MATO GROSSO
Aplicação da linguagem simples é destacada em palestra promovida pelo TRE-MT
Publicado em
27 de junho de 2024por
Da RedaçãoPriorizar uma linguagem clara, acessível e concisa é essencial para garantir o exercício da democracia. Com este entendimento, três palestrantes abordaram o tema “Linguagem simples na Justiça Eleitoral: comunicação clara a serviço da sociedade”, nesta quarta-feira (26.06). O evento, realizado online, contou com mais de 100 participantes, entre magistrados, magistradas, servidores e servidoras do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e o público externo.
Promovida por meio da Escola Judiciária Eleitoral (EJE-MT), a palestra é resultado do trabalho desenvolvido pelos Grupos de Trabalho (GTs) do 1º e 2º Graus de Jurisdição, instituídos pela Portaria n° 216/2024, visando à aplicação dos princípios da linguagem simples no TRE-MT. O conteúdo pode ser acessado pelo canal do Tribunal no YouTube.
Na abertura, a presidente do Tribunal, desembargadora Maria Aparecida Ribeiro, parabenizou a EJE-MT e os Grupos de Trabalho pela iniciativa. “Sempre fui uma entusiasta da linguagem simples no Poder Judiciário, e procurei utilizá-la, nesses 39 anos de magistratura, porque a maioria da nossa população é formada por pessoas simples, que não podem ter nas nossas decisões judiciais o entrave para compreender do que se trata. A linguagem simples é uma forma de inovação para nós podermos expressar não só de forma escrita, mas também verbal, aquilo que as pessoas realmente buscam na justiça. Permite a inclusão social, com a compreensão do conteúdo transmitido na mensagem e garante ao cidadão e à cidadã o exercício da cidadania. Da mesma forma, a transparência é muito importante, para que não pairem dúvidas sobre o que estamos decidindo”.
Segundo a diretora da EJE-MT, juíza Ana Cristina Silva Mendes, incorporar a linguagem simples exige novos aprendizados. “Temos que estar dispostos a aprender novamente, a novas diretrizes de fala, é sempre um desafio mudar e aprendemos muito no dia de hoje. Comunicação não é o que você fala, mas o que o outro entende, por isso, precisamos nos atentar e colocar no lugar do outro”, ressaltou.
O coordenador do projeto de Linguagem Simples no TRE-MT, juiz Edson Dias Reis, agradeceu à EJE-MT pelo engajamento na realização da palestra. “A Escola acolheu de imediato a ideia, por isso, agradeço, assim como a presença de todos e todas. Quando a sociedade não compreende o que estamos expressando nas decisões judiciais, não é um problema da sociedade, mas do Judiciário. Vamos superar os desafios e encontrar um equilíbrio na elaboração dos votos, sempre buscando a melhor compreensão e o teor técnico da norma”.
A juíza de Direito do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), Michelle Amorim Sancho Souza Diniz, que é mestra em Direito Constitucional pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e em Direito e Poder Judiciário pela Escola Nacional de Formação de Magistrados, foi a primeira palestrante. Ela trouxe uma contextualização sobre o período da pandemia de Covid-19, que inspirou mudanças em procedimentos dentro do Judiciário. “A pandemia começou a nos suscitar uma série de questionamentos que nos levaram a novas inquietudes. Com os atos sendo realizados em formato virtual, começamos a pensar em uma comunicação, sendo que a primeira delas foi mostrando como ingressar em uma sala virtual utilizando a linguagem simples, para que as pessoas não perdessem as audiências. Depois, fizemos também sobre a teleperícia, com orientações de como ocorreria”.
Ela também falou sobre a mudança de comportamento. “Esses dias estava fazendo uma decisão e quase coloquei uma expressão em latim e parei, repensei e coloquei de uma forma mais clara, para que todos entendessem. Temos uma técnica, mas também precisamos ter empatia com o usuário externo quando estamos escrevendo uma decisão ou fazendo uma audiência. Também tenho uma preocupação com o público interno, porque são os servidores e colaboradores que fazem a máquina rodar”, frisou a juíza Michelle Amorim Sancho Souza Diniz.
