Tribunal de Justiça de MT
CNJ reconhece potencial do Projeto Hannah e avalia expansão nacional da IA do TJMT
Publicado em
30 de janeiro de 2026por
Da Redação
O avanço no uso responsável da tecnologia no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) tem tornado a Justiça mais célere, organizada e acessível ao cidadão. Nesse contexto, o Projeto Hannah, solução de inteligência artificial desenvolvida pela Vice-Presidência do TJMT, foi apresentado à equipe técnica do Conselho Nacional de Justiça durante visita realizada nesta sexta-feira (30), no âmbito do Projeto Conecta, iniciativa vinculada ao Programa Justiça 4.0.
A ferramenta foi apresentada pelo juiz auxiliar da Vice-Presidência Gerardo Humberto Alves da Silva, com apoio do engenheiro de inteligência artificial da Vice-Presidência, Daniel Dock. A apresentação integrou a agenda técnica do CNJ voltada à identificação de iniciativas tecnológicas com potencial de nacionalização e aplicação em outros tribunais brasileiros.
Voltado ao juízo de admissibilidade de recursos, o Projeto Hannah atua em uma das etapas mais relevantes do fluxo processual, funcionando como um filtro prévio antes de o processo seguir para análise do mérito nos tribunais superiores.
A solução aplica, de forma automatizada, um Mapa de Admissibilidade composto por 14 critérios objetivos, realizando a leitura dos autos, a verificação dos requisitos formais e a organização das informações em uma sequência lógica, o que agiliza o trabalho de magistrados e servidores, sem afastar a responsabilidade humana da decisão.
Tecnologia como apoio à decisão humana
Responsável pela apresentação ao CNJ, o juiz Gerardo Humberto Alves da Silva destacou que o sistema foi concebido a partir de princípios éticos, com foco na centralidade do ser humano no ato de julgar.
“O sistema é construído a partir do respeito à dignidade humana, considerando que a decisão judicial é um ato humano produzido para humanos. A inteligência artificial atua como um sistema de auxílio à atuação jurisdicional, apoiando a construção do juízo de admissibilidade do recurso especial, sem substituir o magistrado”, afirmou.
Segundo o juiz, trata-se de uma solução inovadora no cenário nacional.
“Nenhum outro tribunal possui um sistema semelhante. Por isso, surge a possibilidade concreta de expansão para outros tribunais, já que o juízo de admissibilidade é uma realidade comum a todos os Tribunais de Justiça e Tribunais Regionais Federais”, explicou.
Reconhecimento e proposta de nacionalização
O potencial das soluções apresentadas foi destacado pelo desembargador Luiz Octávio Oliveira Saboia Ribeiro, presidente do Comitê de Governança Estratégica de Inteligência Artificial (CGEIA), ao avaliar a receptividade do CNJ. Segundo o desembargador, cada ferramenta atende a uma dor específica do Judiciário.
“A LexIA atua diretamente no apoio à atividade final de magistrados e servidores; o Omni-IA no âmbito da Corregedoria, e a Hannah nas Vice-Presidências, especialmente na análise de recursos especiais e extraordinários. O Tribunal fica muito satisfeito com essa receptividade e isso nos motiva a aperfeiçoar ainda mais as ferramentas. Vamos, sim, atender ao chamado do CNJ e trabalhar para a nacionalização dessas soluções no âmbito do Projeto Conecta”, completou.
Governança como diferencial
O juiz Jeremias de Cássio Carneiro de Melo, do Tribunal de Justiça da Paraíba e colaborador do Projeto Conecta, ressaltou a estrutura de governança de inteligência artificial do TJMT como um dos principais diferenciais observados durante a visita. De acordo com o magistrado, a intenção do Conecta é levar essas iniciativas ao cenário nacional.
“Vimos projetos que enfrentam problemas concretos da magistratura e mostram como a inteligência artificial, bem governada e bem conduzida, pode melhorar a prestação jurisdicional. Nossa expectativa é levar, o quanto antes, essas soluções e essa liderança em governança de IA do Judiciário de Mato Grosso para todo o Brasil”, antecipou Jeremias.
Acesse as fotos no Flickr do TJMT
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Autor: Vitória Maria Sena
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]

Tribunal de Justiça de MT
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude
Published
1 dia agoon
9 de agosto de 2026By
Da Redação

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

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