O Governo de Mato Grosso investe R$ 3 milhões para financiar a execução de obras de recuperação de bens imóveis tombados no Estado, por meio da 2ª edição do edital MT Preservar, que é promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel).
Com o objetivo de preservar o patrimônio histórico e cultural mato-grossense, a seleção pública vai contemplar 10 projetos com valores de até R$ 300 mil. As inscrições foram prorrogadas até o dia 30 de junho.
“Os recursos do edital podem ser usados para qualquer intervenção que seja benéfica ao bem tombado, ou seja, para qualquer necessidade que possa torná-lo viável ao uso. Variados serviços poderão ser contemplados para garantir a preservação do imóvel”, destaca o superintendente de Preservação do Patrimônio Histórico e Museológico da Secel, Robinson de Carvalho Araujo.
Entre as propostas elegíveis estão, por exemplo, a recuperação de fachadas e coberturas, estabilização ou consolidação estrutural da edificação, obras para atender normas sanitárias e de acessibilidade. Também há previsão de custos com instalações elétricas e de prevenção e combate a incêndio e pânico, obras de retrofit, recuperação ou conservação de pisos, forros e esquadrias, e diversos outros serviços para recuperação do bem tombado.
Os recursos podem ser usados também para contratação de equipe técnica, gestão, serviços e materiais administrativos, laudos técnicos, materiais de construção e acabamento, entre outros itens citados no edital, que são necessários para a execução da obra.
Podem ser beneficiados imóveis tombados como patrimônio histórico em qualquer um dos três âmbitos federativos: municipal, estadual e federal. O risco de perda do imóvel é um dos critérios de análise com maior pontuação na fase de seleção.
Direcionada a pessoas jurídicas com e sem fins lucrativos, a inscrição no edital deve ser feita exclusivamente pela internet, com o preenchimento integral do formulário de inscrição online e envio de toda a documentação e anexos obrigatórios. Os documentos estão disponíveis no site da Secel.
“Na primeira edição, o MT Preservar possibilitou a recuperação de dezenas de edificações tombadas em várias regiões do Estado. Agora, mais bens culturais poderão ser recuperados com essa nova seleção que busca proteger e preservar a história do povo mato-grossense”, enfatiza o secretário adjunto de Cultura da Secel, Jan Moura.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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