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Audiência pública debate violência nas escolas mato-grossenses

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Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, nesta quinta-feira (11), uma audiência pública proposta pela deputada Sheila Klener (PSDB) para discutir medidas de prevenção e combate à violência nas escolas do Estado. O debate servira à formatação de um projeto de lei instituindo o mês de abril para o combate à violência nas escolas.

Sheila Klener destacou que a iniciativa busca construir diretrizes de segurança para proteger crianças e adolescentes em unidades de ensino públicas e privadas. Ela afirmou que o debate foi importante para ouvir especialistas e autoridades para compreender as causas da violência nas escolas e buscar soluções efetivas.

O debate, de acordo com Klener, precisa começar desde a educação infantil e se estender até o ensino superior, de forma transversal, envolvendo não apenas o ambiente escolar, mas também a estrutura familiar. “Com o diagnóstico é possível construir propostas robustas, capazes de orientar ações do governo do Estado e da própria Assembleia Legislativa para o enfrentamento das violências tanto nas escolas públicas de das escolas provadas”, disse Klener.

Ela afirmou que os casos de violência envolvendo crianças e adolescentes em Mato Grosso vão além dos ataques registrados em escolas, como os ocorridos em Suzano e Realengo. Segundo Klener, “muitas situações de risco surgem dentro ou no entorno das unidades de ensino, incluindo episódios de bullying, quando estudantes chegam a planejar agressões e até assassinatos”.

O superintendente da Agência Brasileira de Inteligência em Mato Grosso (Abin/MT), Felipe Midon, afirmou que o monitoramento das redes sociais e até mesmo de ambientes virtuais mais restritos, como a deep web (parte da internet utilizada para atividades ilegais) e a dark web (área oculta da internet), tem sido fundamental para prevenir episódios de violência.

Foto: ANGELO VARELA / ALMT

Segundo ele, muitos casos são identificados e neutralizados antes de se transformarem em ataques, seja por meio da atuação das forças policiais ou pela própria intervenção da gestão escolar. Midon lembrou ainda de situações em que sinais de radicalização foram detectados e encaminhados para acompanhamento psicológico, envolvendo famílias e escolas.

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Ele citou o episódio de Água Boa, em que uma adolescente, em contato com um jovem do Rio de Janeiro, acabou cometendo o assassinato dos pais, como exemplo da complexidade do tema. “A proteção de crianças e adolescentes é um dos poucos assuntos que unem todos os brasileiros, assim como o futebol em uma Copa do Mundo. A audiência de hoje mostra para a sociedade o trabalho dos órgãos de inteligência nesse esforço coletivo”, afirmou.

Convidada para o debate, a delegada da Polícia Civil de Mato Grosso, Alessandra Saturnino, afirmou que o enfrentamento à violência escolar exige o comprometimento não apenas do poder público, mas também da família e da sociedade. Segundo ela, é fundamental que os pais acompanhem o que seus filhos fazem dentro de casa, especialmente quando permanecem isolados em seus quartos, pois muitas vezes estão interagindo em ambientes virtuais de risco, como a dark web.

Alessandra alertou que o recrutamento de jovens para práticas violentas começa ainda na infância, e citou um caso recente em Mato Grosso em que dois adolescentes envolvidos em um episódio se conheceram por volta dos 8 anos de idade. Para a delegada, esse cenário demonstra que a atenção deve ser redobrada desde cedo, antes que situações mais graves se consolidem na adolescência.

De acordo com a delegada da Polícia Civil do Paraná, Natália Pereira Nichel, uma das convidadas para falar sobre a violência nas escolas, ressaltou à importância do olhar atento de diversos atores no enfrentamento à violência escolar, sobretudo quando envolve crianças e adolescentes em processo de desenvolvimento. Ela afirmou que não existe uma solução única para o problema, sendo necessária a corresponsabilidade do Estado, das escolas e, principalmente, das famílias.

