Tribunal de Justiça de MT

Comissão de Soluções Fundiárias do TJMT realiza visita técnica em comunidade de Feliz Natal

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A comunidade da Gleba Rio Ferro, zona rural de Feliz Natal, recebeu a Comissão Regional de Soluções Fundiárias do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) na manhã de 2 de setembro de 2025. A visita técnica reuniu cerca de 80 famílias e teve como objetivo ouvir de perto as histórias dos moradores, conhecer a realidade local e registrar informações que subsidiarão decisões do Judiciário de forma mais justa, pacífica e responsável.

A diligência foi conduzida pelo juiz membro da Comissão, Alex Nunes de Figueiredo, acompanhado de representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), da Defensoria Pública Estadual, da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP) e de servidores do TJMT.

Preparação para a escuta – Antes da ida a campo, no dia 20 de agosto, uma reunião preparatória definiu estratégias de escuta, logística e medidas de segurança, garantindo que cada etapa da atividade fosse organizada e respeitosa com os moradores.

Primeiros diálogos – No contato inicial, o juiz Alex Nunes ressaltou que a missão da Comissão não é impor decisões, mas ouvir e dialogar com a comunidade:

“A Comissão atua de forma humana e próxima das pessoas. Nosso compromisso é registrar a realidade de cada família com atenção e respeito, para que o Judiciário possa decidir de forma mais justa e equilibrada.”

Escuta ativa e visitas domiciliares – Durante a manhã, foram cadastrados 85 ocupantes por meio de formulário próprio da Comissão, alinhado às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O documento coleta dados socioeconômicos, condições de moradia e vulnerabilidades das famílias.

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Na parte da tarde, a equipe percorreu a comunidade, visitou casas, conversou com os moradores e registrou imagens das residências, estradas e atividades produtivas que sustentam a região.

Um passo importante – A visita foi considerada produtiva, permitindo ao Judiciário não apenas coletar dados técnicos, mas também estreitar o diálogo com a comunidade. O relatório resultante será encaminhado ao juízo responsável e servirá de base para futuras decisões, incluindo eventuais planos de desocupação assistida ou alternativas de regularização fundiária.

Para o juiz condutor, cada diligência é uma oportunidade de aproximação:

“A Comissão existe para garantir que o Judiciário não apenas decida, mas também compreenda. Nosso papel é humanizar o processo, ouvir as famílias e trabalhar sempre em busca de soluções pacíficas e responsáveis.”

União de esforços – Participaram da visita a secretária da Comissão, Keila Souza da Cunha; a assessora Thainã Couto; a servidora Mailza Ramos de Araújo; e o servidor Jeberson Teles de Abreu.

A Defensoria Pública foi representada pelo defensor Luiz Augusto Cavalcanti Brandão e pelo assessor Gabriel Cegelka Pereira. Do Incra, acompanharam os servidores Daniel Araújo de Assis e Edilson Ramos Varanda. Pela SESP, participaram o Tenente-Coronel Akira e Antunes André de Oliveira, com apoio da Polícia Militar de Mato Grosso.

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Histórico – A Comissão foi instituída em novembro de 2022, com base na decisão proferida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 828), do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso.

Em julho de 2023, o Provimento TJMT/CM n. 23 trouxe novas diretrizes na regulamentação, disciplinando a criação e a atuação da Comissão Regional de Soluções Fundiárias do Poder Judiciário de Mato Grosso. A ação é em cumprimento da Resolução – CNJ n. 510/2023, que regulamenta a criação, no âmbito do Conselho Nacional de Justiça e dos tribunais, respectivamente, da Comissão Nacional de Soluções Fundiárias e das Comissões Regionais de Soluções Fundiárias.

Desde sua criação, a Comissão realiza visitas técnicas nos locais de litígios e tem produzido relatórios que funcionam como apoio operacional aos juízes responsáveis pelos processos nas comarcas.

Compõem a Comissão como membros titulares os magistrados: Myrian Pavan, Adriana Sant’Anna Coningham, Alex Nunes de Figueiredo, Eduardo Calmon de Almeida Cézar e Jorge Lafelice dos Santos. A Comissão ainda é presidida pelo corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote e conta com a participação de órgãos públicos e entidades da sociedade civil como agentes convidados.

Autor: Assessoria de Comunicação

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Departamento: CGJ-MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Judiciário de Mato Grosso avança em formação para atuação mais humanizada no sistema penal

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A primeira etapa da capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal”, realizada nos dias 29 e 30 de abril na Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), reuniu magistrados(as) e servidores(as) do Poder Judiciário para discutir caminhos de transformação do sistema penal brasileiro, com foco na redução do encarceramento e na promoção da ressocialização.

A formação foi conduzida pela juíza Laryssa Angélica Copack Muniz, titular da Vara de Execuções Penais da Comarca de Curitiba e coordenadora Adjunta do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Tribunal de Justiça do Paraná, que destacou que a superlotação carcerária é um problema estrutural que vai além de Mato Grosso e atinge todo o país.

“A superlotação não é uma realidade apenas de Mato Grosso, ela está presente em todo o Brasil. Trabalhar com unidades operando a 140% ou 150% da capacidade inviabiliza qualquer proposta de ressocialização e acaba adoecendo, inclusive, os profissionais que atuam no sistema prisional”, afirmou.

Reflexão sobre encarceramento e responsabilidade institucional

Durante os dois dias de curso, a magistrada conduziu debates sobre o desencarceramento e o uso de alternativas penais como instrumentos para reduzir a entrada no sistema prisional. Segundo ela, o objetivo central é provocar uma mudança de postura dentro do próprio Judiciário.

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“Precisamos buscar entender por que as pessoas precisam ser presas e quais pessoas realmente devem estar no cárcere. Dar sentido ao trabalho no sistema penal passa exatamente por essa reflexão”, defendeu.

A juíza também chamou a atenção para a responsabilidade dos próprios operadores do Direito na realidade atual do sistema prisional. “É muito simples terceirizar a responsabilidade, mas juízes e juízas têm, sim, participação nesse cenário. Cabe a nós, agora, assumir esse papel e buscar transformar essa realidade”, completou.

Ressocialização exige atuação integrada

Outro ponto central abordado na capacitação foi a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à ressocialização, com atuação conjunta do Judiciário e do Poder Executivo. Para a magistrada, o modelo baseado exclusivamente no castigo não produz resultados efetivos.

“A pena não pode ser vista apenas como castigo. O castigo não gera reflexão, nem mudança. A ressocialização passa por educação, trabalho e oportunidades reais dentro do sistema prisional”, comentou.

Laryssa Muniz ressaltou ainda que o perfil das pessoas privadas de liberdade revela um histórico de vulnerabilidade social, o que exige uma atuação mais sensível e estruturada por parte do Estado.

“Muitas dessas pessoas são vistas pela primeira vez pelo Estado quando são presas. Elas já estão sendo responsabilizadas, mas precisam receber ferramentas para mudar de vida. A única privação admitida pela Constituição é a liberdade — todas as demais violações são inaceitáveis”, disse.

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Formação contínua

A capacitação segue com novos módulos ao longo do mês de maio.

O segundo módulo será realizado entre os dias 11 e 15 de maio, na modalidade EAD, com foco em prevenção à tortura e na saúde mental, também sob responsabilidade da juíza Laryssa Muniz.

Já o terceiro e último módulo ocorrerá no dia 18 de maio, novamente na Esmagis-MT, abordando o tema “Audiência de Custódia”, com condução do juiz Marcos Faleiros da Silva e do servidor Marcos Eduardo Moreira Siqueri.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

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Autor: Ana Assumpção

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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