AGRONEGÓCIO

Parlamentares querem mais tempo para analisar acordo e alertam para riscos ao agro

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) avalia que o Congresso Nacional ainda não está pronto para votar o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia e defende mais tempo para uma análise aprofundada dos impactos do tratado sobre o agronegócio brasileiro. A posição foi reforçada pelo presidente da bancada, deputado Pedro Lupion, após reunião da FPA nesta terça-feira.

O acordo, encaminhado pelo governo federal à Câmara dos Deputados, precisa ser ratificado pelo Legislativo para entrar em vigor. Apesar da sinalização de que o texto poderia ser analisado ainda em fevereiro, a bancada do agro considera que o momento exige cautela, especialmente diante das salvaguardas adicionais incluídas pela União Europeia, que podem afetar diretamente a competitividade das exportações brasileiras.

Segundo Lupion, o texto principal do acordo é positivo e atende, de forma geral, às demandas da produção agropecuária e industrial do Brasil. O problema, na avaliação da FPA, está nas regras complementares adotadas posteriormente pelo bloco europeu, muitas delas para atender pressões internas de produtores europeus, o que pode resultar em barreiras práticas ao acesso do agro brasileiro ao mercado da UE.

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“A bancada não é contra o acordo. O texto é bom. O que nos preocupa são as salvaguardas impostas depois da tramitação, que podem se transformar em obstáculos reais às nossas exportações”, afirmou Lupion. Para ele, votar o tratado sem enfrentar esse ponto seria expor o produtor rural brasileiro a riscos desnecessários.

A FPA defende que o Brasil construa mecanismos internos de proteção, sem reabrir a negociação internacional. Entre as alternativas em debate estão medidas administrativas e regulatórias que permitam reação rápida do país caso a União Europeia suspenda cotas, imponha exigências adicionais ou descumpra, na prática, o espírito do acordo. A Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada no ano passado, é vista como uma das ferramentas possíveis.

Para o deputado, a pressa na votação pode comprometer a posição do Brasil no longo prazo. “Não se trata de derrubar o acordo, mas de garantir que ele não vire uma armadilha para quem produz. O produtor precisa de previsibilidade, segurança jurídica e condições reais de competir”, ressaltou.

O tema tem mobilizado reuniões entre a FPA, entidades do setor agropecuário e representantes do governo, além de diálogos com diplomatas brasileiros envolvidos na negociação com a União Europeia. A avaliação predominante no setor é que o acordo pode abrir oportunidades importantes, desde que venha acompanhado de regras claras e capacidade de reação do Estado brasileiro.

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Enquanto o governo trabalha para avançar na tramitação, a mensagem da bancada do agro é direta: o acordo Mercosul–União Europeia é estratégico, mas não pode ser aprovado sem garantias efetivas de proteção à produção rural brasileira.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Agrishow começa hoje com crédito de R$ 10 bilhões para compra de máquinas agrícolas

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Ribeirão Preto (315 km da capital São Paulo) recebe a partir desta segunda-feira (27.04) a Agrishow 2026, principal feira de tecnologia agrícola da América Latina, em um momento em que a modernização da frota no campo volta ao centro do debate. A abertura do evento foi marcada pelo anúncio de uma nova linha de financiamento de R$ 10 bilhões para aquisição de máquinas e equipamentos, feito pelo o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

Os recursos serão destinados à compra de tratores, colheitadeiras e implementos, com foco na substituição de equipamentos antigos. A linha será operada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com repasse por meio de bancos, cooperativas e instituições financeiras. Os fundos fazem parte de uma nova categoria do programa MOVE Brasil, direcionada ao agronegócio.

Serão R$ 10 bilhões destinados ao financiamento de tratores, implementos, colheitadeiras e todas as máquinas agrícolas. Esses recursos serão disponibilizados pela Finep, diretamente, ou através de parceiros, como cooperativas, bancos privados e o Banco do Brasil”, afirmou Alckmin.

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O anúncio ocorre em um cenário em que parte relevante da frota agrícola brasileira opera com alto nível de desgaste. Máquinas mais antigas elevam custos de manutenção, reduzem eficiência operacional e limitam a adoção de tecnologias embarcadas, como agricultura de precisão e monitoramento digital.

Na prática, a renovação da frota é hoje um dos principais vetores de ganho de produtividade no campo. Equipamentos mais modernos permitem maior precisão na aplicação de insumos, redução de perdas e melhor gestão das operações, fatores que impactam diretamente o custo por hectare.

A nova linha segue a lógica do programa MOVE Brasil, inicialmente voltado à renovação da frota de caminhões, e deve oferecer condições mais atrativas de financiamento. A expectativa é que os recursos estejam disponíveis nas próximas semanas.

Outro ponto relevante é a inclusão das cooperativas como tomadoras diretas de crédito, o que pode ampliar o acesso à tecnologia, especialmente entre pequenos e médios produtores. A medida também abre espaço para investimentos coletivos em mecanização e digitalização.

A Agrishow ocorre em um momento de margens mais pressionadas no campo, com custo de produção elevado e crédito mais caro. Nesse ambiente, a decisão de investir em máquinas passa a depender cada vez mais de eficiência econômica e retorno operacional.

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Com mais de 800 marcas expositoras e expectativa de público superior a 190 mil visitantes, a feira deve concentrar as principais discussões sobre tecnologia, financiamento e estratégia produtiva para a próxima safra.

Serviço 

Evento: Agrishow 2026 — 31ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação
Data: 27 de abril a 1º de maio de 2026
Local: Rodovia Prefeito Antônio Duarte Nogueira, km 321, em Ribeirão Preto (SP), no Polo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Centro-Leste

Fonte: Pensar Agro

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