O Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso (TRE-MT) está trabalhando para encorajar os eleitores indígenas a incluírem informações sobre raça, etnia e língua indígena no seu cadastro eleitoral. Este esforço faz parte de uma ampla iniciativa para promover maior inclusão e representatividade dos povos tradicionais nas urnas. Pelo levantamento interno do TRE-MT, apenas 965 eleitores se declararam como indígenas no Estado.
“Nós temos conversado diretamente com os Cartórios Eleitorais sobre a importância do correto preenchimento desses campos nos registros de eleitores. Temos pedido e orientado pela realização de mutirões para a revisão dos títulos eleitorais, garantindo que as identidades dos eleitores sejam adequadamente refletidas em seus documentos”, destacou a Corregedora Eleitoral e Vice-presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves.
Ela reforçou que “a indicação do pertencimento étnico no cadastro eleitoral é de suma importância para mantermos um retrato fiel do eleitorado brasileiro, inclusive para subsidiar ações voltadas aos povos indígenas”.
O alistamento eleitoral é um requisito obrigatório para que o cidadão possa votar e ser votado, caso decida se candidatar. Para os indígenas, o processo é o mesmo que para qualquer cidadão, embora haja algumas particularidades. O indígena que desejar votar mas não possuir os documentos oficiais exigidos pode apresentar como comprovante o registro administrativo expedido pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Importante destacar que a Justiça Eleitoral garante o alistamento facultativo para índios considerados isolados ou em vias de integração, de acordo com o Estatuto do Índio.
Segundo a Resolução nº 21.538/2003 do TSE, os índios alfabetizados devem se inscrever como eleitores, mas estão isentos do pagamento de multa por atraso no alistamento eleitoral. Esta resolução visa facilitar e incentivar a participação dos povos indígenas no processo democrático.
O TRE-MT busca promover a inclusão e a diversidade, criar um sistema eleitoral mais representativo e justo, onde todas as vozes são ouvidas e respeitadas.
Daniel Dino Assessoria TRE-MT
#PraTodosVerem: Imagem de uma servidora da Justiça Eleitoral fazendo o atendimento de um indígena. Entre os dois, uma mulher indígena acompanha o trabalho. Ao fundo, outros indígenas aguardam sentados pelo atendimento. A cena se passa em uma casa simples de madeira. Duas faixas verdes completam a imagem, uma na parte superior da foto traz a palavra integração, outra, no terço inferior, Cadastro Indígena.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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