A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), em parceria com o Ministério da Saúde e Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems), realiza um seminário para discutir a reestruturação da Atenção Primária à Saúde (APS). Com o intuito de debater os novos indicadores de qualidade e critérios de financiamento, o evento ocorrerá nos dias 11 e 12 de setembro, no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá.
O seminário tem como objetivo apresentar e debater as prioridades da Atenção Primária no âmbito da gestão federal, em diálogo com as referências estaduais e municipais de Mato Grosso.
Neste evento, serão apresentados os novos indicadores do componente de qualidade do financiamento Federal da Atenção Primária à Saúde, bem como a apresentação das boas práticas dos indicadores no sistema de informação.
A coordenadora de Atenção Primária da SES, Regina Paula de Oliveira, destacou a importância do seminário para o atual cenário do estado.
“Este seminário é uma oportunidade fundamental para fortalecermos a Atenção Primária à Saúde em Mato Grosso. Discutir os novos indicadores de qualidade e os critérios de financiamento nos permite alinhar estratégias, qualificar a gestão e melhorar os serviços ofertados à população. Além disso, o evento promove a integração entre gestores, técnicos e profissionais da APS, favorecendo a troca de experiências”, destacou.
Confira a programação
Na quarta-feira (11), o evento acontecerá das 8h às 17h, com pausa para almoço das 12h30 às 14h. Neste dia será realizada a abertura do evento com o café da manhã e credenciamento dos participantes. Ao longo do dia serão debatidos os temas “Apoio estadual aos municípios na indução das boas práticas”, “Atenção Primária nos Territórios: equidade, vínculo e qualidade no cuidado”, “Gestão e Cuidado: conhecendo o Siaps” e “Gestão e cuidado: navegando o e-SUS APS” e atendimento a gestores (em paralelo).
Já na quinta-feira (12), o evento acontecerá das 8h às 16h, com pausa para o almoço das 12h30 às 14h. Neste dia será discutido temas como Boas Práticas na Saúde da Família, Boas Práticas na Atenção à Saúde Bucal e atendimento a gestores (em paralelo).
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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