Tribunal de Justiça de MT
Como os Círculos de Paz e a Psicanálise podem fortalecer mulheres no combate ao feminicídio
Publicado em
1 de setembro de 2025por
Da Redação
E se fosse possível reunir, em um mesmo espaço, a força coletiva dos Círculos de Construção de Paz e a escuta profunda da Psicanálise? Em Mato Grosso, um grupo de professoras aposta na união entre os Círculos de Paz, oriundos da Justiça Restaurativa, e a Psicanálise como estratégia para enfrentar o feminicídio, uma das mais graves expressões da violência de gênero no país. A iniciativa é das professoras Leyze Grecco, Nailza Gomes e Clarize Auxiliadora Miranda Prado, da rede municipal de Educação de Várzea Grande, que acreditam que a força coletiva dos círculos, somada à escuta profunda da psicanálise, pode abrir caminhos de reconhecimento, escuta ativa e transformação.
A proposta foi apresentada durante o ‘III Congresso Internacional: Novas Abordagens em Saúde Mental’, realizado pelo Centro Educacional de Novas Abordagens Terapêuticas (Cenat), nos dias 19 e 20 de agosto, no Teatro Zulmira Canavarros, em Cuiabá, com a meta de abrir espaço para debates e apresentação de boas práticas relacionadas à melhoria da qualidade de vida de pessoas em sofrimento psíquico.
Os Círculos de Construção de Paz e a psicanálise se encontram na ideia de que falar, ser escutado e elaborar narrativas sobre si mesmo tem potencial terapêutico e transformador. Ambos apostam na palavra como via de cura e transformação: seja para restaurar relações sociais e promover autoconhecimento, como nos círculos, ou para elaborar conflitos internos, como na psicanálise.
“A escuta ativa realizada pelo psicólogo ou pelo psicanalista é essencial para ajudar as mulheres vítimas de violência a verbalizar e compreender suas experiências dentro de um relacionamento, ter um olhar crítico diante das situações e recuperar sua identidade. É exatamente aqui, que os círculos de construção de paz criam um ambiente seguro para a revelação espontânea, abrindo caminho para que as participantes reconheçam suas dores, desafiem narrativas de culpa cristalizadas na sociedade, sem se submeter a julgamentos. A conexão entre o aprofundamento psicanalítico e o diálogo restaurativo possibilita uma forma eficaz de buscar resultados positivos para os envolvidos”, explicou a professora e psicóloga, Leyze Grecco, que, entre suas atividades, também integra a rede de enfrentamento à violência contra a mulher e de fortalecimento da Justiça Restaurativa no município.
Facilitadora de Círculos de Construção de Paz, Leyze conta que o projeto foi desenvolvido a partir de uma série de círculos realizados inicialmente com 60 mulheres, profissionais da rede municipal de Educação, com o objetivo de promover autoconhecimento, despertar valores e fortalecer a identidade feminina. A meta do projeto é alcançar 100% das mulheres lotadas nas 97 unidades de ensino de Várzea Grande, entre Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI) e Escolas Municipais de Educação Básica (EMEB).
“Quando trazemos a temática da identidade para dentro dos Círculos de Paz, abrimos caminho para reflexões sobre quem somos e como nos enxergamos. Porque quando temos a convicção de quem somos, nós conseguimos agir de forma diferente, e essa convicção não é apenas no aspecto físico, mas também psíquico, emocional e comportamental. Essa investigação do eu, como aponta a psicanálise, é fundamental para provocar mudanças. Quando a mulher se reconhece de forma nítida, ela encontra forças para mudar sua forma de agir e, assim, romper o ciclo da violência. Podemos dizer que, diferente do atendimento individualizado no consultório, os círculos possibilitam um aprofundamento coletivo sobre a nossa identidade”, refletiu Leyze.
Enquanto a psicanálise busca transformar o sintoma em narrativa, permitindo ao sujeito ressignificar sua dor, os Círculos de Paz trabalham no plano coletivo, dando lugar à expressão de mágoas, medos e ressentimentos, que podem ser elaborados e transformados em uma nova percepção. Tanto os círculos, quanto a psicanálise, compreendem a fala como via de elaboração psíquica dos conflitos.
