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Auditoria de acessibilidade do TJMT avança com diálogo entre Judiciário, OAB e servidores

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Reunião realizada na tarde desta quinta-feira (26) entre a Coordenadoria de Auditoria Interna (CAud) e a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), Beatriz Melo de Souza, marcou um novo passo na consolidação das ações da auditoria voltada à acessibilidade no Poder Judiciário de Mato Grosso. O encontro reforçou não apenas o avanço técnico da auditoria em andamento, mas também a aproximação institucional com a advocacia e com aqueles que utilizam diariamente os espaços.

O coordenador da CAud, Eduardo Campos, explicou que o tema passou a integrar formalmente o Plano Anual de Auditoria após revisão estratégica alinhada às diretrizes da Gestão 2025/2026.

“O plano do atual biênio (2025/2026) tem como um de seus focos a acessibilidade. Em diálogo com a vice-presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Nilza Possas de Carvalho, que também preside a Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Judiciário, e com o secretário-geral do Tribunal, juiz Agamenon Alcântara Moreno Júnior, incluímos a auditoria de avaliação no plano anual a partir de outubro. Por isso, os trabalhos se estendem até 2026”, afirmou.

O encontro com a Comissão da OAB-MT teve como propósito ampliar o diálogo institucional e compreender como a advocacia vivencia a acessibilidade nas unidades judiciais. “A proposta é integrar esforços e ouvir como os advogados percebem e experimentam a acessibilidade nos prédios do Judiciário”. Ele ressaltou que o trabalho é desenvolvido em colaboração com outras áreas estratégicas, especialmente a Coordenadoria de Infraestrutura, e que as informações coletadas serão consolidadas e encaminhadas à Alta Administração.

O trabalho já contempla avaliações técnicas às comarcas de Nortelândia, Arenápolis, Diamantino, Tangará da Serra, Juscimeira e Rondonópolis, além do Juizado Especial de Cuiabá. Em março, o cronograma contemplará as comarcas de Cáceres, Vila Bela da Santíssima Trindade e Pontes e Lacerda, encerrando o ciclo de inspeções presenciais. As visitas são detalhadas e contam com o acompanhamento de engenheiros da área de infraestrutura do Poder Judiciário.

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“Buscamos identificar os pontos que demandam maior atenção nos projetos arquitetônicos, sem deixar de reconhecer aquilo que já funciona adequadamente. O Juizado Especial de Cuiabá foi escolhido como referência por ser o prédio mais novo e com maior número de recursos de acessibilidade. Em contrapartida, prédios mais antigos, como os de Nortelândia e Arenápolis, apresentam desafios”, pontuou.

Acessibilidade como garantia constitucional

A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Beatriz Melo, pontua que a pauta da acessibilidade transcende a dimensão estrutural e está diretamente ligada à efetividade dos princípios constitucionais.

“A acessibilidade do Poder Judiciário não é uma pauta isolada. Ela assegura a concretização dos princípios da igualdade, da dignidade da pessoa humana e do livre exercício profissional. Se a advocacia é indispensável à administração da Justiça, é necessário que todos os advogados possam exercer a profissão de forma plena”, afirmou. “Muitas dificuldades só são percebidas por quem vivencia a limitação. Sem essa escuta ativa, corremos o risco de não enxergar todos os obstáculos”, destacou.

Beatriz avaliou positivamente a postura institucional do Judiciário mato-grossense. “Há uma disposição concreta para o diálogo e para o avanço da acessibilidade, tanto para os advogados quanto para os jurisdicionados. Uma Justiça mais acessível é uma Justiça mais humana e uma Justiça mais humana é uma Justiça legítima.”

Metodologia técnica e cronograma

Cinco profissionais posam diante de tela com site da Coordenadoria de Auditoria Interna. Em trajes formais, exibem crachás e postura institucional, em registro coletivo no ambiente de trabalho.A auditora interna da CAud, Luciana Mendes explicou que o planejamento seguiu rigor técnico, com base nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e atendendo ao Guia de Acessibilidade aplicado às Organizações Públicas.

Até o momento, sete unidades já foram visitadas, incluindo comarcas-polo e comarcas contíguas pela equipe, que é composta pelos auditores internos Leonardo Cesar Leventi Travassos, Luciana Mendes, Marcos Girão Júnior e Dionéia Taques Herane.

A auditora pontua, ainda, que a seleção das unidades visitadas considerou critérios técnicos e o Plano de Obras do Poder Judiciário definindo uma amostragem. A análise abrange diferentes tipos de deficiência, não apenas limitações de locomoção, mas também necessidades relacionadas à deficiência visual e outras condições.

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Encerrada a etapa de avaliação nas comarcas de Vila Bela da Santíssima Trindade, Cáceres e Pontes e Lacerda, a equipe apresentará o resultado das constatações. A conclusão dos trabalhos está prevista para abril.

“Nós já realizamos alinhamentos prévios com a equipe da Coordenadoria de Infraestrutura, para otimizar os trabalhos e dar dinamismo ao cumprimento das medidas corretivas. Esse diálogo antecipado também facilita a construção conjunta das recomendações e a entrega do relatório conclusivo”.

O relatório final de auditoria será então submetido à Alta Administração, que deliberará sobre as providências e eventual plano de ação para cumprimento das medidas indicadas.

Diálogo

Contribuições também foram apontadas pelo técnico judiciário recém-empossado Andrey Schmoller, que atua no Núcleo de Garantias do Fórum de Cuiabá. Com paralisia cerebral, ele apresentou contribuições a partir de sua experiência pessoal e profissional.

“É fundamental avançarmos nessas questões. Não apenas por mim, mas por todos que enfrentam dificuldades de acessibilidade e acolhimento. Durante nove anos como advogado, não me senti plenamente contemplado nesse aspecto. Hoje, como servidor, espero contribuir para mudanças efetivas”, relatou.

Entre os pontos observados, Andrey destacou a necessidade de adequações no estacionamento da unidade onde está lotado. Segundo ele, embora haja avanços no interior do prédio, ainda são necessárias melhorias, especialmente voltadas às pessoas com deficiência visual.

Ele pondera que a auditoria vai além da verificação técnica: trata-se de um processo de escuta, aproximação institucional e construção coletiva de soluções para garantir que os espaços do Judiciário sejam, de fato, acessíveis a todos.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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