AGRONEGÓCIO

Produtores não têm onde armazenar metade da safra de grãos do estado

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O avanço da produção de grãos em Mato Grosso continua a superar a capacidade de armazenagem disponível no estado. Segundo levantamento da Conab e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a safra 2024/25 de soja e milho deve alcançar aproximadamente 105,9 milhões de toneladas, mas a estrutura estática instalada comporta menos da metade desse volume, cerca de 49,4%.

O desequilíbrio é ainda mais evidente no milho, que tradicionalmente ocupa os armazéns após a soja, mas encontra espaços já tomados pela oleaginosa. Essa limitação força parte da produção a ser estocada em soluções temporárias, como silos-bolsa, ou mesmo a ser comercializada em momentos de preços menos favoráveis, apenas para liberar espaço.

A concentração da colheita também amplia a pressão sobre a logística. Com janelas mais curtas, que em algumas regiões não ultrapassam 30 dias, ocorre um pico de oferta que congestiona armazéns, estradas e portos. O cenário tende a se agravar nos próximos anos: projeções do Imea indicam que o déficit de armazenagem pode atingir 77,5 milhões de toneladas até 2034, caso o ritmo de investimentos permaneça no atual patamar.

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Para equilibrar a relação entre produção e estocagem, seria necessário um crescimento anual de 11,4% na capacidade estática em Mato Grosso, quase três vezes superior ao ritmo observado nas últimas safras. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil estima que somente o estado precisará escoar 145 milhões de toneladas de grãos até 2035, o que exigiria cerca de 4 mil novas unidades de armazenagem, em investimentos avaliados em mais de R$ 53 bilhões.

FERROVIA – A limitação na capacidade de armazenagem em Mato Grosso intensifica a urgência por soluções logísticas de maior escala, em especial da Ferrovia de Integração do Norte (Ferrogrão). Com aproximadamente 933 quilômetros de extensão, esse trecho ferroviário está projetado para ligar a região produtora de grãos no Centro-Oeste a um terminal portuário na Bacia Amazônica, oferecendo uma rota logística mais eficiente para exportação.

O empreendimento encontra-se suspenso desde 2021, devido a um questionamento judicial sobre a legalidade da alteração dos limites de um parque nacional para viabilizar o traçado ferroviário. O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não emitiu uma decisão definitiva, o que mantém o projeto temporariamente travado.

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Apesar dos entraves legais, o planejamento segue em ritmo ativo. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) pretende enviar um novo traçado ao Tribunal de Contas da União até o final de 2025, com expectativa de publicação do edital de concessão no primeiro semestre de 2026. O cronograma indica que, cumpridas todas as etapas, a ferrovia pode começar a ser construída ainda em 2026 e ser concluída até 2035.

O projeto também é avaliado como potencialmente capaz de reduzir os custos do frete de grãos em pelo menos 20%, aliviando a dependência das rodovias e tornando o escoamento mais competitivo

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Enquanto EUA anunciam tarifas, China abre mercado para a carne brasileira

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No mesmo momento em que os Estados Unidos ampliam as ameaças tarifárias contra produtos brasileiros, a China enviou um sinal na direção oposta. O governo chinês anunciou nesta terça-feira (02.05) o reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, decisão que elimina as últimas restrições sanitárias sobre estados do Norte do país e abre caminho para ampliar as exportações de carne bovina e suína ao principal mercado consumidor do mundo.

A medida tem peso estratégico para o agronegócio brasileiro. A China é o maior comprador mundial de carne bovina e absorve mais da metade de toda a carne bovina exportada pelo Brasil. Apenas no primeiro trimestre deste ano, os chineses importaram quase R$ 16,5 bilhões em carnes brasileiras, demonstrando a dimensão do mercado para a pecuária nacional.

O reconhecimento encerra uma negociação que se arrastava há mais de duas décadas e uniformiza o status sanitário brasileiro perante as autoridades chinesas. Na prática, produtos que enfrentavam limitações em razão das restrições aplicadas a determinadas regiões do país passam a ter acesso ampliado ao mercado asiático. Entre os principais beneficiados estão carnes com osso, miúdos e outros produtos de maior valor agregado, segmentos que tradicionalmente encontram forte demanda na China.

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A decisão ocorre em um momento particularmente relevante para a pecuária nacional. Nos últimos meses, frigoríficos e exportadores brasileiros vinham buscando ampliar sua participação no mercado chinês, inclusive com pedidos de habilitação de novas plantas exportadoras e negociações para aumento de volumes embarcados.

A importância da China para o campo brasileiro vai muito além da pecuária. No ano passado, o país asiático comprou mais de R$ 275 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro, mantendo-se com ampla folga como o principal destino das exportações do setor.

Para a pecuária, o anúncio representa uma vitória ainda mais significativa porque reforça a credibilidade sanitária brasileira justamente quando diversos países endurecem exigências para importação de proteínas animais. O reconhecimento chinês funciona como um aval à estrutura de vigilância sanitária e defesa agropecuária construída pelo Brasil ao longo dos últimos anos.

A sinalização também ganha relevância diante do cenário internacional. Enquanto Washington discute novas sobretaxas que podem atingir parte das exportações brasileiras, Pequim amplia o acesso para um mercado de mais de 1,4 bilhão de consumidores e reforça sua posição como principal destino da proteína animal produzida no Brasil. Para o setor pecuário, a mensagem é clara: se de um lado surgem barreiras comerciais, do outro o maior comprador de carne do planeta está abrindo ainda mais espaço para o produto brasileiro.

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Fonte: Pensar Agro

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