Duas escolas da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso estão entre as cinco unidades contempladas na 2ª edição do Prêmio “Ponte para o Trabalho”. A iniciativa nacional reconhece instituições educacionais, empresas e órgãos que mais apoiam nas vagas de estágios.
Para a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), o resultado reforça o compromisso da rede estadual com a valorização do protagonismo juvenil e a integração entre teoria e prática no ambiente escolar.
A cerimônia de premiação foi realizada em São Paulo, com a presença de representantes de órgãos e instituições de todo o país. Na oportunidade, foi realizada a entrega de 15 troféus para as instituições que se destacaram pelo maior número de estudantes contratados em 2024 como estagiários por mediação do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE).
As escolas de Mato Grosso premiadas foram Escola Estadual Albert Einstein, localizada em Guarantã do Norte, com 148 alunos cadastrados para estagiários, e Escola Estadual Ulisses Guimarães, em Campo Verde, com 123 contratados. As unidades receberam o troféu pela categoria Ensino Médio, em 4º e 5º lugar, respectivamente.
Em 1º lugar, ficou a Escola Estadual Celina Saraiva – Esplanada/BA; em 2º, a Escola Estadual Antônio de Costa Brito – Acajutiba/BA e em 3º lugar, a Escola Estadual de Tempo Integral de Santa Inês – Santa Inês/BA.
Para o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, a conquista é resultado de uma política educacional focada em preparar os estudantes para os desafios da vida profissional.
“Esse prêmio mostra que nossas escolas estão alinhadas às demandas contemporâneas, estimulando nos alunos a capacidade de empreender, inovar e se inserir no mundo do trabalho com responsabilidade e criatividade”, destacou.
Nesta edição, o prêmio “Ponte para o Trabalho” trouxe uma pesquisa com dados inéditos exibida pelo Instituto Locomotiva e apresentação do presidente do Instituto, Renato Meirelles.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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