Na sequência, o juiz de Direito do TJ de Rondônia, Jorge Luiz Gurgel Amaral, também abordou o assunto. Ele é doutorando em Direito Constitucional pelo IDP e mestre em Direitos Humanos e Desenvolvimento da Justiça pelo Programa de Mestrado Profissional Interdisciplinar. “Tenho testemunhado de perto os desafios que a complexidade da linguagem pode trazer para o acesso à justiça. Antes, havia iniciativas isoladas, mas foi uma coisa que sempre me instigou, apresentei um glossário de movimentos processuais e de linguagem jurídica com linguagem acessível. No doutorado continuo com essa pesquisa, de forma empírica junto a magistrados do TJ-RO e, posteriormente, junto aos usuários para aferir se a ferramenta contribui para a confiança no sistema de justiça. Em dezembro de 2023, tivemos 10 votos utilizando linguagem simples, aumentamos gradativamente, e hoje, no gabinete da 1º Turma Recursal, a maioria dos votos são disponibilizados assim”, elencou.
O palestrante também destacou que a sociedade está cada vez mais complexa e que a Justiça Eleitoral desempenha um papel fundamental. “A linguagem jurídica possui características únicas que podem tornar os textos de difícil compreensão geral. A linguagem simples prioriza a clareza, a concisão e facilidade de compreensão, de forma a eliminar jargões desnecessários e estruturas complexas, é uma necessidade democrática. Expressões como ‘outrossim’, ‘destarte’, ‘vislumbrar’, são exemplos de termos perfeitamente suprimíveis. É fundamental utilizarmos frases curtas e estruturas diretas. Simplicidade e clareza são termos que se completam e são indissociáveis”, acrescentou o juiz.
O artista, facilitador e consultor em inovação, Sidan Orafa, foi o terceiro palestrante. Ele, que é especialista em Inteligência Visual, disse que inovar é algo ambivalente. “Estamos sempre diante de um risco. O comportamento de inovar é a atitude de fazer algo como ainda não tinha sido feito, mas é preciso fazer isso dentro de um contexto que traga margem de segurança. Começamos fazendo a simplificação de uma decisão jurídica de nove páginas, para uma única página com representação gráfica. Não estou falando de substituir a linguagem, mas o trabalho é sobre a funcionalidade, sair do texto e incorporar elementos para ter algo compreensível. Isso significa utilizar o design como ferramenta de resolução de problemas, é o uso da linguagem W, verbal-visual, que dá suporte para o entendimento”.
Dessa forma, segundo ele, é possível eliminar a complexidade, ampliar o alcance da mensagem e promover a dignidade das pessoas. “A dignidade da pessoa humana ocorre se ela tem acesso a informação adequada e capacidade de discernir como agir. Devemos considerar o receptor da nossa informação. Trata-se de uma mudança de comportamento. A linguagem simples pode ser aplicada em vários níveis: Artefatos, processos, serviços e políticas públicas”, exemplificou Sidan Orafa.
O juiz da 1ª Zona Eleitoral de Cuiabá, Jamilson Haddad Campos, que coordena o Grupo de Trabalho de linguagem simples no 1º Grau, parabenizou os palestrantes. “Os conteúdos abordados foram fundamentais para nossa ampliação na busca pela linguagem simples no nosso Tribunal. Nossa presidente está concentrada, empenhando esforços para que consigamos melhorar nossa comunicação. Gostei muito da proposta de ter a arte aliada à técnica, que gerou um documento com precisão e informação, porque vemos uma democracia que é do povo para o povo, e quando permitimos que ele compreenda e consiga verbalizar, vemos uma verdadeira mudança de paradigmas”.
Também participaram da palestra a assessora técnica da Corregedoria Regional Eleitoral (CRE-MT), Sueli Shimada, representando a corregedora regional eleitoral, desembargadora Serly Marcondes Alves, e o vice-diretor da EJE-MT, juiz-membro Eustáquio Inácio de Noronha Neto.
Jornalista: Nara Assis
#PraTodosVerem: Imagem que mostra a captura de tela do computador, com as imagens dos palestrantes e participantes pequenas, uma ao lado da outra. Na parte inferior, tem uma faixa verde na qual está descrito o nome da palestra, a data e a identificação do TRE-MT.
Fonte: TRE – MT
MATO GROSSO
Ex-funcionária da câmara de Sinop relata assédio, ameaças e gravações não consentidas envolvendo vereador Marcos Vinícius
Published
5 dias agoon
21 de setembro de 2026By
Da Redação
Uma ex-funcionária da Câmara Municipal de Sinop relatou episódios de assédio, ameaças e supostas gravações não consentidas pelo vereador Marcos Vinícius Borges (PSDB). A denúncia foi divulgada pelo portal Pauta Livre MT e também já registrada na Delegacia da Polícia Civil de Sinop, que investiga o caso.