“Desde 2023, os órgãos de segurança pública do Paraná realizam ações preventivas chamada Operação Presença, voltada para visitas a escolas em todo o Estado. Cada município é responsável por definir rotas para que unidades de ensino sejam acompanhadas durante um período específico, geralmente em abril, como forma de transmitir segurança a alunos, pais e professores diante da circulação de ameaças em redes sociais e da propagação de fake News”, afirmou Nichel.

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Com a participação remota, o oficial de inteligência da Abin, Vinícius Monhós Ferreira, explicou que sua exposição foi dividida em quatro partes: inicialmente, apresentou os marcos teóricos que orientam a atuação da agência, destacando o foco de monitoramento e prevenção.

Em seguida, abordou os principais eventos ideológicos e os espaços on-line que funcionam como ambiente de radicalização; depois, trouxe dados coletados pela Abin e por outros órgãos, como o Ministério da Educação e, por fim, apresentou políticas públicas nacionais que têm sido aplicadas para prevenir ataques violentos em escolas.

Segundo ele, a partir de 2022, ficou evidente que os processos de radicalização ligados a ataques escolares apresentam semelhanças com outros tipos de violência, tanto na ideologia quanto na dinâmica de propagação, o que exige uma abordagem integrada de segurança e prevenção.

Para a deputada Janaína Riva (MDB) é imprescindível a necessidade de união entre os diferentes setores do Estado no enfrentamento à violência nos ambientes escolares. Ela defendeu a criação de um Conselho Gestor específico para unificar ideias e ações que hoje são conduzidas de forma isolada por órgãos como a educação, segurança pública e entidades parceiras.

Janaína citou como exemplo a Escola Dom Pedro II, em Rondonópolis, gerida pelo Corpo de Bombeiros, que adota sistema de monitoramento em todos os espaços, o que poderia ser replicado em outras unidades de ensino. A parlamentar relatou ainda sua visita à estudante agredida em Alto Araguaia e alertou para a banalização da violência entre crianças, que já encaram agressões físicas e psicológicas como parte da rotina escolar.

Fonte: ALMT – MT

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Leis aprovadas pela ALMT reforçam combate ao cigarro e alertam sobre riscos do vape à saúde

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O Dia Mundial sem Tabaco, lembrado em 31 de maio, reforça a importância da conscientização sobre os danos causados pelo cigarro convencional e pelos dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como vapes, pods ou cigarros eletrônicos. Em Mato Grosso, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) possui legislações voltadas à proteção da saúde pública e ao combate ao tabagismo, além de promover ações de cuidado e prevenção por meio do QualiVida – Programa de Saúde e Qualidade de Vida da ALMT.

Entre as legislações em vigor está a Lei nº 9.256/2009, que proíbe o consumo de cigarros, charutos, cachimbos e outros produtos fumígenos em ambientes coletivos públicos e privados fechados no estado. A norma também determina a criação de ambientes livres de fumaça e prevê medidas de fiscalização e orientação.

Mais recentemente, a Assembleia aprovou a Lei nº 12.302/2023, de autoria da deputada estadual Sheila Klener (PSDB), que ampliou as restrições aos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), proibindo o uso de cigarros eletrônicos em ambientes coletivos. A legislação inclui produtos conhecidos como e-cigarettes, vapes e pods, utilizados como alternativa ao cigarro convencional ou apresentados como tratamento para o tabagismo.

Para o pneumologista João Paulo Jajah Nogueira, que atua no QualiVida da ALMT, além do tratamento, as políticas públicas e a informação de qualidade são fundamentais no combate ao tabagismo.

“As leis que restringem o uso do cigarro e dos dispositivos eletrônicos ajudam a proteger a população, reduzem a exposição passiva à fumaça e contribuem para evitar que o hábito de fumar seja normalizado entre adolescentes e jovens”, destacou.

O médico alerta que o tabagismo continua sendo uma das principais causas evitáveis de doenças e mortes no mundo.

“O cigarro contém milhares de substâncias tóxicas, muitas delas cancerígenas. A nicotina provoca dependência intensa, enquanto outras substâncias causam inflamações, lesões pulmonares e doenças cardiovasculares”, explicou.

