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Conscientização nas escolas fortalece prevenção à violência contra meninas e mulheres

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Mulher de óculos, cabelos cacheados e camiseta branca gesticula ao falar. Ao fundo, vê-se uma tela com perguntas e um banner com o texto Reconhecer os primeiros sinais de um relacionamento abusivo, compreender os diferentes tipos de violência contra a mulher e fortalecer o diálogo dentro da escola e da família. Esses foram alguns dos temas abordados durante a palestra promovida pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), realizada na manhã desta quarta-feira (5) na Escola Estadual Professor Fernando Leite de Campos, em Várzea Grande.
A atividade reuniu líderes e vice-líderes de turmas do Ensino Fundamental e Médio, que atuarão como multiplicadores das informações junto aos demais estudantes. Durante o encontro, os adolescentes conheceram os cinco tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha — física, psicológica, moral, sexual e patrimonial —, aprenderam a identificar comportamentos abusivos e foram incentivados a buscar ajuda sempre que presenciarem ou vivenciarem situações de violência.
Além da palestra, foi apresentado o projeto “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”, iniciativa desenvolvida para estimular a reflexão sobre a violência doméstica desde a infância e adolescência. O projeto promove atividades pedagógicas e produções artísticas incentivando o respeito às mulheres, a igualdade de gênero e a construção de uma cultura de paz dentro e fora das escolas.
A assessora técnica da Cemulher-MT, Adriany Carvalho explicou que o objetivo vai além de apresentar a Lei Maria da Penha. “A ideia não é somente falar sobre a violência doméstica ou sobre a Lei Maria da Penha, mas trazer essas situações para a realidade dos adolescentes. Muitas vezes eles já vivem ou presenciam comportamentos abusivos sem perceber que aquilo pode evoluir para uma violência mais grave. Queremos que consigam identificar esses sinais logo no início e saibam que podem romper o ciclo e buscar ajuda.”
Close-up de mulher de óculos de grau e cabelos cacheados escuros vestindo camiseta branca, olhando para o lado e sorrindo levemente em ambiente interno.Segundo ela, a escolha pelos líderes e vice-líderes de turma busca ampliar o alcance da ação dentro da escola. “Esses estudantes serão multiplicadores das informações. Eles vão desenvolver atividades, participar do concurso A Escola Ensina, a Mulher Agradece e levar esse debate para todas as salas de aula.”
Adriany também destacou o papel dos estudantes como ponte entre a escola e as famílias. “É importante fortalecer o diálogo dentro de casa. Muitas vezes o adolescente não conversa com os pais e acaba ficando vulnerável. Nosso papel é mostrar que existe uma rede de apoio preparada para acolher e orientar.”
A coordenadora da escola, Ana Paula Lima Botelho afirmou que a iniciativa foi prontamente acolhida pela unidade por abordar uma realidade que também faz parte do ambiente escolar.
“Muita coisa que poderia chegar a uma delegacia pode ser evitada dentro da escola. Trabalhar esse tema ajuda os estudantes a compreenderem que violência não é apenas agressão física. Existe também a violência psicológica, patrimonial e outras formas que muitas vezes passam despercebidas”, disse.
Ela destacou ainda que a diversidade presente na comunidade escolar torna esse tipo de discussão ainda mais necessária. “Temos uma escola muito diversa e precisamos desenvolver esses projetos de uma forma que dialogue com todos os estudantes. Quando eles entendem essas situações, conseguem levar essa mensagem para casa e ajudar a transformar essa realidade”, afirmou.
Mudança de percepção
Jovem sorridente com cabelos castanhos amarrados em rabo de cavalo, vestindo camiseta azul de uniforme escolar, posando em um corredor ao ar livre.Para os estudantes, a palestra também serviu para refletir sobre comportamentos considerados comuns entre adolescentes.
A aluna Maria Eduarda Costa Almeida, do 2º ano, contou que passou a enxergar de outra forma situações que antes pareciam apenas brincadeiras. “Percebi que tem coisas que eu achava normais e não são. Por exemplo, compartilhar meme para zoar alguém. A maioria das pessoas faz isso, mas pode machucar os sentimentos da outra pessoa. Aprendi bastante e quero pesquisar mais sobre esses assuntos”, contou.
Já o aluno Arthur Azevedo França destacou que os exemplos apresentados durante a palestra facilitaram a identificação de situações de violência. “Foram mostrados muitos exemplos de como a violência acontece e como ela pode ser identificada, inclusive na internet. O mais importante é que aprendemos como combater esse tipo de situação”.
Retrato frontal de um jovem com cabelo cacheado estilo dreads curtos, vestindo jaqueta cinza aberta sobre uniforme escolar azul e uma corrente no pescoço.Para ele, o respeito deve ser a principal ferramenta de prevenção. “Educação e respeito precisam vir em primeiro lugar. Não precisa agir com agressividade. Devemos tratar as pessoas com gentileza em qualquer ambiente”, explicou.
Rompendo o Silêncio
Mão segura folheto informativo com topo em formato de coração vermelho e textos sobre a Lei Maria da Penha e formas de violência doméstica, como física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.Uma das falas mais marcantes da atividade veio de uma estudante que, aos 14 anos, percebeu durante a palestra que havia vivido um relacionamento abusivo. A adolescente contou que sofreu pressão emocional para enviar fotos íntimas ao então namorado, que tinha a mesma idade. Segundo ela, na primeira vez, o jovem dizia que essa atitude seria uma comprovação do seu amor. Já na segunda vez que ele pediu, ela seria exposta à sua família e amigos caso recusasse.
Na época, o medo e a dificuldade de conversar com os pais fizeram com que ela permanecesse em silêncio. “Ele dizia que, se eu não mandasse as fotos, ia contar para minha família e me expor. Hoje eu sei que eu deveria ter dito não, mas a verdade é que eu buscava um apoio emocional fora de casa”, contou.
Depois de se abrir com a família e construir uma rede de apoio formada pelos pais e por uma amiga, ela conseguiu romper o relacionamento e superar o episódio. “Hoje eu sei que você tem que negar. Evitar uma situação dessa é extremamente importante porque isso pode refletir no futuro”, disse.
Ao final, deixou um recado para outros adolescentes que possam viver situação semelhante: “Não tenha medo de falar. Se você está passando por isso, peça ajuda. Quando você pede ajuda, as pessoas ajudam e você não precisa passar por isso sozinho”.