No livro Recordar, repetir e elaborar, o psicanalista austríaco, Sigmund Freud, defende o dispositivo clínico da escuta enquanto um espaço de acolhimento onde a pessoa pode narrar, recordar e elaborar suas dores e traumas. De modo semelhante, nos Círculos de Paz, cada participante tem assegurado o direito de fala e de escuta, o que produz um ambiente de reconhecimento e apoio mútuo.
Mas romper o ciclo da violência pode não ser simples. A ausência de espaços seguros de diálogo e de fortalecimento emocional pode reduzir drasticamente o encorajamento para que mulheres denunciem seus agressores.
Segundo dados de 2024 do Comitê para a Análise dos Feminicídios em Mato Grosso, formado pelo Poder Judiciário, Defensoria Pública, Ministério Público, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Assembleia Legislativa e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), uma pesquisa com familiares e amigos de quinze vítimas revelou dados alarmantes: 60% dos casos não tinham boletim de ocorrência, quase 70% das vítimas deixaram filhos menores, e 67% dos familiares tinham conhecimento da violência, mas permaneceram em silêncio.
Para a professora e facilitadora de Círculos de Paz, Nailza Gomes, mestre em Educação, doutora em História e integrante da rede de enfrentamento à violência contra a mulher, o alto índice de feminicídios tem mobilizado diferentes instituições do sistema de Justiça e da sociedade civil, na busca por alternativas para romper o ciclo de agressões que muitas vezes culmina na morte de mulheres.
“Acabamos de participar da elaboração de um protocolo sobre violência contra a mulher, que será implementado nas escolas da rede municipal. O documento estabelece procedimentos bem definidos para professores, gestores e coordenadores diante de revelações de violência, seja contra mães, avós ou profissionais da escola. O protocolo será publicado e acompanhado de uma capacitação em outubro, garantindo que toda a rede esteja preparada para acolher denúncias e agir corretamente”.
Nailza explica que, paralelamente, já está sendo desenvolvido um segundo protocolo, voltado para violência sexual contra crianças e adolescentes, com participação de diretores e diretoras para orientar a melhor aplicação nas unidades escolares.
Autor: Naiara Martins
Fotografo:
Departamento: Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa – NugJur
Email: [email protected]
Tribunal de Justiça de MT
No Dia Nacional da Adoção, casal realiza sonho da paternidade
Published
41 minutos agoon
27 de maio de 2026By
Da Redação
O sorriso largo e espontâneo de uma criança de pouco mais de 1 aninho foi o sinal que faltava para o casal Magnus Costa e Gustavo da Silva Carvalho entender que a vida deles nunca mais seria a mesma. O menino, que agora tem quase 3 anos, correu ao encontro dos dois, abriu os braços e sorriu como se já os conhecesse havia muito tempo. Pouco depois, veio a palavra que transformaria para sempre aquela família: “papai”.
A história do casal ganhou um novo capítulo no dia 25 de maio, durante audiência de ratificação realizada pela Vara da Infância e Juventude da Comarca de Rondonópolis. A data, que coincidentemente é o Dia Nacional da Adoção, marcou oficialmente a consolidação jurídica da família e garantiu ao menino o direito de carregar, também na certidão, o nome de seus pais.
“Foi um dia de vitória. Cada dia que passava era um dia a mais sem o nosso filho estar oficialmente no nosso nome. Apesar da guarda provisória, existia ansiedade e receio de algo dar errado. Quando chegou a audiência, sentimos um alívio imenso”, contou Magnus.
O sonho da paternidade começou antes mesmo da adoção entrar oficialmente nos planos. Magnus sempre teve o desejo de ser pai, já Gustavo passou a enxergar essa possibilidade após ouvir de amigos da família uma pergunta simples, mas transformadora: “Por que vocês não adotam?”. A partir dali o casal buscou informações, participou do curso preparatório promovido pelo Grupo de Apoio à Adoção de Rondonópolis (GAAR) e decidiu entrar para o Sistema Nacional de Adoção.
