MATO GROSSO

Ações da Justiça Eleitoral buscam equidade racial na política

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No dia 13 de maio de 1888, a Lei Áurea foi assinada, encerrando oficialmente o regime de escravidão no Brasil. Apesar disso, a abolição não trouxe a igualdade social e econômica para os ex-escravizados, e a discriminação racial e as desigualdades persistiram. A luta pela igualdade e pela justiça social continua até hoje e um dos instrumentos para isso é por meio do exercício do voto.

Durante o Império e boa parte da República, o direito ao voto era limitado por critérios como renda, alfabetização e gênero. Na prática, milhões de pessoas pretas libertas permaneceram excluídas do processo eleitoral por décadas, mesmo após a abolição. Foi somente com a Constituição de 1988, ou seja, 100 anos depois da Lei Áurea, que o direito ao voto se tornou verdadeiramente universal para todos os brasileiros e brasileiras, sem discriminação por classe, cor ou instrução.

Acreditando que votar é um direito conquistado e que a garantia dele é um dever de toda a sociedade, a Justiça Eleitoral desenvolve diversas ações em busca da equidade racial e contra a discriminação. Uma delas é a possibilidade de inclusão da raça e cor no Cadastro Eleitoral, além de outras informações, desde 2022. A medida auxilia o diagnóstico sobre a participação de pessoas pretas e pardas no processo eleitoral e, consequentemente, orienta a elaboração de políticas públicas inclusivas.

Em Mato Grosso, dos 2.321.535 milhões de eleitores e eleitoras registrados em 2022, não havia nenhum informe. A partir de 2023, após a inclusão da possibilidade no Cadastro Eleitoral, do total de 2.484.830 milhões, 141.070 (61,02%, ou seja, a maioria) informaram serem pardos(as) e 23.766 (10,28%) informaram serem pretos (as). Agora, em 2025, até abril, do total de 2.604.521 eleitores(as), 354.646 (13,62%) são pardos(as) e 61.016 (2,34%) são pretos(as). Infelizmente, ainda há uma grande quantidade de pessoas (2.017.777) que não informou a cor ou raça no Cadastro Eleitoral.

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 O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) reforça a importância desta autodeclaração e destaca que tem promovido ações internas também, a fim de ampliar a conscientização sobre o tema. Para fazer o informe, é muito simples. Basta acessar o Autoatedimento Eleitoral – TítuloNet, no site do TRE-MT, clicar em Título Eleitoral, e selecionar a opção 4 – Informe seus dados sociais. Após colocar os dados de identificação, no item 5, em Dados Complementares, é só responder à pergunta “Com qual raça ou cor o eleitor se define?”. Também é possível fazer o procedimento pelo e-Título, disponível nas plataformas iOS e Android.

“Uma iniciativa recente é a distribuição do livro ‘Pequeno manual antirracista’, da autora Djamila Ribeiro, para os servidore e servidoras dos Cartórios Eleitorais. Estamos finalizando o envio de um volume para cada unidade do interior do estado e, em seguida, iremos distribuir também nas unidades da sede do TRE-MT. O objetivo é provocar a reflexão sobre o assunto e, juntos, agirmos em prol de um ambiente de trabalho mais igualitário e que seja algo que reflita também no atendimento à população”, frisa o diretor-geral do TRE-MT e secretário do Comitê Gestor de Promoção de Políticas para a Equidade Racial do órgão, Mauro Sérgio Rodrigues Diogo.

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No livro, a filósofa e ativista Djamila Ribeiro trata de temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Em 11 capítulos curtos e contundentes, a autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles e aquelas que queiram aprofundar a percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas. A obra ganhou o prêmio Jabuti 2020 na categoria Ciências humanas.

Comitê Gestor

O Comitê Gestor de Promoção de Políticas para a Equidade Racial do TRE-MT foi instituído pela Portaria nº 426, de 17 de outubro de 2024. Entre as atribuições, estão: coordenar, executar e supervisionar as ações do Pacto Nacional do Judiciário pela Equidade Racial; fomentar a representatividade racial no âmbito da Justiça Eleitoral de Mato Grosso; promover ações de prevenção e combate à discriminação racial; aperfeiçoar a gestão do banco de dados visando à devida e necessária implementação de políticas de promoção da equidade racial; adotar e compartilhar práticas e ações voltadas à correção das desigualdades raciais, ampliando a capacidade de diálogo com os demais órgãos do Sistema de Justiça e de interlocução com os movimentos sociais organizados, entre outras.

Jornalista: Nara Assis

#PraTodosVerem: Imagem na qual, à esquerda, aparecem diversas mãos que seguram em braços com tons de pele preta, parda e branca. À direita, está escrito Equidade Racial, em um fundo marrom. No canto superior direito, está a marca do TRE-MT.

Fonte: TRE – MT

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“Beatificação do padre Nazareno torna região Oeste de MT referência religiosa no país”, afirma governador

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O governador Otaviano Pivetta afirmou que a beatificação do padre Nazareno Lanciotti projeta Jauru e a região Oeste de Mato Grosso para o país, transformando o município em uma referência para o turismo religioso.

Otaviano participou, neste sábado (13.6), da cerimônia de beatificação realizada em Jauru. O evento reuniu milhares de fiéis, peregrinos e caravanas de diversas regiões do Brasil e da Itália.

“Mato Grosso ganha com esse reconhecimento. A região ganha e Jauru passa a ter uma referência importante para o país. É uma alegria ver esse acontecimento histórico acontecer em Mato Grosso”, afirmou.

Segundo o governador, além do significado para a comunidade católica, a beatificação também contribui para ampliar a visibilidade da região Oeste.

“A região tem vocação para isso. É uma região muito bonita, cheia de belezas naturais, próxima ao Pantanal. Tem vocação para o turismo e, por que não, para o turismo religioso. Isso vai depender muito dos interesses locais e da dedicação da própria região, mas o Estado tem interesse em apoiar as iniciativas dos municípios e de todas as igrejas, de modo geral”, destacou.

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Para Otaviano Pivetta, a beatificação reconhece a trajetória de um religioso que dedicou a vida ao atendimento da população e deixou um legado que permanece vivo na região.

“É o reconhecimento de um mártir da Igreja Católica, de alguém que doou a própria vida para fazer o bem. Para nós, cristãos, é um momento muito importante. A Igreja tem critérios rigorosos para conceder esse reconhecimento e, para mim, é uma alegria e uma feliz coincidência que esse acontecimento histórico esteja acontecendo durante o meu mandato”, ressaltou o governador.

Durante mais de três décadas de atuação em Jauru, padre Nazareno se dedicou ao trabalho pastoral e a ações voltadas ao atendimento da população, tornando-se uma das principais referências religiosas da região.

Padre Nazareno Lanciotti
Nascido na Itália, padre Nazareno Lanciotti chegou ao Brasil na década de 1970 e se estabeleceu em Jauru, onde atuou por mais de 30 anos. Ao longo desse período, desenvolveu ações religiosas, sociais e comunitárias voltadas ao atendimento da população.

Em 2001, foi vítima de um atentado e morreu dias depois. O Vaticano reconheceu oficialmente seu martírio, abrindo caminho para a beatificação realizada neste sábado, em Jauru. A decisão o torna beato da Igreja Católica, etapa que antecede a canonização.

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Fonte: Governo MT – MT

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