Ana Assumpção

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Josi Dias

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Círculos de paz chegam a 67 escolas estaduais e fortalecem cultura do diálogo entre os estudantes

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Grupo de facilitadores e autoridades posa para foto em auditório. À frente, um homem de terno escuro e uma mulher de vestido marrom exibem certificados emoldurados recebidos durante o evento.Conflitos fazem parte da convivência escolar, mas a forma de enfrentá-los pode transformar realidades. Apostando no diálogo, na escuta e na construção coletiva de soluções, o Poder Judiciário de Mato Grosso e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) certificaram 74 facilitadores da Justiça Restaurativa, que atuarão em 67 escolas da rede estadual, levando os Círculos de Construção de Paz a mais de 93 mil estudantes. A solenidade foi realizada nesta quarta-feira (05) na Diretoria Metropolitana de Educação (DME), em Cuiabá.

Os novos facilitadores são psicólogos e assistentes sociais das equipes psicossociais da Diretoria Metropolitana de Educação, que atendem escolas de Cuiabá, Várzea Grande e outros nove municípios da região. Eles concluíram os módulos I, II e III do Curso de Formação em Justiça Restaurativa e Círculos de Construção de Paz, promovido pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Para a desembargadora Clarice Claudino da Silva, presidente do NugJur, a iniciativa representa o fortalecimento de uma política pública que vem crescendo e produzindo resultadosMulher de cabelos brancos, blazer branco e blusa azul-turquesa, fala ao microfone em púlpito com o logotipo da Diretoria Metropolitana de Educação. Ao fundo, telão exibe foto de participantes reunidos em roda de conversa. concretos. “A educação enxergou na Justiça Restaurativa um instrumento muito valioso e abraçou essa proposta de forma positiva. Hoje vemos cada vez mais pessoas compreendendo a potência dos Círculos de Construção de Paz e das demais práticas restaurativas. É uma transformação gigantesca e nós estamos muito felizes em ver os resultados e colher os frutos desse reconhecimento “, destacou.

Parceria

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Homem de terno escuro, camisa azul-clara e gravata vermelha, óculos, fala ao microfone em púlpito com o logotipo da Diretoria Metropolitana de Educação. Ao fundo, bandeiras estaduais e do Brasil.O juiz coordenador do NugJur, Túlio Duailibi Alves de Souza ressaltou que a certificação simboliza a consolidação da parceria entre o Judiciário e a Seduc para ampliar a Justiça Restaurativa no ambiente escolar. “Essa parceria fortalece, divulga e consolida os princípios e valores da Justiça Restaurativa nas escolas. São ambientes que frequentemente recebem diferentes tipos de conflitos, e esse trabalho contribui para construir espaços mais seguros, sólidos e voltados à pacificação social”, afirmou.

A superintendente de Gestão Escolar da Seduc-MT, Rosângela Roquette explicou que os profissionais certificados já atuam nas unidades escolares, tanto em equipes fixas quantoMulher de cabelos escuros, blusa vermelha e colar de contas na mesma cor, sorri em ambiente de evento. Ao fundo, pessoas confraternizam próximas a um painel azul iluminado. itinerantes, atendendo toda a rede estadual sempre que há necessidade de mediação de conflitos.

Segundo ela, a formação fortalece uma prática que já demonstra resultados positivos. “Eu fiz parte da primeira turma e posso dizer que ajuda demais. Hoje conseguimos desenvolver a comunicação não violenta dentro das escolas e, por meio dos círculos, colocar em prática a Justiça Restaurativa. Esse trabalho contribui muito para a mudança de comportamento dos estudantes”, avaliou.

Transformação

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Homem jovem, óculos de grau e bigode, veste camisa preta, aparece próximo a um microfone durante evento. Ao fundo, participantes registram o momento com celular.Entre os profissionais certificados está o psicólogo Adison José Gonçalves de Souza, que participou da formação iniciada em 2025 e agora dá continuidade aos módulos mais avançados.

Segundo ele, a capacitação fortalece o trabalho desenvolvido pelas equipes psicossociais e amplia as possibilidades de atuação nas escolas. “Esse processo de formação começou no ano passado e agora seguimos avançando. Temos profissionais bastante preparados e a convicção de que a Justiça Restaurativa e a cultura de paz são plenamente possíveis dentro da educação”, afirmou.

Roberta Penha

Josi Dias

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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