Tribunal de Justiça de MT

Curso de Formação debate precedentes, meio ambiente, direito agrário e combate a demandas abusivas

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Precedentes judiciais, governança de litígios, Direito agrário, sustentabilidade e uso de ferramentas técnicas para decisões mais seguras marcaram a semana de atividades do Curso Oficial de Formação Inicial (Cofi 2026). A programação reuniu juízes(as) substitutos(as), magistrados(as) formadores(as) e representantes de órgãos parceiros em debates voltados à modernização da atuação judicial e ao fortalecimento da magistratura.

Na segunda-feira (6 de abril), o Cofi promoveu aula dedicada ao tema “Demandas repetitivas e grandes litigantes”, ministrada pelo juiz de Direito Gerardo Humberto Alves Silva Júnior, auxiliar da Vice-Presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A atividade ressaltou a importância da correta aplicação do sistema de precedentes para a eficiência do Poder Judiciário.

Durante a aula, o formador contextualizou historicamente a construção institucional dos tribunais superiores brasileiros como base para a compreensão do modelo atual de precedentes. “Na data de hoje, nós tratamos basicamente do sistema de precedentes, mas, num primeiro momento, nós conversamos sobre a própria constituição do Supremo Tribunal Federal desde os primeiros anos da República até o momento atual e, da mesma forma, a própria constituição do Superior Tribunal de Justiça, porque são aspectos de relevância para que a gente consiga, a partir daí, discutir um sistema de precedentes”, explicou.

O juiz Gerardo também aprofundou o debate teórico sobre precedentes judiciais, destacando os desafios enfrentados pela magistratura na prática. “Nós tratamos das teorias que envolvem os precedentes, especialmente da dificuldade que nós temos na identificação da razão de decidir de cada julgado e como é que se extrai no modelo atual essa razão de decidir.”

A juíza substituta Gabriella Andressa Moreira Dias de Oliveira enfatizou o papel estratégico do tema para a gestão judicial. Segundo ela, para que os magistrados(as) possam racionalizar os recursos disponíveis e utilizá-los de forma estratégica, é preciso dominar os precedentes vinculantes e os precedentes do próprio tribunal, evitando demandas repetitivas e a dedicação a temas que já estão sendo discutidos nas instâncias superiores.

Já o juiz substituto Hugo Fernando Men Lopes destacou a qualidade da aula. “Estamos na fase final do Cofi, que começou em janeiro, e a aula com o doutor Gerardo não foi diferente das demais em termos de excelência. Professor extremamente preparado, que nos trouxe um conhecimento aprofundado sobre o sistema de precedentes no ordenamento jurídico brasileiro, especialmente no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso”, avaliou. Segundo o juiz, o conteúdo contribui diretamente para a prática jurisdicional. “Ficou muito mais claro saber como aplicar os precedentes, em especial os de natureza vinculante, no cotidiano do gabinete”, concluiu.

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Questão ambiental

As aulas realizadas na terça e na quinta-feira foram conduzidas pela juíza de Direito Henriqueta Fernanda Chaves Alencar Ferreira Lima, que trabalhou o tema “Impacto social, econômico e ambiental das decisões judiciais e a proteção do vulnerável” e tópicos especiais. Além da abordagem teórica, a magistrada promoveu a apresentação do Núcleo de Sustentabilidade do TJMT e viabilizou, por meio do Centro de Estudos Integrado em Meio Ambiente (Cesima), uma parceria com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), permitindo uma apresentação técnica direcionada aos novos magistrados.

“É de grande relevo essa parceria, fruto inclusive do nosso Cesima. Trazer o pessoal técnico, o superintendente da Sema, para apresentar os sistemas que estão à disposição dos magistrados para consulta restrita faz com que eles passem a ter ferramentas técnicas para confrontar as informações constantes dos processos, como dados sobre degradação ambiental, desmatamento e licenciamento”, destacou. Segundo a juíza, a iniciativa representa a incorporação do conhecimento técnico ao processo judicial. “Ter essa comunicação estreita com a Sema permite que magistrados novos e antigos compreendam que há instrumentos técnicos disponíveis para uma tomada de decisão mais segura, tornando essa parceria extremamente frutífera”, concluiu.

Durante a programação, o superintendente de Regularização e Monitoramento Ambiental da Sema, Felipe Guilherme Klein, apresentou os sistemas e bases de dados disponíveis para subsidiar a atuação judicial em matéria ambiental. “Nós trouxemos hoje a transparência da Sema, informações que estão disponíveis tanto para todos os usuários, e também um pouco do Sistema Mato-grossense de Cadastro Ambiental Rural, o Simcar, que é um acesso específico e exclusivo, com as mesmas permissões de um analista da Sema”, explicou.

Além da demonstração do sistema, a equipe apresentou as funcionalidades práticas e os dados que podem auxiliar diretamente na tomada de decisão judicial. “No cadastro ambiental rural, por exemplo, é possível verificar sobreposição de áreas, se o cadastro foi analisado ou não, quais peças técnicas foram apresentadas e se foram avaliadas pela Sema”, explicou. Segundo Klein, todas essas informações ficam disponíveis e permitem ao juiz confrontar os dados do processo com informações técnicas oficiais, trazendo mais segurança às decisões.

