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Corrida da Justiça reúne atletas, beneficia Casa do Bom Samaritano e reforça laços comunitários

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A 1ª Corrida da Justiça e Cidadania de Rondonópolis, realizada pelo Fórum da Comarca, construiu uma corrente do bem e colocou em evidência a vida da população em situação de rua e vulnerabilidade social. O evento esportivo ocorreu na manhã deste domingo (17 de agosto) e reuniu 500 atletas no percurso de 7 quilômetros, com largada e chegada no pátio do Fórum de Rondonópolis. Dos preparativos à realização, a corrida mobilizou as pessoas numa corrente do bem, com arrecadação de duas toneladas de alimentos e valores em espécie. Os recursos beneficiarão a Casa do Bom Samaritano, instituição que acolhe, alimenta e disponibiliza banhos e cuidados básicos de higiene aos cidadãos em situação de risco social.

“É mais uma ação que aproxima a população do Judiciário. Por isso, ela começa e termina no pátio do fórum, justamente para mostrar que o Judiciário é uma instituição voltada à sociedade, sendo transparente e acessível. Estamos muito felizes com a mobilização que a corrida gerou. Para nós, é motivo de orgulho ver o Judiciário se aproximando da sociedade e transformando solidariedade em cidadania”, avalia a juíza Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, diretora do Fórum de Rondonópolis e organizadora da 1ª Corrida da Justiça e Cidadania.

A rede de cidadania construída pela corrida promoveu uma mobilização social na cidade. Nos últimos quatro meses que antecederam o evento, a população local, empresas e instituições parceiras intensificaram as doações de alimentos à Casa do Bom Samaritano.

“Conseguimos não só arrecadar alimentos e doações, mas também dar maior visibilidade à entidade, que passou a receber mais donativos. E os valores arrecadados serão destinados para a construção da cozinha solidária da Casa”, esclarece a magistrada.

A 1ª Corrida da Justiça e Cidadania de Rondonópolis superou sua missão inicial de ajuda à instituição. Com o aumento do volume de doações, a Casa do Bom Samaritano pôde partilhar alimentos com outras instituições beneficentes da cidade.

“Esse movimento de solidariedade é muito significativo. Antes da corrida, tinha dias que não sabíamos o que fazer para suprir a necessidade de alimentos. Agora, o que mais nos alegra é que esse movimento não beneficia apenas o Bom Samaritano. Muitas vezes, quando recebemos doações em excesso, conseguimos dividir com outras instituições. É uma corrente do bem que alcança muito mais gente do que imaginamos. Cada gesto de solidariedade faz a diferença”, declara Rosana Aparecida Leite, coordenadora da Casa.

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Rosana aponta que a visibilidade alcançada é resultado do reconhecimento feito pelo Judiciário. “É uma outra forma de chegar à população e é isso que sempre sonhamos enquanto entidade. Essa ação agregou várias outras instituições e o impacto social é em todo o município”, comemora.

Cidadania

Para o servidor do Fórum de Rondonópolis e primeiro colocado na categoria servidor da corrida, Alison Flávio Ampolini, o evento representa muito mais do que uma competição.

“É uma grande mobilização cidadã. Essa visibilidade é fundamental para apoiar entidades que precisam de incentivo e pode inspirar outras instituições e empresas a seguirem o mesmo caminho. Rondonópolis é uma cidade em crescimento e precisa dessa união entre o Judiciário, o setor privado e demais poderes para oferecer mais qualidade de vida à população”.

Durante o evento, foram realizados serviços gratuitos aos cidadãos, como emissão de documentos, orientação sobre violência doméstica, atividades ambientais e educativas, pintura facial para crianças, distribuição de 350 mudas de espécies frutíferas e ornamentais pelo Juizado Volante Ambiental (Juvam), espaço saúde, apresentações das forças de segurança e outros.

Pódio

Subiram ao pódio os três primeiros colocados da prova nas categorias Geral e Especial, nas modalidades feminina e masculina. Os vencedores receberam troféus, medalhas e premiações em dinheiro: R$ 3 mil para o 1º lugar, R$ 1 mil para o 2º e R$ 500 para o 3º. Todos os participantes também foram contemplados com medalhas.

A campeã feminina, Estela Liberato, falou do desafio do percurso e do propósito social da corrida.

“O percurso foi bem desafiador: até os três primeiros quilômetros era plano, mas depois começaram as subidas, que exigem muita força nas pernas. Além do esporte, a corrida também tem um lado social muito importante, unindo solidariedade e cidadania. Isso é essencial para a sociedade.”

O campeão masculino, Fábio Rodrigues, também elogiou a organização e ressaltou o cunho social da prova.

