preta.

O cenário preocupa porque o feijão é um dos produtos mais sensíveis ao abastecimento interno. Diferentemente da soja ou do milho, grande parte da produção é destinada ao consumo doméstico e trabalha com estoques historicamente apertados. Quando há quebra de qualidade ou retenção de oferta, o impacto nos preços costuma ser rápido.

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Hoje, o Brasil produz entre 2,8 milhões e 3 milhões de toneladas de feijão por ano, somando as três safras cultivadas em diferentes regiões do país. Paraná, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Mato Grosso estão entre os principais produtores nacionais.

Com a combinação entre oferta restrita, clima adverso e estoques reduzidos, analistas avaliam que o mercado deve continuar pressionado nas próximas semanas, mantendo os preços em níveis elevados tanto para o produtor quanto para o consumidor final.

Fonte: Pensar Agro

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