MATO GROSSO
Secretária da EJE-MT participa do Congresso do Colégio de Dirigentes das Escolas Judiciárias Eleitorais
Publicado em
10 de dezembro de 2024por
Da Redação
O XXII Congresso do Colégio de Dirigentes das Escolas Judiciárias Eleitorais (Codeje) debateu assuntos como igualdade racial, cooperação no Judiciário, pacificação das eleições e avanços tecnológicos. O evento foi realizado entre os dias 04 e 06 de dezembro, no Palácio da Democracia, sede do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
A secretária da Escola Judiciária Eleitoral de Mato Grosso (EJE-MT), Janis Eyer Nakahati, participou do Congresso e fez um balanço positivo. “O Codeje é um evento de suma importância para o aprimoramento e desenvolvimento da atividade das Escolas Judiciárias Eleitorais. É um espaço que permite o diálogo, a interação, a troca de experiências entre os dirigentes, sejam eles diretores, diretoras, coordenadores ou coordenadoras. Foram três dias de evento muito positivos no tocante ao alinhamento das estratégias para o desenvolvimento das boas práticas das EJEs para, assim, ampliar a atuação da Justiça Eleitoral”.
Ela destacou, ainda, a programação do encontro, com a abordagem de temas relevantes. “Tivemos palestras também proferidas por brilhantes palestrantes que enriqueceram muito o evento, trazendo temas bem atuais para reflexão, como paridade de gênero e igualdade racial, os avanços da tecnologia, o desafio das eleições, a cooperação judiciária e a melhoria dos serviços judiciários, por exemplo”, acrescentou Janis Nakahati.
Na sexta-feira (06.12), o ministro Cristiano Zanin fez um balanço das Eleições Municipai de 2024 e abordou sua gestão à frente da Escola Judiciária Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Mais uma vez a Justiça Eleitoral deve celebrar por ter entregue uma eleição tranquila, eficaz e ágil. Isso se deve ao compromisso, à responsabilidade, ao esforço e à dedicação de todos os seus servidores e colaboradores, um motivo de orgulho que não deve ser só da Justiça Eleitoral, mas de toda a sociedade brasileira”, afirmou o ministro.
À frente da EJE, o ministro destacou a parceria da Presidência do TSE e dos TREs, que possibilitou entregar o “TSE Facilita”, plataforma digital que simplifica o acesso a informações essenciais sobre as etapas que pessoas candidatas, equipes dos partidos políticos, magistratura eleitoral e assessorias técnicas e jurídicas enfrentam no período eleitoral. O magistrado também destacou a parceria com a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), que promoveu o curso de acessibilidade.
Entre os próximos passos da atuação da EJE-TSE destacados pelo ministro, estão a ampliação das parcerias e acordos de cooperação do TSE, tratativas de novos cursos com a Enfam, a promoção de diálogos e parcerias que possam contribuir com o avanço e consolidação das 27 escolas regionais e a retomada do diálogo para a realização de ações junto ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
No encerramento do XXII Codeje, o ministro do TSE, André Ramos Tavares, abordou a relevância da questão digital no contexto democrático brasileiro. “É fundamental construir um ambiente digital livre de excessos e fraudes para preservar a liberdade de expressão e fortalecer a democracia”, defendeu.
Ele destacou ações da Justiça Eleitoral no combate à desinformação, como o Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação, o Centro Integrado de Enfrentamento à Desinformação e Defesa da Democracia (Ciedde), o SOS Voto, disque-denúncia criado para receber relatos de mentiras e desinformação sobre o processo eleitoral, e o serviço de checagem, com reportagens em linguagem simples, sobre os principais temas em discussão nas redes sociais, na imprensa e nos aplicativos de mensagens chamado Fato ou Boato.
Já o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Benedito Gonçalves, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, entre setembro de 2022 e novembro de 2023, gravou um vídeo para o encerramento do encontro e ressaltou o papel das Escolas, enfatizando a importância de capacitar os magistrados para os desafios enfrentados antes, durante e depois das eleições. “Vivemos tempos difíceis e a educação e o conhecimento tornam-se pilares fundamentais para a construção da nossa democracia”, declarou.