“A corrida foi espetacular, com um início rápido e um final mais difícil por conta das subidas. A organização está de parabéns, desde a chegada fomos bem acolhidos, havia pontos de hidratação e os banheiros estavam em boas condições, o que em muitas corridas é um problema. Além disso, a iniciativa tem um impacto social muito importante, porque incentiva a solidariedade e mostra que todos podemos ajudar. Fico feliz em participar e parabenizo a organização por essa iniciativa que agrega tanto à sociedade”.

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Pelotão da Casa

O acolhimento da instituição pelo Poder Judiciário local também transformou a vida de cinco homens que vivem em situação de rua em Rondonópolis. Motivados, eles calçaram os tênis cedidos pelo Fórum local, treinaram e cruzaram a linha de chegada neste domingo.

Entre eles, estava William Teles Rodrigues, de 37 anos, que abraçou a oportunidade de unir esporte e apoio à instituição.

“Minha participação foi uma das melhores experiências que já tive. Foi muito especial poder estar ao lado de tantas pessoas importantes da cidade e sentir essa integração. A gente treinava aos sábados e, mesmo depois que comecei a trabalhar, continuei me dedicando. Essa iniciativa é muito gratificante, porque além de nos acolher, também nos dá a chance de retribuir ajudando a Casa do Bom Samaritano, que sempre nos apoiou. Só tenho a agradecer por essa oportunidade.”

Casa Bom Samaritano

Fundada em 30 de setembro de 1992, a Casa do Bom Samaritano serve de 120 a 200 refeições diárias à população em situação de rua de Rondonópolis. Todos os trabalhos são feitos por voluntários e a despesa fixa do local é de R$ 12 mil por mês.

O trabalho é mantido basicamente por doações, com uma contribuição municipal de R$ 3 mil. “Quando estávamos organizando a corrida, recebemos pedidos de ajuda e soubemos da necessidade urgente de reformar a cozinha da instituição, que é muito pequena para a demanda atual. Assim, todo o valor arrecadado com inscrições, doações de parceiros e patrocínios será destinado à reforma dessa cozinha”, conta a juíza Aline Quinto.

Para garantir a transparência, os valores arrecadados foram gerenciados pela Federação dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública do Estado, com acompanhamento do Ministério Público e prestação de contas pública. “Dessa forma, garantimos que tudo chegue efetivamente à instituição beneficiada”, reforça a magistrada.

A 1ª Corrida da Justiça e Cidadania de Rondonópolis contou com a organização da Federação Mato-grossense de Atletismo e parceiros de instituições públicas e privadas, como: a Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Polícia Militar, Ambiental, Polícia Penal, Polícia Judiciária Civil e Corpo de Bombeiros, além de empresas locais que abraçaram a causa.

Autor: Priscilla Silva

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Juizados Especiais debatem atuação em grandes eventos e impactos da inteligência artificial