De acordo com o relato da ex-servidora que trabalhava no gabinete do vereador Marcos Vinícius, o contato com o parlamentar teria começado em ambientes sociais e evoluído para uma aproximação pessoal. Pouco tempo depois, segundo ela, Marcos a teria convidado para trabalhar na Câmara Municipal, onde ela iniciou as atividades em 2026.
A ex-funcionária afirmou que, durante a convivência, o vereador teria falado sobre fetiches de ser corno e comportamentos que não seriam compatíveis com os valores dela. Ainda conforme o depoimento, ele teria insistido em práticas com as quais ela não concordava, mesmo após ela manifestar resistência.
Um dos episódios relatados teria ocorrido dentro da própria Câmara de Vereadores. A ex-funcionária afirma que um amigo do vereador teria ido até a sala onde ela estava sozinha a mando dele, segurado sua perna e feito investidas de cunho sexual para forçar a realização do fetiche.
Segundo ela, o homem teria dito que a contratação dela fazia parte de um “jogo” e que a intenção seria que ela se envolvesse com os dois. A ex-servidora disse que pediu para que ele parasse e deixasse a sala.
Após o episódio, a mulher contou que teria procurado Marcos Vinícius para relatar o ocorrido. Conforme a denúncia, inicialmente o vereador teria negado que a situação fizesse parte de qualquer plano, afirmando que teria ficado surpreso e triste com a atitude do amigo.
A ex-funcionária também declarou que chegou a utilizar o celular de uma amiga para registrar conversas relacionadas aos fatos.
Ameaças envolvendo imagens íntimas
O principal ponto da denúncia diz respeito a supostas ameaças relacionadas a imagens íntimas captadas por câmeras de segurança. A ex-funcionária afirma que teria mantido uma relação sexual com o vereador em um imóvel onde havia uma câmera, cuja existência, segundo ela, não era conhecida nem autorizada.
Ainda conforme o depoimento, depois que decidiu encerrar o relacionamento e manifestou o desejo de continuar trabalhando, ela teria sido ameaçada por um amigo do vereador, que teria dito que ela deveria deixar o ambiente de trabalho.
A mulher relatou que, em uma conversa com Marcos Vinícius, teria pedido para que as ameaças cessassem. Segundo ela, nesse momento o vereador teria mencionado a possibilidade de divulgar vídeos íntimos registrados por câmeras de segurança.
“Em nenhum momento isso foi consensual”, afirmou a ex-funcionária durante o depoimento. Ela também declarou que teria sido ameaçada para não denunciar o caso e que o vereador teria dito conhecer muitas pessoas influentes, além de afirmar que a palavra dela não teria impacto.
Relatos sobre outras mulheres
Durante a entrevista, a ex-servidora também fez acusações envolvendo outras mulheres. Ela afirmou ter tomado conhecimento de relatos de supostos abusos, ameaças, manipulação e exposição de imagens íntimas.
Entre as denúncias mencionadas estão casos que envolveriam adolescentes. A ex-funcionária relatou que uma menina que teria sido abusada aos 11 anos e que, posteriormente, precisou deixar Sinop. Também mencionou outra adolescente que, segundo ela, teria sido abordada com mensagens e propostas de natureza sexual.
A ex-funcionária declarou ainda que o vereador teria mostrado a ela um vídeo íntimo envolvendo uma antiga namorada. Segundo o relato, a gravação teria sido feita durante uma situação sexual com outros homens, sem que a mulher tivesse autorizado a divulgação do conteúdo.
Medo e pedido de Justiça
A denunciante afirmou que está psicologicamente abalada e que teme sofrer novas ameaças ou algum tipo de represália. Apesar disso, disse ter decidido falar publicamente por acreditar que outras possíveis vítimas também precisam de apoio e proteção. “Se eu me calo, eu calo outras mulheres”, declarou.
Ela pediu que as autoridades investiguem os relatos e ofereçam acolhimento psicológico às supostas vítimas. Também afirmou esperar que a Justiça apure as denúncias relacionadas a mulheres e adolescentes.
A investigação está sob responsabilidade da Delegacia da Polícia Civil de Sinop. A divulgação da denúncia pelo Pauta Livre MT ocorre com base no depoimento da ex-funcionária.
Boletim de ocorrência Cliquei aqui!!!
Veja o vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=eLdusAvyKL0
Fonte: Denuncia
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