Primeira ministra negra do TSE, Edilene Lôbo participou do evento por videoconferência e destacou que, “sem igualdade racial e paridade de gênero nos espaços de poder e na política, a democracia é falsa”. Recebida pela ouvidora da mulher do TRE-RJ, desembargadora Kátia Valverde, a ministra enfatizou o papel das Escolas no combate à violência sistemática que impede mulheres negras de ocupar espaços de poder. “O plano de ação do sistema EJE para o próximo ano tem que ter a paridade de gênero e a igualdade racial como prioridades centrais”, defendeu.
Boas práticas
Uma das novidades do XXII Codeje foi a eleição da melhor boa prática, que premiou projetos inovadores separados em dois eixos de atuação: cidadania e capacitação. Durante os três dias do evento, os participantes puderam conhecer as ações das EJEs de todo o país na exposição “Boas Práticas” e votar em sua favorita em uma urna eletrônica.

No eixo cidadania a EJE-RJ ficou em primeiro lugar, com o projeto #PartiuVotar, que leva palestras a escolas e incentiva o alistamento eleitoral de jovens de 16 e 17. O segundo lugar na categoria foi para o TRE-PR, com o projeto “Eleições 2024 – No caminho da paz”, campanha de combate ao discurso de ódio e em prol da inclusão de eleitoras(es) e mesárias(os) com deficiência. Na terceira colocação, houve empate entre o TRE-SE, com o projeto “Socioeducação e Cidadania”, que promove palestras e atendimento itinerante em unidades socioeducativas, e o TRE-TO, com o projeto “Inclusão sociopolítica dos povos indígenas”, que leva serviços eleitorais a comunidades indígenas.
No eixo capacitação, o TRE-RR foi o vencedor com o projeto “Especialização em financiamento de campanha e prestação de contas anuais e eleitorais”, seguido do TRE-BA com o projeto “Ciclo de debates – Eleições 2024”, ambas iniciativas voltadas para servidoras(es) e juíza(es). Já o projeto do TRE-GO “Você, candidata: comece por aqui”, que ficou em terceiro lugar, promove cursos sobre temas diversos relacionados a candidaturas, como propaganda eleitoral, e o combate à violência política de gênero, tendo como público-alvo candidatas e pré-candidatas.
Enfrentamento à desinformação
Representantes dos setores de comunicação social dos TREs propuseram ao Codeje que os programas socioeducativos realizados pelas Escolas Judiciárias Eleitorais de todo o país incorporem formalmente o enfrentamento à desinformação, por meio da abordagem de educação midiática, desenvolvida em parceria com a unidade responsável pela comunicação em cada regional.
Convidado pelo coordenador de Comunicação Social do TRE-RJ, Stéfano Salles, o assessor de comunicação do TRE-RS, Cleber Moreira, foi responsável por apresentar a proposta. O servidor da Justiça Eleitoral gaúcha destacou que há um avanço da desinformação nas redes sociais e um baixo índice de colaboração de algumas plataformas para a prevalência da verdade. “Entendemos que a melhor contribuição que podemos oferecer para o enfrentamento à desinformação é a oferta de informação correta e de qualidade, em linguagem atraente, atrelada a um projeto pedagógico que contribua para estimular e reforçar o senso crítico do eleitor desde a mais tenra idade”, afirmou Moreira.
A proposta foi debatida e aprovada, acrescentando a sugestão de articular com o TSE uma base metodológica em que o projeto seja estruturado.
Carta do Codeje
Ao término das discussões do XXII Congresso, a Carta do Codeje Rio foi entregue ao vice-presidente do Colégio, juiz membro efetivo do TRE-PA, Marcus Alan de Melo Gomes. Apresentado pela secretária-geral da EJE-SE, Lídia Cunha Mendes de Matos, o documento reúne sete propostas estratégicas para fortalecer as Escolas Judiciárias Eleitorais (EJEs) e a Justiça Eleitoral.
Entre as ações destacadas estão a criação de um canal de comunicação direto entre a Justiça Eleitoral e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a organização de um fórum nacional para sistematizar ações de capacitação e a inclusão das EJEs no plano de trabalho firmado entre a EJE-TSE e a Enfam, possibilitando maior acesso aos cursos oferecidos. As propostas da Carta serão encaminhadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para análise e deliberação. A íntegra do documento estará disponível em breve no site do Codeje.
