Política MT
Secretário de saúde presta esclarecimentos à ALMT sobre atraso em pagamentos e suspensão de serviços de saúde
Publicado em
14 de novembro de 2023por
Da RedaçãoO secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, prestou esclarecimentos à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), nesta segunda-feira (13), a respeito do atraso no pagamento de empresas prestadoras de serviços de unidades vinculadas à Secretaria de Estado de Saúde (SES), que ocasionou a suspensão de parte dos atendimentos. O comparecimento à Casa de Leis atendeu à convocação feita pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT) e ocorreu durante reunião no Colégio de Líderes.
Entre as unidades que suspenderam parte dos atendimentos estão os Hospitais Regionais de Colíder, Sinop, Sorriso, Rondonópolis e Cáceres, além do Hospital Estadual Santa Casa. Presente na reunião, o vereador de Sorriso, Leandro Daminani (PSDB), reivindicou a retomada dos atendimentos pediátricos, de neurocirurgia, cirurgia vascular e de hemodiálise na UTI do Hospital Regional do município, que estão suspensos há cerca de 60 dias.
Gilberto Figueiredo afirmou que a Secretaria de Estado de Saúde encontrou inconsistências nos processos de pagamentos encaminhados por empresas prestadoras de serviços médicos e hospitalares e solicitou que fossem realizadas correções. Segundo ele, os documentos reencaminhados com as devidas correções já foram pagos ou estão em processo de pagamento.
“O Governo do Estado não possui programa de caixa para fazer os pagamentos. O problema é a burocracia”, assegurou.
O secretário explicou que as empresas contratadas devem apresentar um relatório de faturamento mensal detalhado sobre o objeto contratado e seus itens e o pagamento é efetuado somente após a nota fiscal/fatura ser devidamente atestada pela gerência responsável pela fiscalização do contrato, sendo retidos os valores correspondentes a serviços cujas execuções não estiverem em conformidade com o pactuado em contrato.
“Como nós aprimoramos os sistemas de controle tendo como base as recomendações de órgãos como a Controladoria Geral do Estado (CGE), o Tribunal de Contas (TCE) e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS, estamos fazendo cobranças para que os objetos sejam cumpridos integralmente. Isso gera um desconforto administrativo e algumas empresas não concordam com o fato de aquilo que está estabelecido no contrato ser um exercício pedagógico de melhoria em todos os processos. Por isso, alguns fornecedores que não cumpriram essas cláusulas contratuais tiveram um certo lapso de recebimento, mas nós fizemos mais de 600 pagamentos nesses últimos dois meses e praticamente já estamos chegando à regularidade total com os pagamentos do mês de setembro de quase todas as empresas”, declarou.
Além de eventuais questionamentos acerca das informações prestadas, o secretário apontou o atraso na apresentação do relatório de faturamento mensal por parte das empresas como um dos principais fatores que resultam na demora para efetivação do pagamento por parte do governo. Segundo ele, menos de 5% das empresas contratadas cumprem o prazo para apresentação do documento.
Novas contratações – Gilberto Figueiredo ponderou ainda que “alguns serviços acabam tendo um lapso de funcionamento” quando uma empresa interrompe o contrato e o governo precisa fazer uma nova contratação.
“A contratação de um novo prestador de serviço é feita de forma emergencial ou através de um pregão, que demanda tempo, mas nós estamos buscando solucionar todos os problemas existentes neste momento. Acabamos de fazer 11 licitações para mais de 20 serviços especializados em hospitais”, disse.
Concurso público – O deputado Lúdio Cabral criticou o modelo de gestão adotado pelo estado e defendeu a realização de concurso público na Saúde. Segundo o parlamentar, há atualmente 7.781 cargos vagos na Secretaria de Estado de Saúde.