A espera, segundo eles, foi acompanhada de ansiedade, medo e esperança. Quando veio a ligação informando sobre a possibilidade de acolher a criança, a emoção tomou conta. “A notícia chega sem avisar. É uma decisão para o resto da vida. Tivemos medo, apreensão, mas também uma felicidade que palavras não conseguem explicar. Foi amor transbordando”, relembrou Magnus.
O momento mais marcante da trajetória aconteceu logo nos primeiros dias de convivência. “Ele ainda falava pouco. Um dia, entrando na garagem de casa, ele olhou para nós e disse ‘papai’. Nós nos olhamos e começamos a chorar. Foi ali que sentimos, de verdade, que éramos os pais dele”, recordam.
A chegada do menino transformou completamente a rotina da casa, que foi tomada por brincadeiras, cuidados e tempo de qualidade em família. O casal decidiu criar o filho longe das telas e com foco em valores como respeito, amor, gratidão e educação.
“Tudo hoje é pensando nele. Queremos ensinar valores cristãos, éticos e humanos. Que ele aprenda a respeitar as pessoas, ajudar o próximo e entender que o amor é a base de tudo”, afirmaram.
Apesar do receio inicial sobre possíveis preconceitos relacionados à adoção por um casal homoafetivo, Magnus e Gustavo dizem ter encontrado acolhimento e carinho por onde passaram. “Nós treinávamos na cabeça como reagiríamos caso enfrentássemos algum julgamento. Mas fomos surpreendidos positivamente. Recebemos respeito, admiração e muito amor das pessoas”, disseram.
Além da construção da nova família, Magnus e Gustavo também fizeram questão de preservar um vínculo importante na vida do filho. O irmão biológico do menino também foi adotado por outra família em Rondonópolis, e o contato entre eles continua sendo incentivado pelos pais. As duas famílias se aproximaram ao longo do processo e mantêm uma relação de amizade, com visitas frequentes para que os irmãos possam conviver, brincar e fortalecer os laços afetivos.
“Nós fazemos questão de manter esse vínculo entre eles. Viramos amigos dos pais e estamos sempre juntos para que os meninos cresçam sabendo da história e da conexão que têm”, relatou o casal.
O afeto venceu a burocracia
Para o juiz substituto da Vara da Infância e Juventude de Rondonópolis, Antonio Bertalia Neto, histórias como essa ajudam a romper preconceitos e reforçam que o mais importante para uma criança é viver em um ambiente seguro e afetivo.
“O mais importante é a existência de um ambiente seguro, afetivo e estruturado. A felicidade e a segurança de uma criança não dependem do formato familiar, mas da qualidade do vínculo de amor, respeito e proteção oferecido no cotidiano”, destacou o magistrado.
Segundo ele, a legislação brasileira não faz qualquer distinção em relação à orientação sexual dos adotantes. “O Estatuto da Criança e do Adolescente não estabelece diferenciação entre famílias homoafetivas e heteroafetivas. O foco da Justiça é encontrar a família certa para atender às necessidades daquela criança”, explicou.
Antonio Bertalia também ressaltou o simbolismo da audiência realizada justamente no Dia Nacional da Adoção. “Ratificar uma adoção nesta data simbólica é a consolidação jurídica de que o afeto venceu a burocracia. Para a equipe do Tribunal, é a prestação jurisdicional em sua forma mais pura: transformar processos em famílias e garantir um recomeço seguro e definitivo para essas crianças”, afirmou.
Hoje, Magnus e Gustavo fazem questão de compartilhar a própria experiência para incentivar outras famílias a acreditarem na adoção.
“Tem muitas crianças esperando por amor e por um lar. Não desistam. Entrem na fila, façam o curso, confiem no processo. Nós somos prova de que dá certo”, disseram.
Autor: Ana Assumpção
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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