AGRONEGÓCIO

Tributação de títulos agrícolas ameaça o crédito rural e pode impactar a produção de alimentos

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifestou preocupação com os impactos da Medida Provisória 1.303/2025, proposta pelo governo federal, que estabelece a tributação sobre rendimentos de títulos do agronegócio a partir de 2026. Na avaliação da entidade, a medida pode comprometer seriamente o acesso ao crédito rural no país, afetando a competitividade, a produção de alimentos e a geração de divisas.

Os títulos agrícolas, especialmente as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), representam atualmente cerca de 40% do financiamento do setor. Eles são uma das principais fontes de funding privado, oferecendo isenção de imposto para pessoas físicas, o que estimula investidores a destinarem recursos ao financiamento das atividades agropecuárias.

Segundo a CNA, a decisão de tributar esses papéis enfraquece a atratividade para investidores e reduz a emissão dos títulos. Isso significa menos recursos disponíveis no mercado para financiar a produção rural, encarecendo o crédito e dificultando o acesso dos produtores, principalmente médios e grandes, que dependem dessas operações diante da redução progressiva dos recursos públicos no Plano Safra.

A entidade aponta que, mesmo com a previsão de início da tributação apenas em 2026, o efeito prático já ocorre no curto prazo, com reflexo direto na formação do Plano Safra 2025/26. A insegurança gerada no mercado financeiro pode afastar investidores e reduzir a liquidez dos instrumentos financeiros do agronegócio.

O impacto, segundo a CNA, não se limita ao crédito. A medida pode gerar efeitos em cadeia, como menor adoção de tecnologias, redução de produtividade, aumento no custo de produção e, consequentemente, pressão sobre os preços dos alimentos no mercado interno. Isso pode afetar diretamente o abastecimento e a inflação de alimentos.

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A entidade destaca ainda que, nos últimos anos, os recursos públicos para financiamento agropecuário têm sido cada vez mais restritos e concentrados, principalmente para linhas voltadas à agricultura familiar. Diante desse cenário, os títulos privados passaram a ser fundamentais para complementar o financiamento das cadeias produtivas do setor.

Com a proposta de tributação de 5% sobre os rendimentos de ativos como CDA, WA, CDCA, LCA, CRA, CPR e Fiagros, o setor produtivo vê riscos de retração no mercado de crédito rural, que vinha sendo uma alternativa fundamental para manter o ritmo de crescimento, modernização e sustentabilidade da agropecuária brasileira.

Isan Rezende

A CNA defende que o Congresso Nacional reveja os termos da Medida Provisória, de forma a preservar a segurança jurídica, a previsibilidade e a confiança dos agentes financeiros e produtores. Para a entidade, medidas que comprometam a oferta de crédito privado podem gerar efeitos contrários ao desenvolvimento econômico, prejudicando não apenas o agronegócio, mas toda a sociedade.

APOIO – O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende se manifestou favoravelmente à poisção da CNA. Segundo Isan, quando se penaliza o mercado de títulos do agronegócio com tributação, o efeito é imediato: trava-se o crédito rural. “Isso desestimula investidores, encarece o financiamento e compromete diretamente a capacidade de produção no campo. Estamos falando de um setor que já enfrenta desafios com redução de recursos públicos e que agora vê seu principal mecanismo privado de financiamento ameaçado”.

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“Essa proposta de tributação enfraquece não só o agronegócio, mas todo o ambiente de negócios no país. O investidor precisa de segurança e previsibilidade. Quando se quebra a confiança, os recursos somem, os juros sobem e a competitividade do setor despenca. Isso atinge não apenas os produtores, mas toda a cadeia, da produção ao consumo, e pode gerar impactos na inflação de alimentos”, continuou Isan.