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Demandas fraudulentas

Ainda na terça-feira, a programação do Cofi contou com a participação da juíza auxiliar da Corregedoria Anna Paula Gomes de Freitas, que abordou a atuação do Núcleo de Monitoramento do Perfil de Demandas (Numopede) e sua importância para a governança dos litígios no âmbito do Tribunal de Justiça. “Trouxemos, na prática, o que é o Numopede, o que ele faz, qual é o trabalho desenvolvido no Tribunal de Justiça e como os juízes vão trabalhar interagindo com esse núcleo”, explicou.

Segundo a magistrada, o Numopede auxilia na identificação de “demandas abusivas, predatórias e repetitivas”, que muitas vezes “afogam” o Judiciário e nem sempre correspondem a conflitos reais. “Com esse volume de demandas fraudulentas, que tomam o tempo do juiz, o Judiciário acaba atravancado. Por isso, o magistrado precisa saber governar esses litígios, compreender como funciona esse trabalho conjunto e como ele contribui para uma atuação mais eficiente”, concluiu.

Estado agrário

Nesta sexta-feira (10 de abril), a aula foi conduzida pela desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, que destacou a relevância do Direito Agrário na formação da magistratura, especialmente considerando as características econômicas de Mato Grosso. “O nosso estado é eminentemente agrário. A nossa vocação é plantar e criar animais, como gado, frango, porco e peixe, além de culturas como soja, milho e arroz”, afirmou.

Segundo a magistrada, o domínio técnico da matéria é essencial, sobretudo para os novos juízes que irão atuar no interior do Estado. “Esses juízes vão lidar diretamente com contratos bancários, de financiamento, arrendamento e parceria rural. Por isso, é fundamental que eles aprendam o Direito Agrário de forma técnica e prática”, explicou. Para a desembargadora, a capacitação contribui diretamente para a melhoria da prestação jurisdicional. “A intenção é ajudá-los para que melhorem a qualidade do trabalho desenvolvido nas comarcas”, concluiu.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Rotina escolar revela desafios e aprendizados na inclusão de alunos com autismo

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“Cada dia é um novo cenário. Há momentos de tranquilidade, mas também situações difíceis, com comportamentos que exigem preparo e sensibilidade. A gente precisa estar pronta o tempo todo.” A avaliação é da coordenadora Cícera Maria dos Santos, de 46 anos, que participou, na tarde de quinta-feira (16), do projeto “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), e compartilhou a realidade vivida na gestão da Escola Municipal Esmeralda de Campos Fontes, no bairro Ribeirão da Ponte, em Cuiabá, com cerca de 300 alunos.

Durante os debates promovidos na Igreja Lagoinha, a coordenadora avalia que muito mais do que números podem traduzir, a rotina é marcada pela diversidade de comportamentos, especialmente entre alunos com transtornos globais de desenvolvimento.

“A escola busca oferecer suporte contínuo, com apoio da equipe pedagógica e diálogo constante com as famílias. Cada aluno tem sua particularidade, e isso exige um olhar atento todos os dias”, destaca, pontuando que o evento trouxe um olhar diferenciado sobre o caso de um aluno de oito anos. “Ele é não verbal e muitas vezes age com violência, mas aqui, me questionei sobre o que essa criança gosta? Uma reflexão que faço após as palestras”.

Nesse contexto, o envolvimento familiar é considerado essencial. Muitas vezes, a unidade precisa convocar responsáveis para orientações e alinhamentos, principalmente quando ainda não há laudos formais. “Incentivamos a busca por acompanhamento especializado. A escola não consegue sozinha. É um trabalho conjunto entre escola, família e comunidade”, reforça.

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A necessidade de qualificação constante também é destacada por profissionais da educação. Para a Cuidadora de Aluno com Deficiência (CAD) Laura Cristina Dias da Mata, de 47 anos, que atua há cinco anos na rede, ainda há um longo caminho a percorrer. “Compreender os alunos é uma bagagem muito importante, mas ainda falta conhecimento. Não só na minha escola, mas em todas. Precisamos ampliar essa formação dentro das unidades”, afirma, reforçando a necessidade de processos formativos, como o TJMT Inclusivo.

Já Déborah Rodrigues da Silva, de 22 anos, que iniciou como CAD em 2025, avalia que o aprendizado adquirido nas capacitações tende a impactar diretamente o cotidiano. “Na capital já existe um acompanhamento maior, e isso ajuda. Acredito que esse conhecimento vai fazer diferença no dia a dia com as crianças”, pontua.

O TJMT Inclusivo reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso com a acessibilidade e o respeito à neurodiversidade. A iniciativa segue diretrizes da Resolução nº 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O evento é coordenado pela Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), Escola dos Servidores, Prefeitura de Cuiabá e Igreja Lagoinha, reunindo educadores, gestores e instituições em torno do fortalecimento de uma educação mais inclusiva.

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Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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