“O estado adotar como regra contratação emergencial, pagamento indenizatório, por praticamente cinco anos não está correto e é nisso que está a raiz dos problemas identificados hoje no funcionamento dos hospitais. O prestador privado, contratado emergencialmente ou contratado de forma indenizatória, não tem um vínculo formal estabelecido por um determinado tempo com aquele serviço e os procedimentos para você avaliar o cumprimento das tarefas desse prestador são mais frágeis, então o estado precisa mudar esse modelo de gestão dos hospitais sob a sua responsabilidade para que a gente não vivencie um colapso de fato”, ressaltou.
O secretário Gilberto Figueiredo informou que o governo já autorizou a realização de concurso público para preenchimento de 406 vagas de cadastro de reserva de diversas áreas. No entanto, na avaliação de Lúdio Cabral, a medida será insuficiente para atender a demanda.
“Infelizmente, é uma decisão política do governador do estado de seguir esse modelo de gestão na saúde. Eu sou absolutamente contrário a essa lógica, porque é esse modelo que gerou situações que levaram a operações policiais na saúde estadual. Se nós realizarmos concurso público e suprirmos as vagas com profissionais concursados, esse profissional, ao longo do tempo, assegura qualidade, continuidade e um custo muito menor para o atendimento à população, a exemplo do Hospital Júlio Müller, argumentou.
Especialidades – A deputada Janaina Riva (MDB) destacou a importância do diálogo com o governo para compreensão de eventuais gargalos que possam estar prejudicando a continuidade dos atendimentos.
“A nossa preocupação é somente o que está acontecendo com relação às especialidades. É só essa questão do atraso? É falta de fluxo de caixa das empresas ou existe também da nossa parte, como estado, essa questão da burocracia que está amarrando e faz com que as empresas considerem desinteressante assumir aqui essas especialidades? Acho que o principal objetivo é esse: tentar desvendar esse cenário, que é complexo”, pontuou.
Fonte: ALMT – MT
Política MT
No STF, Diego Guimarães defende pacto entre MT e Pará para garantir atendimento às famílias da região de fronteira
Published
1 hora agoon
10 de junho de 2026By
Da Redação
O deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos) participou, nesta quarta-feira (10), em Brasília (DF), da audiência de conciliação promovida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir os impactos da definição dos limites territoriais entre Mato Grosso e Pará.
Representando o Norte de Mato Grosso, uma das regiões diretamente afetadas pela disputa, Diego Guimarães defendeu que o debate avance além da questão territorial e tenha como foco principal a população que vive na faixa de fronteira e depende dos serviços públicos prestados por municípios mato-grossenses.
Ao avaliar o encontro, o deputado classificou a audiência como produtiva e destacou a disposição das partes em buscar uma solução consensual para o impasse.
“A audiência foi muito positiva. A iniciativa de buscar uma conciliação demonstra disposição para encontrar uma solução para esse impasse. O que eu percebi é que o Pará está muito focado na questão territorial, na discussão sobre a terra. Mato Grosso sustenta que essa área pertence ao nosso estado, mas essa é uma questão que pode ser resolvida por estudos técnicos e perícias. Nossa principal preocupação são as pessoas que vivem naquela região”, afirmou.
Pacto federativo – Durante a audiência, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) apresentou a proposta de construção de um pacto federativo entre Mato Grosso e Pará. A iniciativa prevê um acordo de cooperação entre os estados para garantir segurança jurídica aos gestores públicos e permitir a continuidade dos serviços prestados às comunidades localizadas na área em disputa.
“A minha proposta é justamente construir um pacto, um acordo de colaboração entre os estados. Um instrumento que dê segurança jurídica e legalidade para que os prefeitos da região e o próprio Estado de Mato Grosso possam continuar atendendo essa população que, na prática, já depende dos serviços públicos mato-grossenses”, defendeu Pivetta.
O governador também propôs a criação de mecanismos para mensurar os atendimentos realizados e viabilizar o ressarcimento dos custos por parte do Estado do Pará.