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Experiências que transformaram Mato Grosso em referência nacional no atendimento de grandes eventos no Juizado Especial e reflexões sobre os impactos da inteligência artificial na prestação jurisdicional dos Juizados Especiais foram temas debatidos nesta segunda-feira (15), na III Semana Nacional dos Juizados Especiais, realizado no Complexo dos Juizados Especiais Desembargador José Silvério Gomes, em Cuiabá. As palestras integram a semana de mobilização nacional promovida entre os dias 15 e 19 de junho, em todo o país.
A juíza do 7º Juizado Especial Cível, Patricia Ceni dos Santos, falou sobre o Juizado do Torcedor e Grandes Eventos e como a unidade ao longo dos anos acompanhou a evolução da legislação esportiva brasileira. Ela contou que a unidade surgiu a partir da Recomendação nº 45/2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), voltada à preparação dos estados para a Copa do Mundo, passou pelas mudanças trazidas pela revogação do Estatuto do Torcedor e pela criação da Nova Lei Geral do Esporte, em 2023, e chegou ao reconhecimento nacional ao ser referência para a Recomendação nº 662/2025 do CNJ.
“O diferencial do nosso Estado é que quando acabou a Copa do Mundo, o Governo se movimentou para que a Arena Pantanal não ficasse parada e passamos a receber inúmeros jogos de equipes importantes e grandes eventos. Havia uma demanda reprimida e o Juizado permaneceu ativo, enquanto outros Estados desativaram o Juizado do Torcedor e Grandes Eventos”, contou.
Mulher de cabelos longos e escuros, vestindo blusa preta com detalhes em branco, gesticula com a mão esquerda enquanto fala ao microfone em um evento.A continuidade das atividades permitiu que o Juizado se aperfeiçoasse e acompanhasse as mudanças promovidas pela legislação. Um dos pontos destacados pela magistrada foi à Nova Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), que passou a responsabilizar as torcidas organizadas. “Antes as torcida cobriam os rostos e os crimes ficavam sem identificação, agora com a nova legislação quando o membro que cometeu a infração não é identificado à torcida passa a ser punida”, disse a magistrada.
Patrícia Ceni também destacou que os casos de Direito do Consumidor estão entre as ocorrências mais comuns em grandes eventos. “Por exemplo, se a pessoa compra uma entrada no camarote e não tem acesso ao local, ou se promete determinados serviços e eles não são cumpridos, realizamos no local uma audiência de conciliação com o representante do organizador para resolver a situação. Nesse casos temos 100% de acordos atingidos”, pontua.
Outro exemplo apresentado foi a Sala Lilás, espaço criado em 2025, a partir do show do Guns N’ Roses na capital. Uma ação conjunta do Poder Judiciário e do Governo do Estado de Mato Grosso que oferece atendimento humanizado a mulheres, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade durante grandes eventos. “Um espaço de acolhimento, um ambiente humanizado, seguro e sigiloso. Se essa vitima precisar de uma medida protetiva posso deferir ali mesmo no local. E depois o processo é encaminhado à vara de violência doméstica”, detalhou.
Para a magistrada, o Juizado do Torcedor e Grandes Eventos garante uma resposta rápida e efetiva, com análise célere dos fatos, concessão de medidas de urgência quando necessárias e garantia de proteção a vítima no próprio evento. “Asseguramos dignidade, segurança e efetividade da tutela jurisdicional”, finalizou Ceni.
Em seguida o painel “Entre Algoritmos e Humanidade: o Futuro dos Juizados Especiais” reuniu para um bate papo o juiz titular do 4º Juizado Especial Cível de Cuiabá, Antonio Horácio da Silva Neto e o presidente da Comissão de Inteligência Artificial da OAB-MT, Daniel Roque Sagin.
Ao abrir a discussão, o magistrado observou que a sociedade atravessa uma nova transformação histórica. “Passamos pela revolução agrícola, pela revolução industrial e hoje estamos vivendo uma revolução algorítmica. A própria pergunta sobre o que é justiça passa a exigir novas reflexões”, afirmou.
Daniel Sagin destacou que a inteligência artificial alterou a forma de trabalhar dos operadores do Direito e chamou atenção para o que ele chama de vieses algorítmicos.
“As IA’s são treinadas a partir de informações produzidas por seres humanos. O juiz tem um viés, o advogado tem um viés e as ferramentas também têm, porque foram treinadas por humanos. Se dermos um prompt com dados de quando as mulheres não tinham direitos ou não existiam leis trabalhistas, a resposta da ferramenta será diferente quando fizermos uma pergunta relacionada a qualquer questão trabalhista”, observou.
O advogado ressaltou que a inteligência artificial já produz ganhos significativos de eficiência para advogados e magistrados. Segundo ele, as ferramentas permitem reduzir o tempo gasto com tarefas repetitivas e ampliar a dedicação às estratégias jurídicas e ao atendimento dos clientes.
“Antes, grande parte do tempo era consumida em pesquisa de legislação, jurisprudência e análise de processos. Hoje a inteligência artificial pode auxiliar nessas atividades e permitir que o profissional dedique mais tempo à estratégia e à solução dos problemas apresentados pelo cliente”, detalhou.
Para o juiz Antonio Horácio, a tecnologia deve servir como instrumento de apoio, mas jamais substituir a análise humana dos conflitos. “A jurisdição não nasce de números. Ela nasce de uma necessidade, de uma dor. E as máquinas não estão preparadas para vivenciar isso”, afirmou.
O magistrado destacou que ao mesmo tempo em que se busca celeridade, a Justiça não pode perder de vista a finalidade para a qual foi criada. “Não podemos transformar o jurisdicionado em um simples número. A tecnologia que auxilia o juiz é bem-vinda, mas jamais poderá substituir a consciência decisória e a humanização que fazem parte da atividade jurisdicional”, destacou.
Apesar dos benefícios, ambos defenderam a necessidade de capacitação permanente. Daniel Sagin afirmou que compreender conceitos relacionados à inteligência artificial será indispensável para os profissionais do Direito nos próximos anos. “Mais de 50 mil ferramentas de inteligência artificial estão disponíveis atualmente. Quem não dedicar tempo para compreender como elas funcionam corre o risco de ficar para trás”, alertou o advogado.
Ao encerrar o painel, o juiz Antonio Horácio reforçou que o futuro dos Juizados Especiais passa pelo equilíbrio entre inovação tecnológica e valores humanos.
“Podemos ter uma Justiça fria, automatizada e estatística, ou uma Justiça tecnologicamente eficiente, mas profundamente humana. Os algoritmos podem auxiliar, mas jamais substituir a consciência do magistrado. A verdadeira inteligência da Justiça continuará sendo humana”, concluiu.

Autor: Larissa Klein

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Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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