Reflexões sobre democracia e o papel das EJEs
Na tarde de quinta-feira (05.12), o XXII Codeje foi marcado por debates que exploraram os desafios e avanços da democracia brasileira. A vice-diretora da Escola Judiciária Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (EJE-TSE), ministra Vera Lúcia Santana Araújo, destacou a necessidade de fortalecer a igualdade de gênero como base para a consolidação do Estado Democrático de Direito.
“A igualdade política de gênero é um pressuposto e um princípio básico da democracia”, afirmou a ministra, ressaltando que, embora as mulheres tenham conquistado avanços inegáveis ao longo das últimas décadas, ainda enfrentam obstáculos significativos, como a violência política de gênero e fraudes às cotas de participação feminina nas eleições.
A ministra também relembrou a eleição da primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Rousseff, em 2010, e destacou o baixo número de governadoras eleitas em 2022, apenas duas, como demonstrativo da necessidade de avanços. Vera Lúcia enfatizou o papel das Escolas Judiciárias Eleitorais (EJEs) na educação para a cidadania, reforçando que essa tarefa exige um olhar atento à equidade de gênero.
A programação teve ainda debates que analisaram o momento atual da democracia brasileira. Assessor do ministro do STF Flávio Dino, o procurador do estado Túlio Simões refletiu sobre as distorções democráticas, ressaltando como o sentimento de medo e insatisfação fomentou a ascensão do fanatismo antidemocrático. Ele destacou o papel das EJEs na disseminação de conhecimento como ferramenta contra a desinformação e o autoritarismo.
No mesmo painel, mediado pelo vice-diretor da EJE-RJ, desembargador eleitoral Bruno Bodart, o procurador da Fazenda Nacional e diretor da Escola da Advocacia-Geral da União (Esagu), João Carlos Souto, apresentou a Esagu e seu “Observatório da Democracia”, destacando iniciativas de combate à desinformação que podem ser colocadas em prática em parceria com as EJEs. Já o ex-membro do TRE-RJ, o procurador da Fazenda Nacional Allan Titonelli, enfatizou o caráter acessível da Justiça Eleitoral, considerada a mais próxima dos cidadãos.
O segundo painel do dia trouxe à tona um projeto da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep) voltado para a preservação da memória do direito eleitoral brasileiro. Apresentado pela presidente da Abradep, a professora titular da Uerj Vânia Aieta, pelo desembargador Ricardo Alberto Pereira e pelo servidor do TRE-RJ e curador do projeto, o historiador Maurício Duarte, o “Memória do Direito Eleitoral brasileiro: História audiovisual” tem enfoque na pluralidade e busca compreender o contexto sociopolítico brasileiro, fortalecendo a democracia por meio de aprendizados históricos.
A tarde teve ainda uma apresentação da secretária Judiciária do TRE-RJ, Ana Luiza Claro, sobre transformação digital e uso de inteligência artificial e ferramentas de Business Intelligence (BI) para otimizar a análise de processos. Ela apresentou a robô Judi-Bot, por exemplo, que automatiza etapas do processamento dos feitos até o julgamento, representando um marco na modernização da Justiça Eleitoral fluminense.
Por fim, a conselheira do CNJ, juíza Renata Gil, abordou os temas da desinformação e da violência política contra a mulher e o projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional para a regulação das redes sociais. A magistrada defendeu a atuação das Comissões de Assédio dos Tribunais e das Ouvidorias como espaços de combate à violência política de gênero.
XXIII Codeje
As(os) participantes do evento deliberaram que Maceió, capital de Alagoas, será o local do próximo Codeje, com data estimada para a segunda quinzena de março de 2025.
Jornalista: Nara Assis
(Com informações do TRE-RJ)
Fotos: TRE-RJ
#PraTodosVerem: Foto que mostra representantes das Escolas Judiciárias Eleitorais, de pé, atrás de estruturas que compõem o nome do evento. Atrás deles, tem um painel com a marca do evento.
Fonte: TRE – MT
MATO GROSSO
“Ficou muito melhor fazer o cadastro aqui com a ajuda da equipe”, afirmou pescador em Rondonópolis
Published
13 horas agoon
18 de junho de 2026By
Da Redação
A rotina de quem vive da pesca começa cedo, exige paciência e, muitas vezes, enfrenta desafios que vão além das águas dos rios. Em Rondonópolis, pescadores profissionais artesanais que participaram do cadastramento presencial do Repesca compartilharam histórias de trabalho, dificuldades e esperança durante a ação promovida pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT).