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Segundo o especialista, entre as doenças mais associadas ao tabagismo estão câncer de pulmão, bronquite crônica, enfisema pulmonar, infarto, AVC e hipertensão arterial. Ele também destacou os prejuízos causados pelo tabagismo passivo.

“Pessoas que convivem diariamente com fumantes também adoecem. Crianças, idosos e gestantes estão entre os mais vulneráveis aos efeitos da fumaça”, afirmou.

O pneumologista chama atenção ainda para o crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens adultos. Apesar de muitas vezes serem divulgados como menos prejudiciais, os dispositivos eletrônicos apresentam riscos graves à saúde.

“Muitos jovens acreditam que estão inalando apenas vapor de água, mas esses dispositivos possuem nicotina, metais pesados e substâncias químicas capazes de causar inflamação pulmonar importante e dependência química”, alertou João Paulo.

Entre os principais problemas associados ao uso de vape estão tosse persistente, falta de ar, irritação das vias respiratórias, agravamento da asma, bronquite e até lesões pulmonares graves, conhecidas internacionalmente como EVALI (Lesão Pulmonar Associada ao Uso de Cigarro Eletrônico ou Vape).

Na prática clínica, segundo o médico, também é comum o chamado “uso dual”, quando a pessoa utiliza simultaneamente o cigarro convencional e o eletrônico, aumentando ainda mais os danos à saúde.

João Paulo ressalta que não existe forma segura de fumar e destaca que parar de fumar é uma das decisões mais importantes para a qualidade de vida e prevenção de doenças.

“O tratamento da dependência da nicotina muitas vezes exige acompanhamento médico e psicológico. O mais importante é buscar ajuda e entender que recaídas podem acontecer durante o processo”, orientou.

A experiência de quem conseguiu abandonar o vício reforça os benefícios dessa decisão. O técnico em mecânica industrial e refrigeração comercial, Roberto Tsuzuki Müller, de 55 anos, fumou dos 18 aos 48 anos e está há sete anos sem fumar. Ele conta que a decisão de abandonar o cigarro foi motivada por uma série de acontecimentos familiares e pela percepção dos impactos do tabagismo em sua rotina.

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“Uma sequência de mortes e casos de câncer entre familiares me fez refletir. Minha esposa também fumava e parou após perder o pai para a doença. Eu comecei a me sentir mal por causa do cheiro do cigarro e percebi que precisava mudar. Usei adesivos de nicotina, mas, acima de tudo, é preciso ter decisão. Para largar o cigarro, a pessoa precisa realmente querer. Precisa ser de opinião”, relatou.

Embora praticasse atividades físicas regularmente, como ciclismo e downhill, Roberto conta que não sentia falta de ar nem limitações que o levassem a pensar em abandonar o cigarro. Com o passar do tempo, porém, outros efeitos do tabagismo passaram a incomodá-lo cada vez mais, como o cheiro impregnado nas roupas e a perda do prazer de sentir o sabor dos alimentos.

“O que mais senti quando parei foi o prazer de comer e perceber melhor o sabor dos alimentos. Também me senti mais limpo. O cigarro deixa a pessoa com mau hálito, dentes amarelados e uma sensação constante de sujeira. Além disso, existe o gasto financeiro, que acaba pesando com o tempo”, destacou.

Embora não tenha precisado de acompanhamento psicológico para abandonar o vício, ele considera o suporte profissional importante para muitas pessoas que enfrentam dificuldades durante o processo.

“Eu não precisei de ajuda psicológica, mas considero fundamental para quem está tentando parar. Cada pessoa tem uma experiência diferente e todo apoio pode fazer a diferença”, afirmou.

A mensagem que Roberto deixa para quem ainda fuma ou utiliza dispositivos eletrônicos é direta: “Pare antes que seja tarde. O cigarro convencional, assim como o cigarro eletrônico, é desnecessário e traz graves riscos à saúde”.

Fonte: ALMT – MT

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