As forças de segurança de Mato Grosso geraram um prejuízo estimado em R$ 574 milhões às facções criminosas com a apreensão de cerca de 36 toneladas de entorpecentes entre janeiro e setembro de 2025. De acordo com dados consolidados pela Superintendência do Observatório de Segurança Pública, neste período foram apreendidas 15,4 toneladas de maconha, 13,3 toneladas de cocaína e 7,9 toneladas de pasta base.
No mesmo período de 2024, o total de drogas apreendido foi de 26 toneladas, o que representa um aumento de 41% nas apreensões em 2025. No ano passado, as operações resultaram em um prejuízo de R$ 441 milhões às facções criminosas.
As ações contaram com a participação da Polícia Militar, Grupo Especial de Fronteira (Gefron) e Polícia Judiciária Civil, além de operações integradas com forças federais e agências de inteligência.
O secretário de Estado de Segurança Pública, coronel PM César Roveri, ressaltou que as apreensões de drogas realizadas pelas forças policiais representam um prejuízo direto na estrutura financeira das facções criminosas.
“Sabemos que o tráfico de drogas é uma das principais fontes de arrecadação desses grupos. Ao intensificarmos a repressão e retirarmos grandes quantidades de entorpecentes de circulação, estamos enfraquecendo essas facções e comprometendo sua capacidade de atuação”, afirmou o secretário.
Roveri destacou ainda que os resultados expressivos são reflexos dos investimentos contínuos do Governo do Estado na segurança pública.
“O aumento nas apreensões é consequência do fortalecimento das forças de segurança, que hoje contam com equipamentos modernos, viaturas novas e tecnologia avançada. Tudo isso nos permite oferecer uma resposta à altura das facções criminosas e garantir mais segurança para a população mato-grossense”, completou.
Balanço
Desde 2019, as apreensões de drogas vêm crescendo no estado. Naquele ano, foram retiradas de circulação 12,2 toneladas, passando para 18 toneladas em 2020. Em 2021, o número saltou para 31,2 toneladas, seguido por 31,8 em 2022; 26,2 em 2023 e 41,2 toneladas em 2024.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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