O atendimento ocorreu nos dias 17 e 18 de junho, no Ganha Tempo de Rondonópolis, com o objetivo de auxiliar pescadores na realização de novos cadastros e na atualização de informações para acesso ao programa. A iniciativa já passou pelos municípios de Poconé e Santo Antônio de Leverger e seguirá para Cáceres nos dias 22 e 23 de junho.
Foto: Darlene Marques | Setasc-MT
Morador de Rondonópolis, Laércio Dias conhece de perto a realidade de quem depende da pesca para sobreviver. Acostumado a pescar nas águas do Rio Vermelho, ele conta que o atendimento presencial facilitou o processo de cadastramento.
“Ficou muito melhor fazer o cadastro aqui com a ajuda da equipe. Sozinho é difícil, porque a gente nem sempre tem conhecimento para fazer tudo pela internet. Esse auxílio vai ajudar muito. Nós sofremos bastante com as dificuldades da pesca e com as mudanças que aconteceram nos últimos anos. Qualquer ajuda faz diferença dentro de casa”, afirmou.
A pescadora Lucinete Ferreira Batista também carrega uma história construída às margens dos rios da região. Moradora da comunidade Vila Nova, próxima a Juscimeira, ela conta que cresceu convivendo com a pesca e transformou a atividade em complemento essencial para a renda familiar.
Durante muitos anos, Lucinete enfrentou longas jornadas de canoa pelos rios da região. Chegava a permanecer três ou quatro dias pescando para conseguir vender o pescado e garantir recursos para despesas básicas da casa.
Foto: Darlene Marques | Setasc-MT
“Eu subia o rio de canoa e ficava dias pescando para conseguir um dinheirinho. Era assim que eu ajudava a comprar alimento, pagar energia e manter a casa. Minha renda era muito baixa e a pesca sempre ajudou a complementar”, relembrou.
Atualmente morando sozinha e vivendo com recursos limitados, ela acredita que o Repesca poderá trazer mais tranquilidade para o orçamento.
“Vai ajudar bastante. Hoje eu moro sozinha e tenho pouca renda. Tudo que vier para ajudar faz diferença. A pesca sempre foi minha vida e continua sendo minha forma de sobreviver”, disse.
A relação com os rios também faz parte da trajetória de Vanusa de Oliveira. Há mais de 15 anos na atividade, ela e o marido sustentaram a família por meio da pesca artesanal e criaram os filhos às margens dos rios da região.
Segundo Vanusa, a atividade se tornou mais difícil nos últimos anos, exigindo ainda mais esforço dos pescadores para garantir o sustento da família.
Foto: Layse Ávila | Setasc-MT
“No começo era mais fácil. A gente conseguia pescar mais e tirar o sustento da família. Hoje está mais difícil, mas continuamos lutando porque é da pesca que vivemos. Eu e meu marido dependemos disso para sobreviver”, relatou.
Mãe de cinco filhos, ela conta que toda a família foi criada com os recursos obtidos na atividade pesqueira. Atualmente, faz trabalhos temporários quando surgem oportunidades, mas ainda depende da pesca como principal fonte de renda.
“Minhas contas estão atrasadas e os bicos nem sempre aparecem. Muitas vezes passo o dia inteiro no rio para conseguir um peixe e garantir comida dentro de casa. Esse auxílio chega em uma hora importante e vai ajudar muito a nossa família”, afirmou.
O Repesca é destinado aos pescadores profissionais artesanais que exercem a atividade de forma autônoma, individualmente ou em regime de economia familiar, sem vínculo empregatício, e que tenham a pesca como principal meio de subsistência. A iniciativa do Governo de Mato Grosso busca garantir proteção social e apoio financeiro aos trabalhadores impactados pelas mudanças na atividade pesqueira.
Foto: Darlene Marques | Setasc-MT
Para os pescadores atendidos em Rondonópolis, o programa representa mais do que um auxílio financeiro. É o reconhecimento de uma atividade que há gerações garante o sustento de milhares de famílias mato-grossenses e mantém viva uma tradição construída às margens dos rios do Estado.
Fonte: Governo MT – MT
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