“A partir desse acordo, seria possível mensurar e precificar os atendimentos realizados, garantindo que o Estado do Pará faça o devido ressarcimento a Mato Grosso pelos serviços prestados. Assim, quem mora na região continua sendo atendido, os gestores públicos têm respaldo legal para agir e os custos não ficam concentrados apenas sobre os cofres de Mato Grosso”, acrescentou.
Prioridade – Diego Guimarães manifestou apoio à proposta e destacou que ela atende uma demanda histórica dos municípios da região Norte do estado, que há décadas prestam assistência a moradores localizados na faixa de divisa.
“Estamos falando de brasileiros e brasileiras que enfrentam dificuldades para acessar serviços básicos, como saúde, educação e infraestrutura. Hoje, muitos municípios mato-grossenses acabam absorvendo essa demanda, especialmente nas áreas de saúde e educação. Precisamos construir uma solução que permita a continuidade desses serviços sem prejudicar a população”, destacou.
Segundo o parlamentar, um dos principais desafios enfrentados pelos municípios é a falta de segurança jurídica para realizar investimentos e executar obras de infraestrutura em localidades que, oficialmente, pertencem ao Pará, embora dependam da estrutura pública de Mato Grosso.
“Defendemos um acordo que permita a Mato Grosso continuar atendendo essas comunidades, inclusive na área de infraestrutura, com respaldo legal para os gestores e compensação financeira por parte do Pará pelos serviços prestados. O mais importante é que nenhuma família fique desassistida”, acrescentou.
Natural de Guarantã do Norte e deputado estadual mais votado do município nas últimas eleições, Diego Guimarães tem acompanhado de perto as discussões sobre a disputa territorial e defende que qualquer solução construída preserve o atendimento à população e ofereça segurança jurídica aos municípios que hoje assumem grande parte dessa demanda.
O entendimento também foi compartilhado pelos prefeitos e parlamentares que acompanharam a audiência. Prefeito de Matupá, Bruno Mena, ressaltou que a principal preocupação dos gestores públicos é garantir o atendimento à população e assegurar condições legais para a continuidade dos serviços prestados às comunidades da faixa de divisa.
Já o prefeito de Paranaíta, Osmar Moreira, destacou que a realidade enfrentada por seu município se repete em diversas cidades do Norte de Mato Grosso, como Alta Floresta, Novo Mundo, Matupá, Peixoto de Azevedo e Guarantã do Norte.
Segundo ele, cerca de duas mil pessoas residentes em uma área localizada no Pará dependem diretamente dos serviços oferecidos por municípios mato-grossenses.
“Estamos falando de atendimento em saúde, segurança, educação e diversos outros serviços públicos. Essas pessoas pertencem administrativamente ao Pará, mas, na prática, vivem integradas a Mato Grosso porque os serviços públicos paraenses não conseguem chegar até elas”, afirmou.
Durante a audiência, a deputada estadual Janaina Riva (MDB) também chamou atenção para os impactos sociais e jurídicos da situação. A parlamentar relatou preocupações envolvendo a regularização fundiária, casos de bitributação enfrentados por produtores rurais e a vulnerabilidade de mulheres e crianças que vivem na região, além das dificuldades relacionadas à atuação das forças de segurança e dos órgãos de perícia.
Janaina também defendeu a realização de uma audiência na própria região afetada pela disputa, para que moradores, produtores e lideranças locais possam apresentar diretamente às autoridades a realidade enfrentada pelas comunidades da faixa de divisa.
As manifestações dos prefeitos e parlamentares reforçaram o posicionamento defendido por Diego Guimarães e pela comitiva mato-grossense durante a audiência: a prioridade deve ser garantir atendimento à população, segurança jurídica aos gestores e uma solução definitiva para as famílias que vivem na região de fronteira.
Além do governador Otaviano Pivetta e do deputado estadual Diego Guimarães, participaram da audiência o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (Pode), os deputados estaduais Janaina Riva e Ondanir Bortolini, o Nininho (Republicanos), além dos senadores Wellington Fagundes (PL), Jayme Campos (União) e Carlos Fávaro (PSD).
Fonte: ALMT – MT
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