AGRONEGÓCIO

Produção de soja deverá atingir 153,2 milhões de toneladas

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A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) estima que a produção de soja em grão no ciclo atual atingirá 153,2 milhões de toneladas, um aumento de 700 mil toneladas em relação à previsão anterior. O esmagamento de soja permanece estável em 54,5 milhões de toneladas. A produção de farelo de soja é projetada em 41,7 milhões de toneladas, enquanto a de óleo de soja deve alcançar 11 milhões de toneladas.

Em maio de 2024, foram processadas 4,29 milhões de toneladas de soja, representando uma queda de 1,5% em relação a abril de 2024 e uma redução de 6,2% em comparação ao mesmo mês de 2023, considerando uma amostra de 90,6%.

As exportações do complexo soja continuam fortes, com as vendas de soja em grão atingindo 97,8 milhões de toneladas e as de farelo de soja somando 21,7 milhões de toneladas, um aumento de 100 mil toneladas em relação à projeção anterior. As exportações de óleo de soja chegaram a 1,15 milhão de toneladas, registrando um incremento de 50 mil toneladas em comparação com a última previsão.

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A receita total prevista para as exportações do complexo soja em 2024 é de US$ 49,6 bilhões, refletindo a força do setor no mercado internacional.

Nos estados de Alagoas, Paraíba e Pernambuco, a produção de cana-de-açúcar tem mostrado crescimento. Em João Pessoa (PB), a propriedade modal de 100 hectares apresentou uma produtividade média de 60 toneladas por hectare na safra 2023/24, com 124 kg de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana e cinco cortes por ciclo produtivo.

Em Maceió (AL), a propriedade modal tem 120 hectares, com produtividade média de 59 toneladas por hectare e seis cortes por ciclo. Em Recife (PE), a propriedade cobre cerca de 170 hectares, com uma produtividade de 60 toneladas por hectare, 126 kg de ATR por tonelada de cana e sete cortes por ciclo produtivo.

Os produtores destacam que o ciclo foi favorecido pela redução nos preços de insumos, especialmente fertilizantes. Embora o plantio e a colheita ainda sejam predominantemente manuais, a disponibilidade de mão de obra é um dos principais desafios enfrentados.

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Na região de Camaquã (RS), a safra 2023/24 de soja enfrentou dificuldades, com o plantio realizado durante um período de seca e a colheita sob chuvas intensas, afetando a produtividade e a qualidade dos grãos. No cultivo de arroz, houve uma redução de 15% na produtividade em relação à safra anterior, devido às condições climáticas adversas.

Em Campo Florido (MG), o clima seco e quente impactou negativamente as produtividades e a receita dos produtores. Para a soja, houve uma redução de 10 sacas por hectare em relação ao ano passado, enquanto a produtividade do milho caiu 35% e a do sorgo, 38%.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Crédito ao agro pode atingir R$ 652 bilhões, mas esbarra em limites fiscais

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As negociações para o Plano Safra 2026/27 avançam em meio a discussões sobre o espaço fiscal disponível para subsidiar o crédito rural. A proposta em análise pelo governo prevê ampliar em cerca de 10% os recursos destinados ao financiamento da agropecuária, elevando o montante total para R$ 652 bilhões, além de reduzir em até dois pontos percentuais as taxas de juros para médios e grandes produtores.

Os números ainda estão em discussão entre os ministérios da Agricultura, da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário e podem sofrer alterações antes do anúncio oficial, previsto para o início de julho. A principal incógnita é a capacidade do Tesouro Nacional de suportar os custos da equalização dos juros em um cenário de restrições orçamentárias.

Na safra atual, foram disponibilizados R$ 594,4 bilhões para pequenos, médios e grandes produtores. Desse total, R$ 516,2 bilhões foram destinados à agricultura empresarial. A proposta em análise é elevar esse montante para perto de R$ 570 bilhões na temporada 2026/27.

A discussão sobre os juros é considerada o ponto mais sensível das negociações. Caso a proposta seja integralmente atendida, as taxas para médios e grandes produtores poderão cair para cerca de 8% ao ano nas operações de custeio e para até 6,5% em algumas linhas de investimento. Na safra 2025/26, as taxas variaram entre 10% e 14% nas linhas de custeio da agricultura empresarial.

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A possibilidade de redução das taxas depende do início do ciclo de queda da Selic e do espaço fiscal disponível para a equalização dos juros. O mecanismo é utilizado pelo governo para cobrir a diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e a taxa efetivamente paga pelos produtores.

Outra frente das negociações envolve os limites para os spreads bancários. A equipe econômica decidiu manter tetos para o custo administrativo e tributário cobrado pelas instituições financeiras nas operações com recursos equalizados. A medida busca evitar aumento excessivo do custo final do crédito e reduzir a pressão sobre os gastos públicos com subsídios.

No custeio empresarial, por exemplo, o limite para o spread foi fixado em 4,7% ao ano. Quanto maior esse percentual, maior tende a ser o desembolso da União para sustentar as taxas subsidiadas.

A estratégia ocorre em um momento em que instrumentos privados de financiamento ganham espaço no campo. Entre julho de 2025 e maio de 2026, as operações realizadas por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e recursos livres movimentaram cerca de R$ 170 bilhões. Os títulos privados passaram a integrar os números do Plano Safra recentemente e vêm compensando parte da retração observada nas linhas tradicionais de crédito.

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Na agricultura familiar, a expectativa é de manutenção das taxas de juros entre 2% e 6% ao ano. O volume de recursos para o segmento poderá chegar a R$ 82 bilhões, alta de cerca de 5% em relação aos R$ 78,2 bilhões disponibilizados na temporada atual.

Os desembolsos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) indicam forte demanda pelos recursos. Até maio, os produtores familiares haviam contratado R$ 60,9 bilhões, o equivalente a quase 80% do total disponível para a safra em curso.

A definição do Plano Safra 2026/27 ocorre em um ambiente de custos financeiros ainda elevados e de crescente demanda por recursos para sustentar a expansão da produção agrícola. O desafio do governo será ampliar a oferta de crédito e, ao mesmo tempo, preservar o equilíbrio das contas públicas em um cenário de restrições fiscais.

A expectativa é que os números finais sejam anunciados no início de julho, quando também deverão ser definidos os volumes de recursos e as taxas de juros para a agricultura empresarial e para os programas voltados à agricultura familiar.

Fonte: Pensar Agro

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