O laboratório da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) recebeu do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) a certificação ISO/IEC 17025:2017, uma das mais importantes normas do sistema internacional de qualidade. A certificação atesta a competência técnica do laboratório de ensaios ambientais em produzir resultados precisos, confiáveis e rastreáveis.
“A certificação do Inmetro demonstra que o laboratório da Sema opera com padrão internacional de qualidade. É resultado direto do compromisso do Governo de Mato Grosso e do trabalho dedicado de nossos servidores, que garantem análises confiáveis para a gestão ambiental do Estado”, ressaltou a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti.
Segundo o coordenador de monitoramento da água e do ar da Sema, Sérgio Figueiredo, o laboratório foi avaliado pelo Inmetro em cerca de 10 parâmetros, incluindo todas as amostragens de água superficial e efluentes domésticos e/ou industriais (esgotos).
O sistema de gestão da unidade também passou análise. Foram observados os critérios adotados pelo órgão ambiental para controle de documentos e registros, além de questões relacionadas ao tratamento de ocorrências de não conformidades.
“Os requisitos da norma ISO atestam que os laboratórios seguem os mais rigorosos controles, para assegurar a confiabilidade dos ensaios. Os laboratórios precisam ter rastreabilidade de todos os instrumentos utilizados nas análises, implementar controles de qualidade, controlar condições ambientais que podem afetar os ensaios, e participar de ensaios de proficiência”, explicou o coordenador.
Conforme o coordenador, o resultado da avaliação demonstra o compromisso da Sema em seguir rigorosos padrões de qualidade analítica internacionais, atestando a confiabilidade de seus procedimentos e garantindo a segurança jurídica para os documentos emitidos para os solicitantes de ensaio junto à Sema.
“É um esforço difícil de ser alcançado por um laboratório público, o que atesta ainda mais o empenho da equipe em proporcionar ensaios de qualidade para a gestão ambiental”, acrescentou.
Atuação
Em 2025, o laboratório da Sema analisou cerca de 840 amostras, estimando cerca de 15.000 análises de parâmetros físicos, químicos e biológicos em amostras ambientais. Foi realizado o monitoramento da qualidade da água em 112 estações distribuídas em rios de todo o estado, realizada a campanha de balneabilidade em 41 praias de rios, além de diversos atendimentos a denúncias de poluição dos recursos hídricos para órgãos como a própria Sema, Politec, Ministério Público Estadual e prefeituras
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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