“O agronegócio brasileiro não pode ser penalizado por medidas que visam resolver problemas fiscais de curto prazo. A solução não é retirar do setor produtivo as ferramentas que viabilizam o crescimento, a geração de empregos e a produção de alimentos. O que esperamos é que o Congresso tenha a sensibilidade e a responsabilidade de corrigir essa distorção, preservando as condições para que o crédito continue chegando ao campo”, completou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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Crédito ao agro pode atingir R$ 652 bilhões, mas esbarra em limites fiscais

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As negociações para o Plano Safra 2026/27 avançam em meio a discussões sobre o espaço fiscal disponível para subsidiar o crédito rural. A proposta em análise pelo governo prevê ampliar em cerca de 10% os recursos destinados ao financiamento da agropecuária, elevando o montante total para R$ 652 bilhões, além de reduzir em até dois pontos percentuais as taxas de juros para médios e grandes produtores.

Os números ainda estão em discussão entre os ministérios da Agricultura, da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário e podem sofrer alterações antes do anúncio oficial, previsto para o início de julho. A principal incógnita é a capacidade do Tesouro Nacional de suportar os custos da equalização dos juros em um cenário de restrições orçamentárias.

Na safra atual, foram disponibilizados R$ 594,4 bilhões para pequenos, médios e grandes produtores. Desse total, R$ 516,2 bilhões foram destinados à agricultura empresarial. A proposta em análise é elevar esse montante para perto de R$ 570 bilhões na temporada 2026/27.

A discussão sobre os juros é considerada o ponto mais sensível das negociações. Caso a proposta seja integralmente atendida, as taxas para médios e grandes produtores poderão cair para cerca de 8% ao ano nas operações de custeio e para até 6,5% em algumas linhas de investimento. Na safra 2025/26, as taxas variaram entre 10% e 14% nas linhas de custeio da agricultura empresarial.

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A possibilidade de redução das taxas depende do início do ciclo de queda da Selic e do espaço fiscal disponível para a equalização dos juros. O mecanismo é utilizado pelo governo para cobrir a diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e a taxa efetivamente paga pelos produtores.

Outra frente das negociações envolve os limites para os spreads bancários. A equipe econômica decidiu manter tetos para o custo administrativo e tributário cobrado pelas instituições financeiras nas operações com recursos equalizados. A medida busca evitar aumento excessivo do custo final do crédito e reduzir a pressão sobre os gastos públicos com subsídios.

No custeio empresarial, por exemplo, o limite para o spread foi fixado em 4,7% ao ano. Quanto maior esse percentual, maior tende a ser o desembolso da União para sustentar as taxas subsidiadas.

A estratégia ocorre em um momento em que instrumentos privados de financiamento ganham espaço no campo. Entre julho de 2025 e maio de 2026, as operações realizadas por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e recursos livres movimentaram cerca de R$ 170 bilhões. Os títulos privados passaram a integrar os números do Plano Safra recentemente e vêm compensando parte da retração observada nas linhas tradicionais de crédito.

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Na agricultura familiar, a expectativa é de manutenção das taxas de juros entre 2% e 6% ao ano. O volume de recursos para o segmento poderá chegar a R$ 82 bilhões, alta de cerca de 5% em relação aos R$ 78,2 bilhões disponibilizados na temporada atual.

Os desembolsos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) indicam forte demanda pelos recursos. Até maio, os produtores familiares haviam contratado R$ 60,9 bilhões, o equivalente a quase 80% do total disponível para a safra em curso.

A definição do Plano Safra 2026/27 ocorre em um ambiente de custos financeiros ainda elevados e de crescente demanda por recursos para sustentar a expansão da produção agrícola. O desafio do governo será ampliar a oferta de crédito e, ao mesmo tempo, preservar o equilíbrio das contas públicas em um cenário de restrições fiscais.

A expectativa é que os números finais sejam anunciados no início de julho, quando também deverão ser definidos os volumes de recursos e as taxas de juros para a agricultura empresarial e para os programas voltados à agricultura familiar.

Fonte: Pensar Agro

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